Foirn e Funai lançam Abril Cultural Indígena 2017 na maloca em São Gabriel da Cachoeira/Am

Com o tema “Rio Negro, Somos nós que fazemos”, o Abril Cultural Indígena 2017 será aberto oficialmente nesta sexta-feira, 07/04, às 19h30, no Casa do Saber maloca da FOIRN, localizado na Avenida Álvaro Maia, nº 79, centro de São Gabriel da Cachoeira – AM. O evento é organizado pela Federação das Organizações Indígenas do rio […]

via Foirn e Funai lançam Abril Cultural Indígena 2017 nesta sexta-feira, 07/04 — Terra e Cultura

Koakawatsa wadeenhiri: ACIRA realizou Assembleia em Canadá, Rio Aiarí

“Foi bom demais ver as comunidades retomar a força política e planejar o seu manejo de bem-viver. O movimento indígena aqui do Rio Negro vai voltar ficar forte, estamos trabalhando para isso (FOIRN, CABC, associações com acompanhamento da Funai Regional do Rio Negro)” – André Baniwa

Mulheres Baniwa participam do planejamento da ACIRA para próximos 4 anos. Foto: André Baniwa

Mulheres Baniwa participam do planejamento da ACIRA para próximos 4 anos. Foto: André Baniwa

A Associação das Comunidades Indígenas do Rio Ayarí (ACIRA) foi fundada em 1995, foi a terceira associação criada na região do Içana, depois da ACIRI (1987) e OIBI (1992).

O Rio Ayari abriga mais de 20 comunidades indígenas Baniwa. A ACIRA tem objetivo de somar a luta pela demarcação de terras indígenas do Rio Negro e defender outros direitos fundamentais. Vem procurando elaborar e desenvolver seus projetos de acordo com o interesse de suas comunidades visando promover a  melhoria para qualidade de vida e defesa de seu território.

A avaliação da atuação de 20 anos da associação, mostrou que houve acertos e erros que não podem se repetir; houve conquistas muito importantes como transporte que não bem gerenciado (barco); comunicação como radiofonias,  e algumas iniciativas de geração de rendas paralisados hoje.

Considerando o contexto dos últimos 20 anos as comunidades propuseram um plano para próximos a 4 anos para Diretoria Executiva da associação que se resume em ações como: 1 – Criação de peixes nativos (comunitária familiar ou mecanizada); 2 – Agricultura Tradicional (pimenta, abacaxi, mandioca e derivados, arroz); 3 – Artesanatos (Cerâmica, ralo…); 4 – Culinária Baniwa (indústria – pimenta, mandioca e derivados); 5 – Extrativismo (buriti…); 6 – Manejos (pesca e matéria-prima); 7 – Energias Alternativas.

Instituições como a FOIRN, CRRN/FUNAI, CABC e Departamento de Mulheres/FOIRN marcou presença na assembleia, que aconteceu entre 24 a 26 de outubro em Canadá, Médio Ayarí.

Saber manejar no presente para garantir o futuro é o desafio, apontam os Povos Baniwa e Koripaco na oficina de elaboração do PGTA do Rio Içana e Afluentes

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

É a primeira vez que os Baniwa e Koripaco se reunem para pensar e escrever seu futuro com base nas experiências de contato, de trabalho e desejos. Ao final da oficina ficou claro o maior desafio na atualidade é saber manejar o mundo para garantir o futuro e bem viver para às futuras gerações.

A  I Oficina de elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da região do Içana e Afluentes, onde vivem os Baniwa e Coripaco, foi realizado entre 7 a 10 de outubro na comunidade Tunuí Cachoeira, Médio Içana.

O trabalho foi uma realização da parceria: CABC (Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco), FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), FUNAI (Fundação Nacional do Indígena/Coordenação Regional do Rio Negro) e ISA (Instituto Socioambiental).

Foram cerca de 140 participantes, representantes das comunidades localizadas nas calhas do baixo, médio e Alto Içana e os afluntes Aiarí e Cuairaí. Entre estes, professores, estudantes, conhecedores tradicionais, mulheres e crianças.

Na abertura da oficina,  foi ressaltado que a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI – Decreto 7.747/2012) da qual os PGTAs são instrumentos de implementação é uma conquista dos povos indígenas.

” É um instrumento muito importante para discutirmos os desafios atuais e planejar o nosso futuro, que tem como principal conteúdo ações importantes e necessárias para o nosso bem viver no nosso território” – disse Isaias Fontes, Vice Presidente da FOIRN.

A primeira atividade da oficina foi uma palestra sobre os 7 eixos da PNGATI e seus objetivos, com a proposta de ampliar o entendimento e compreensão dessa política pelos participantes. O trabalho de levantamento de desafios enfrentados pelos Baniwa e Koripaco, foi feito em grupos de trabalhos organizados por microregião do Içana (baixo Içana, Médio Içana I e II, Alto Içana Aiarí – e mais dois grupos de jovens).

Outra atividade feita foi o mapeamento das territorialidades de cada comunidade, como área de uso e áreas de uso compartilhado, que também identificou recursos florestais, pesqueiros e outros pontenciais que poderão ser aproveitados em projetos de geração de renda. As áreas de atuação e abrangência das associações de base foram identificados nos mapas.

Os temas prioritários definidos na oficina foram: Manejo de Recursos florestais e pesqueiros, Lixo e poluição, Saúde, Patrimônios Culturais, Transporte e meios de comunicação, Economia indígena e geração de renda, Proteção e promoção de Patrimônio culturais e patrimônios genéticos associados à biodiversidade e Organização social e religiosa.

Os próximos passos da construção desse plano já estar definido. Grupos de trabalhos irão atuar nas microregiões para aprofundar com as comunidades as informações e os dados levantados na oficina. E a coordenação da elaboração do plano irá sistematizar e processar os dados para a próxima oficina prevista para ano que vem.

Governança do Território Baniwa e Koripaco

André Fernando, fez uma palestra sobre o Conselho Kaali, criado em 2014 durante a V Assembleia da CABC com a proposta de ser um espaço de discussão e deliberação de assuntos estratégicos e de interesse dos povos Baniwa e Koripaco.

” O Conselho Kaali será um espaço de governança do nosso território, onde iremos discutir e definir ações prioritárias de interesse do nosso povo” – disse André, que é membro da comissão de organização e sistematização do processo de formação do Conselho Kaali.

O PGTA do Rio Içana e Afluentes ou Baniwa e Koripaco será um instrumento de planejamento e implementação das ações recomendadas pelo Conselho Kaali, que deverão ser desenvolvidas pelas associações de base de cada microregião.

O território conhecido atualmente como ” Bacia do Içana” ou ” Rio Içana e Afluentes” é  ocupado tradicionalmente pelos Baniwa e Koripaco, desde a origem em Wapuí Cachoeira (alto Aiarí) e herdado pelo próprio criador Ñapirikoli aos clãs Waliperidakenai, Hohodeni, Dzawinai e outros que fazem parte. O conhecimento sobre essa territorialidade tradicional é mantido e transmitido de geração a geração.

Atualmente, na região do Içana existem cerca de 10 associações de base, uma coordenadoria regional, associações de escola, conselheiros de saúde e entre outros. A proposta do Conselho Kaali é fortalecer essas representações.

Em intercâmbio no Rio Negro, Mundurkus e Kayabis conhecem experiência Baniwa e a tradicional quinhapira

Em visita a Casa da Pimenta Titsiadoa, em Yamado.

Em visita a Casa da Pimenta Titsiadoa, em Yamado.

Realizado entre 21 a 24 de setembro, em São Gabriel da Cachoeira, o intercâmbio das associações Apiaká, Kayabi e Munduruku da região do Baixo Rio Teles Pires/MT e as experiências dos Povos do Rio Negro através da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Organização Indígena da Bacia do Içana e Coordenação Regional do Rio Negro/FUNAI.

A vinda ao Rio Negro teve como principal objetivo conhecer as experiências de gestão e o histórico das organizações mencionadas acima, para fortalecimento das associações dos povos que também enfrentam desafios com a construção das hidrelétricas na região onde vivem.

Em três dias de palestras, conheceram o histórico do movimento indígena no Rio Negro, bem como a atuação dela em políticas públicas, demarcação e fiscalização em Terras Indígenas, saúde indígena, educação escolar indígena e fomento de atividades de geração de renda.

Em visita à comunidade Yamado

Em visita à comunidade Yamado

“A OIBI cumpriu a missão com os parentes Kaiabi, Munduruku e Apiaka que vieram fazer intercâmbios com os povos indígenas do Rio Negro. A OIBI colaborou com eles contando experiência do povo Baniwa, suas lutas junto aos demais povos indígenas do Rio Negro. Contamos experiência e aprendizados da nossa associação OIBI em 24 anos: sucessos e dificuldades – trabalhos e reconhecimentos… Puderam conhecer casa da Pimenta Baniwa e experimentaram quinhapira e moqueado com pimenta, xibé e caribé… neste intercambio pudemos conhecer também a realidade que os parentes enfrentam em suas terras no Estado do Pará e Mato Grosso”- disse André Baniwa, que fez palestra sobre a experiência da OIBI, e levou os visitante a conhecer a Casa da Pimenta Titsiadoa, a comunidade Yamado.

“Que esses aprendizados ajudem vocês a fortalecer as suas organizações para continuar lutando pelos direitos e pela melhoria da qualidade de vida do povo de vocês”- afirmou Almerinda Ramos de Lima, Presidente da FOIRN.

Em reunião de avaliação, os visitantes afirmaram que a vinda ao Rio Negro foi muito proveitosa, conheceram experiências que vão ajudar a fortalecer ainda mais as experiências que desenvolvem na região onde moram. E que não vão esquecer da “pimenta” que conheceram por aqui.

Sessão de avaliação e encerramento do intercâmbio na Maloca da FOIRN. Foto: Ray Benjamim

Sessão de avaliação e encerramento do intercâmbio na Maloca da FOIRN. Foto: Ray Benjamim

E ainda, as instituições que fizeram parte desse intercâmbio como as associações visitantes e as locais reafirmaram a necessidade e a importância da realização de novos intercâmbios no futuro, pois, são formas de troca de experiências e conhecimentos para melhorar a gestão das associações e consequentemente do território e a luta pelos direitos.

Uma corrida pra não esquecer: Baniwa participa do evento de comemoração de 20 anos da ATIX no Parque do Xingu

Foto: Patrícia Zuppi

Foto: Patrícia Zuppi

Francinéia Fontes, 29, atual vice coordenadora do Departamento de Mulheres da FOIRN, que é membro da Rede de Cooperação e Alternativas (RCA), foi indicada para participar e representar a federação no evento de comemoração de 20 anos da Associação da Terra Indígena Xingu – ATIX, no Parque do Xingu.

Nem mesmo a distância percorrida para chegar lá, como ela mesma definiu “Muito longe para chegar aqui”foi suficiente para fazer ela não participar dos jogos e da programação recheada de danças, brincadeiras e jogos.

Os 20 anos de história da ATIX mostrou que as lutas pelos direitos são intensos, especialmente na proteção do território “contra as invasões de madereiros, de plantio de soja, milho. Dói no coração conhecer a história de um povo que luta e nunca cansa, nunca desiste de lutar para cuidar do seu território pensando nas futuras gerações”.

“Apesar de todas essas ameaças, o povo daqui mantêm a cultura viva”.

A história de luta dos povos que vivem no Xingu, me mostrou que como lideranças, nunca devemos desistir, ainda que a luta pelo nossos direitos muitas vezes não são fáceis. Aprendi com eles que nunca devo baixar a cabeça, mas, que devo, devemos continuar.

Ao final de três dias a Francinéia resumiu a visita e a experiência “Xingu terra maravilhosa, povo hospitaleiro, gentil e humilde”.

Criada no dia 18 de setembro de 1995, a ATIX depois de 20 anos reúne os 16 povos, as lideranças históricas do Xingu e da nova geração no centro do Parque Indígena do Xingu, para pensar os desafios dos próximos anos.