PGTA Baniwa e Koripako

TRAÇANDO O PLANO DE GESTÃO TERRITORIAL E AMBIENTAL DO TERRITÓRIO TRADICIONAL DO POVO BANIWA E KORIPAKO

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GT de Jovens apresentando propostas durante a oficina de elaboração do PGTA Baniwa e Koripaco em Tunuí Cachoeira. Foto: Ray Benjamim

Por  André Baniwa (Presidente da OIBI e Vice-Presidente da Comissão Executiva Provisória do Conselho Kaaly)

Em 2015 aqui no Rio Negro começou-se a elaboração de Plano de Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas. Uma delas foi um esforço do Povo Baniwa e Koripako que se reuniram também em oficina para começar o processo.

Este início aconteceu na comunidade Tunui Cachoeira no médio Içana juntando pessoas para discutir, pensar e elaborar um plano para elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da tradicional território Baniwa e Koripako no Rio Içana e afluentes na Terra Indígena do Alto Rio Negro demarcada em 1997 e homologada em 1998.

Todo isso é muito importante de acontecer depois de 18 anos pós-demarcação e tem sentido e importância. Por exemplo, o significado da palavra “Plano” em Baniwa é “wadzeekatawa”, traduzindo de Baniwa para língua Portuguesa é “para fazermos”. Assim se traduzirmos a extensa frase do “PGTA”, a palavra seguinte é “de” em Baniwa também tem sentido como “linako”, ou seja, “sobre”.  A palavra “Gestão” refere-se ao “ideenhikhetti”, ou melhor, “trabalhar”. A palavra “Territorial” em Baniwa é “Wahipaite”, ou seja, “nossa terra”. O “e” é “nheette” em Baniwa não tem diferença da língua Portuguesa. A palavra “ambiental” significa “weemakawa”.

Em resumo, a frase do “PGTA” depois de sofrer tradução intercultural em Baniwa fica seguinte frase: “Wadzeekatawa ideenhiketti linako wahipaite nheette weemakaawa liko nako”. Ou seja, em língua Portuguesa fica assim: “Para fazermos e trabalharmos sobre a nossa terra e no local onde moramos”.

Esta pequena dedicação ao tema “PGTA” é para demonstrar a importância aos povos indígenas e especificamente ao povo Baniwa e Koripako sobre sua terra tradicional e sobre o lugar em que moramos. Essa palavra “sobre” é muito importante tanto quanto “no”. Quando é “sobre” refere-se ao plano ideial, mas quando se coloca a palavra “no” se refere a prática no lugar.

Não é só isso não! A palavra “sobre” podemos ainda traduzir interculturalmente neste contexto como “linakoapanina”, ou seja, regras, ética sobre um território e para o lugar onde se habita. Isso é muito mais que simplesmente fazer etnomapeamento, etnozoneamento, pensar em obras necessárias e etc….

Esse ano de 2016 tem previsão de fazer e desenvolver várias atividades voltadas à construção de PGTAs das Terras Indígenas do Rio Negro. Além disso, como espaço de sistematizar os trabalhos levantados “sobre” e para que se tenha cuidado “no” será realizada a II Oficina de PGTAs.

Notícias sobre a construção do PGTA Baniwa e Koripaco:

 

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