Em carta lida e entregue ao Procurador da República, lideranças Baniwa pedem exoneração imediata da atual Coordenadora do DSEI – ARN durante Audiência Pública em São Gabriel da Cachoeira

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Sr. Procurador do Ministério Público Federal do Amazonas e demais autoridades e parentes indígenas presentes.

Queremos aqui em nome de mais de 1.400 famílias Baniwa e Kuripako, de 6.300 pessoas, 93 comunidades e sítios, somos povos habitantes milenares da Terra Indígena Alto Rio Negro demarcado e homologado em 1998. E neste ato público reafirmamos verdadeiras as denúncias feitas pela FOIRN nos últimos quatro anos (2013, 2014, 2015 e 2016). Pois, descasos, negligências e omissões têm sido as marcas da Gestão da SESAI através do DSEI e seus gestores nestes últimos tempos aqui no Rio Negro. Como não bastasse com isso os nossos direitos são violados, seus princípios e negando os direitos das comunidades indígenas Baniwa e Kuripako garantidos na Constituição Federal de 1988.

Manifestamos aqui que no dia 10 de Outubro de 2015 o povo Baniwa e Kuripako fez uma denúncia encaminhada pela nossa representação indígena FOIRN ao Ministério da Saúde. E ficamos bem surpresos com a resposta, além de ter levado seis meses para que SESAI respondesse e explicasse equivocadamente sobre as nossas reivindicações. Depois desse tempo não mudou em nada, as nossas reivindicações continuam os mesmos: (1) Ausência e atraso de 1 ano da Equipe de Saúde multidisciplinar nas comunidades; ano passado as equipes estiveram apenas duas vezes; na resposta do DSEI pela atual gestora estiveram presentes 3 a 4 vezes, que na verdade não aconteceu, mesmo que fosse, estaria e está completamente fora do plano de funcionamento dos Pólos base que deveria funcionar permanentemente, apenas equipes se revezariam; (2) As construções previstos não começaram, segundo DSEI ainda estão em processos, mas já foram mais de cincos anos; será que leva tanto tempo assim para fazer uma obra? Os pólos base já caíram: Camarão, Tunui, Tucumã, Canadá e São Joaquim; (3) A estrutura física da CASAI está deficiente e não atende a demanda dos pacientes indígenas do rio Içana; (4) Os medicamentos nos Pólos Base e nas comunidades continuam em falta, completamente escasso, dificultando medicações dos pacientes com doenças curáveis; (5) Remoção de paciente Inadequada no caso de emergência sem considerar a humanização recomendada pela Política Nacional de Humanização – PNH do Sistema Único de Saúde – SUS; (6) Atendimento inadequado aos pacientes indígenas Baniwa e Koripako; (7) Os profissionais de saúde dos Pólos continuam sem condições de melhorias no trabalho e no transporte: como motores de polpa e botes de alumínios de capota; (8) Há 13 (treze) anos atrás a região, as comunidades, o povo Baniwa e Kuripako não apresentava quase nada de incidência de malaria, que hoje se encontra alta, fazendo as pessoas sofrerem mais, além da filaria medicável ainda não ser resolvida, apesar dos diagnósticos realizados através da pesquisa do INPA em 2009 e 2010 com recomendações de procedimentos para tratamento e da sua erradicação; (9) Falta de assistência da FUNASA nas comunidades onde há o caso de Malária; (10) Atualmente as condições de trabalho de profissionais de saúde são ruins, alem de insuficientes. No momento não tem nada de equipes de saúde nas comunidades indígenas Baniwa e Koripako neste novo ano de 2016.

Sr, Procurador, quando há uma denúncia entendemos que quer se buscar diálogo. Mas a SESAI não dialoga com os povos indígenas. Assim entendemos que a palavra diálogo e planejamento participativo e gestão com transparência está bem longe da atual gestão. E mais uma vez enumeramos aqui as nossas propostas para melhoria da saúde indígena: 1) Exoneração imediata da gestora e indicação para nomeação de um novo Coordenador Distrital da Saúde Indígena do Rio Negro com participação da FOIRN; 2) Afastamento imediato do Presidente do CONDISI e realização da reunião extraordinário do CONDISI para eleição da nova diretoria; 3) Fazer auditoria independente para reorganização, planejamento e funcionamento do DSEI; 4) Diálogo permanente com a FOIRN para reorganização e funcionamento do Controle Social, por exemplo, em vez de Conselhos Locais, Conselhos sub-regionais; 5) A FOIRN deve participar na formação de profissionais de saúde e na seleção de recursos humanos; 6) Um novo coordenador deverá fazer um novo aluguel para sede do DSEI, pois sede atual é completamente inadequada e espaço insuficiente; 7) A FOIRN devera participar do Planejamento Estratégico do DSEI Rio Negro, avaliação e monitoramento trimestral;

Especificamente aos povos indígenas do Rio Içana Baniwa e Koripako propomos seguintes: (1) Reconhecimento dos profissionais capacitados em varias áreas de saúde como: (TACIS- Técnico Agente Comunitário Indígena de Saúde, Microscopistas); (2) Os Pólos Base precisam ser reconstruídos com urgência para garantir o atendimento adequado aos pacientes e evitar o grande número de pacientes que descem para a CASAI em São Gabriel da Cachoeira; (4) Reforma na estrutura física da CASAI, garantindo espaço e banheiros adequados para o tratamento dos pacientes indígenas; (5) Estabelecer novo contrato de resgate aéreo para os pacientes graves; (6) Programa de formação aos profissionais de saúde para o atendimento específico e especial as populações indígenas; (7) Atualmente é fundamental que os pólos base do Içana e Ayari tenham um microscopista, visando acelerar o diagnóstico (exame laboratorial) e realizar o tratamento de malária e filariose no local com eficiência, pois as comunidades Baniwa segundo gráfico do DSEI são que mais sofrem com a malária.

Dr. se não for assim, o nosso bem-viver estará mais comprometido ainda. Por isso a gestão precisa urgentemente melhorar. Pois, atualmente entre 71% a 78% do uso do recurso financeira está somente no pagamento de recursos humanos, prejudicando enormemente a parte que faz funcionar nas comunidades indígenas e é por isso que hoje não funciona e desse jeito não tem como funcionar. Ano passado, por exemplo, segundo DSEI foram gastos apenas 6 milhões e esse ano de 2016 a previsão é de 7 milhões. A prestação de informação e prestação de conta da SESAI e DSEI são completamente inadequadas e incompletas.

Dr. exigimos que nossos direitos sejam respeitados e cumpridos!

Leia também: Procurador da República recebe dossiê com denuncias de violações contra dos direitos indígenas em Audiência Pública na Casa do Saber da FOIRN em São Gabriel da Cachoeira.

Reconstruindo o projeto Bem-Viver Baniwa e Koripako

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Reunião de lideranças Baniwa na sede do Instituto Socioambienta, em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Benjamim

Lideranças Baniwa, membros do Conselho Kaaly, se reuniram no dia 3 de fevereiro em São Gabriel da Cachoeira, para uma conversa sobre o tema ” Rescrevendo o Bem-Viver Baniwa e Koripaco”, com objetivo de avaliar as ações realizadas na região do Içana em 2015 e compartilhar  informações sobre os planejamentos de ações para 2016, bem como discutir e debater temas como a importância dos conhecimentos tradicionais Baniwa e Koripako para o fortalecimento das ações e desenvolvimento de novos projetos na região do Içana.

Conhecimentos Tradicionais e científicos como base para os projetos de desenvolvimento

A apresentação de sínteses de pesquisas acadêmicas realizadas sobre os povos indígenas do Rio Negro e alguns especificamente sobre os Baniwa (e pesquisas feitas por pesquisadores externos, como Robin Wright, Luiza Garnelo  e  pesquisadores Baniwa como Gersen Luciano, Franklin Paulo, Alfredo Brazão e outros) foi feita pelo Juvencio Cardoso  ou Dzoodzo – como ele é chamado pelos Baniwa.

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Juvêncio Cardoso ou Dzoodzo fazendo exposição. Foto: Ray Benjamim

Já existem várias pesquisas acadêmicas sobre o nosso povo e de outros povos indígenas do Rio Negro, precisamos, usar as sugestões e recomendações como base das nossas discussões e debates de nossos projetos, disse Dzoodzo.  Essas pesquisas afirmam e confirmam que os conhecimentos tradicionais são fundamentais para a realização de nossos projetos de desenvolvimento, precisamos considerar estes conhecimentos quando pensarmos em algum projeto para o nosso povo, completa Dzoodzo.

André Baniwa, lembrou durante o debate que esse tem sido um dos pontos importantes considerados nos projetos desenvolvidos pela OIBI, mencionando como exemplo, a Pimenta Baniwa, que tem como base, principalmente os conhecimentos e prática dos povos Baniwa e Koripako.

A construção do projeto Bem-Viver dos Povos Baniwa e Koripaco, de acordo com o debate, deve levar em consideração os dois conhecimentos, especialmente, os conhecimentos tradicionais. “Precisamos pensar juntos e ter como base esses conhecimentos para fortalecer nossos projetos que visam o bem-viver ou viver bem nas nossas comunidades e para o nosso povo”, diz André.

Em 2012, a Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI), recebeu durante o V Encontro Baniwa e Coripaco, realizado na comunidade Castelo Branco, médio Içana, a missão de elaborar o Projeto Manakai do Bem-Viver Baniwa e Koripako,   que propõe o Uso Sustentável da floresta e da biodiversidade no Território Tradicional do povo Baniwa e Koripako. Na época o projeto seria apresentando ao BNDS, porém, por problemas de documentação, não foi possível ser encaminhado, apesar de o projeto ter sido elaborado.

Com início de construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Baniwa e Koripaco em 2015, a ideia é aperfeiçoar o projeto elaborado em 2012, e ampliar a discussão junto com as comunidades no âmbito desse plano.

A reunião teve como tema ” Reconstrução do Bem-Viver Baniwa e Koripako”, porque já teve isso no passado, e precisamos reconstruí-la novamente, mas, dessa vez, precisamos usar os nossos conhecimentos tradicionais e apropriar os conhecimentos científicos necessários.  A elaboração do PGTA Baniwa e Koripako é uma dessas ações. Assim, queremos construir nosso projeto de Viver-Bem, para nós hoje, e para as futuras gerações.

As reuniões podem ser participadas pelos Baniwa interessados em colaborar nas discussões e debates sobre esses temas.

Agenda Içana 2016

  • Assembléia eletiva da CABC/FOIRN – 19 a 21 de Maio– realizar com apoio da FOIRN.
  • VI Encontro de Educação (como está ensino e aprendizagens dos estudantes de filhos Baniwa e Koripako? Como melhorar a formação de professores Baniwa e Koripako?) – 6 a 8 de Julho.
  • Conferência do povo Baniwa e Koripako – 12-15 outubro (Como estamos? O que temos que fazer na Organização Social Baniwa e Koripako?).
  • II Oficina de PGTA – 9 a 12 de Novembro (levantamentos de dados nas comunidades, discussão com pesquisadores indígenas e não indígenas e realização da II Oficina para sistematização dos dados trabalhados).
  • Festival de “Pimenta Baniwa” a ser iniciada na inauguração da Casa da Pimenta Baniwa Takairo na comunidade Canadá, Rio Ayari.

 

Experiência de comercialização da Pimenta Baniwa é tema de intercâmbio na Oficina de Cerâmica em Taracúa, médio Uaupés

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Foto: Rosilda Cordeiro – Departamento de Mulheres/FOIRN

Oficina organizada pela Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa (Amirt) em parceria com o Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e apoiado pela Fundação Nacional do Índio, através da Coordenação Regional do Rio Negro, reuniu entre 11 a 16 de janeiro, em Taracúa, médio Uaupés, artesãs indígenas da etnia Tukano para troca de conhecimentos e produção de peças de cerâmica.

Durante a oficina as participantes produziram várias peças de cerâmicas de todos os modelos, como pratos, penelas e muitos outros.

Além de trocar conhecimentos, e ensinar as técnicas de produção e as narrativas relacionadas ao tema às participantes mais jovens, as organizadoras da oficina, programaram também intercâmbio com outras experiências, como da Pimenta Baniwa.

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André Baniwa na oficina realizado em Taracúa.

Para isso, foi convidado o André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Rio Içana (Oibi) para contar a experiência Baniwa de organização, e principalmente, o histórico da criação da marca Arte Baniwa e os produtos como a cestaria Baniwa e a Pimenta Baniwa.

 

A ideia do intercâmbio foi fortalecer a iniciativa da Amirt na produção e comercialização dos produtos feitos pelas mulheres da região de Taracúa, que vem sendo feito há vários anos.

“Gostamos muito da experiência, conhecer um pouco mais do trabalho que fazem, e contribuir com nossa experiência, referente, especialmente, no trabalho realizado em todas as etapas da comercialização da Pimenta Baniwa, com certeza irá ajudar no fortalecimento e na organização do trabalho delas”, disse André.

As participantes, em seus depoimentos, afirmaram que é importante que mais intercâmbios sejam realizadas para a troca de experiências e conhecimentos entre as iniciativas de organizações e povos indígenas do Rio Negro.

Em 2015, a Pimenta Baniwa também foi um dos temas de intercâmbio entre Baniwa e representantes do Povo Apiaká, Kayabi e Munduruku quando vieram para o Rio Negro.

O novo livro de apoio para alfabetização na língua Baniwa é distribuído para as principais escolas da região do Rio Negro

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André Baniwa entregando a publicação para professor João Bosco, da Escola Tuyuka

Agora sim, oficialmente lançado em São Gabriel da Cachoeira. A publicação ” Walimanai Irhio – Wadanakaroda 1″, foi lançado no dia 21 de janeiro as 19hs, na maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) na cerimônia de encerramento da 30ª Reunião do Conselho Diretor.

Na oportunidade, professor Daniel Benjamim e André Baniwa coordenaram o momento de lançamento, na qual, falaram do histórico de construção do livro (saiba mais: Mais uma publicação para apoiar na alfabetização na língua Baniwa)

A publicação além de circular nas escolas baniwa da região do Içana, irão também para algumas das principais escolas da região, como a Escola Tuyuka (foto acima), escolas municipal e estadual do Distrito de Iauaretê, Assunção do Içana, Alto Rio Negro, Médio e Baixo Rio Negro.

“A nossa publicação está em Baniwa, mas, quem sabe, pode inspirar os professores destas escolas (que receberam) a produzir também material nas línguas igual a este”- afirmou professor Daniel.

 

Povos Indígenas do Rio Negro denunciam a situação da saúde indígena na região.

 

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“Saúde Indígena do Rio Negro morreu levando junto a mortes de muitos indígenas com doenças de causas curáveis”. Lideranças Indígenas de todas as regiões do Rio Negro elaboraram carta de denuncia sobre a saúde indígena na região, durante a 30ª Reunião do Conselho Diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

Leia a carta aqui: Denúncia: O Calvário Indígena no Rio Negro

Koakawatsa wadeenhiri: ACIRA realizou Assembleia em Canadá, Rio Aiarí

“Foi bom demais ver as comunidades retomar a força política e planejar o seu manejo de bem-viver. O movimento indígena aqui do Rio Negro vai voltar ficar forte, estamos trabalhando para isso (FOIRN, CABC, associações com acompanhamento da Funai Regional do Rio Negro)” – André Baniwa

Mulheres Baniwa participam do planejamento da ACIRA para próximos 4 anos. Foto: André Baniwa

Mulheres Baniwa participam do planejamento da ACIRA para próximos 4 anos. Foto: André Baniwa

A Associação das Comunidades Indígenas do Rio Ayarí (ACIRA) foi fundada em 1995, foi a terceira associação criada na região do Içana, depois da ACIRI (1987) e OIBI (1992).

O Rio Ayari abriga mais de 20 comunidades indígenas Baniwa. A ACIRA tem objetivo de somar a luta pela demarcação de terras indígenas do Rio Negro e defender outros direitos fundamentais. Vem procurando elaborar e desenvolver seus projetos de acordo com o interesse de suas comunidades visando promover a  melhoria para qualidade de vida e defesa de seu território.

A avaliação da atuação de 20 anos da associação, mostrou que houve acertos e erros que não podem se repetir; houve conquistas muito importantes como transporte que não bem gerenciado (barco); comunicação como radiofonias,  e algumas iniciativas de geração de rendas paralisados hoje.

Considerando o contexto dos últimos 20 anos as comunidades propuseram um plano para próximos a 4 anos para Diretoria Executiva da associação que se resume em ações como: 1 – Criação de peixes nativos (comunitária familiar ou mecanizada); 2 – Agricultura Tradicional (pimenta, abacaxi, mandioca e derivados, arroz); 3 – Artesanatos (Cerâmica, ralo…); 4 – Culinária Baniwa (indústria – pimenta, mandioca e derivados); 5 – Extrativismo (buriti…); 6 – Manejos (pesca e matéria-prima); 7 – Energias Alternativas.

Instituições como a FOIRN, CRRN/FUNAI, CABC e Departamento de Mulheres/FOIRN marcou presença na assembleia, que aconteceu entre 24 a 26 de outubro em Canadá, Médio Ayarí.

Saber manejar no presente para garantir o futuro é o desafio, apontam os Povos Baniwa e Koripaco na oficina de elaboração do PGTA do Rio Içana e Afluentes

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

É a primeira vez que os Baniwa e Koripaco se reunem para pensar e escrever seu futuro com base nas experiências de contato, de trabalho e desejos. Ao final da oficina ficou claro o maior desafio na atualidade é saber manejar o mundo para garantir o futuro e bem viver para às futuras gerações.

A  I Oficina de elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da região do Içana e Afluentes, onde vivem os Baniwa e Coripaco, foi realizado entre 7 a 10 de outubro na comunidade Tunuí Cachoeira, Médio Içana.

O trabalho foi uma realização da parceria: CABC (Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco), FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), FUNAI (Fundação Nacional do Indígena/Coordenação Regional do Rio Negro) e ISA (Instituto Socioambiental).

Foram cerca de 140 participantes, representantes das comunidades localizadas nas calhas do baixo, médio e Alto Içana e os afluntes Aiarí e Cuairaí. Entre estes, professores, estudantes, conhecedores tradicionais, mulheres e crianças.

Na abertura da oficina,  foi ressaltado que a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI – Decreto 7.747/2012) da qual os PGTAs são instrumentos de implementação é uma conquista dos povos indígenas.

” É um instrumento muito importante para discutirmos os desafios atuais e planejar o nosso futuro, que tem como principal conteúdo ações importantes e necessárias para o nosso bem viver no nosso território” – disse Isaias Fontes, Vice Presidente da FOIRN.

A primeira atividade da oficina foi uma palestra sobre os 7 eixos da PNGATI e seus objetivos, com a proposta de ampliar o entendimento e compreensão dessa política pelos participantes. O trabalho de levantamento de desafios enfrentados pelos Baniwa e Koripaco, foi feito em grupos de trabalhos organizados por microregião do Içana (baixo Içana, Médio Içana I e II, Alto Içana Aiarí – e mais dois grupos de jovens).

Outra atividade feita foi o mapeamento das territorialidades de cada comunidade, como área de uso e áreas de uso compartilhado, que também identificou recursos florestais, pesqueiros e outros pontenciais que poderão ser aproveitados em projetos de geração de renda. As áreas de atuação e abrangência das associações de base foram identificados nos mapas.

Os temas prioritários definidos na oficina foram: Manejo de Recursos florestais e pesqueiros, Lixo e poluição, Saúde, Patrimônios Culturais, Transporte e meios de comunicação, Economia indígena e geração de renda, Proteção e promoção de Patrimônio culturais e patrimônios genéticos associados à biodiversidade e Organização social e religiosa.

Os próximos passos da construção desse plano já estar definido. Grupos de trabalhos irão atuar nas microregiões para aprofundar com as comunidades as informações e os dados levantados na oficina. E a coordenação da elaboração do plano irá sistematizar e processar os dados para a próxima oficina prevista para ano que vem.

Governança do Território Baniwa e Koripaco

André Fernando, fez uma palestra sobre o Conselho Kaali, criado em 2014 durante a V Assembleia da CABC com a proposta de ser um espaço de discussão e deliberação de assuntos estratégicos e de interesse dos povos Baniwa e Koripaco.

” O Conselho Kaali será um espaço de governança do nosso território, onde iremos discutir e definir ações prioritárias de interesse do nosso povo” – disse André, que é membro da comissão de organização e sistematização do processo de formação do Conselho Kaali.

O PGTA do Rio Içana e Afluentes ou Baniwa e Koripaco será um instrumento de planejamento e implementação das ações recomendadas pelo Conselho Kaali, que deverão ser desenvolvidas pelas associações de base de cada microregião.

O território conhecido atualmente como ” Bacia do Içana” ou ” Rio Içana e Afluentes” é  ocupado tradicionalmente pelos Baniwa e Koripaco, desde a origem em Wapuí Cachoeira (alto Aiarí) e herdado pelo próprio criador Ñapirikoli aos clãs Waliperidakenai, Hohodeni, Dzawinai e outros que fazem parte. O conhecimento sobre essa territorialidade tradicional é mantido e transmitido de geração a geração.

Atualmente, na região do Içana existem cerca de 10 associações de base, uma coordenadoria regional, associações de escola, conselheiros de saúde e entre outros. A proposta do Conselho Kaali é fortalecer essas representações.

Em intercâmbio no Rio Negro, Mundurkus e Kayabis conhecem experiência Baniwa e a tradicional quinhapira

Em visita a Casa da Pimenta Titsiadoa, em Yamado.

Em visita a Casa da Pimenta Titsiadoa, em Yamado.

Realizado entre 21 a 24 de setembro, em São Gabriel da Cachoeira, o intercâmbio das associações Apiaká, Kayabi e Munduruku da região do Baixo Rio Teles Pires/MT e as experiências dos Povos do Rio Negro através da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Organização Indígena da Bacia do Içana e Coordenação Regional do Rio Negro/FUNAI.

A vinda ao Rio Negro teve como principal objetivo conhecer as experiências de gestão e o histórico das organizações mencionadas acima, para fortalecimento das associações dos povos que também enfrentam desafios com a construção das hidrelétricas na região onde vivem.

Em três dias de palestras, conheceram o histórico do movimento indígena no Rio Negro, bem como a atuação dela em políticas públicas, demarcação e fiscalização em Terras Indígenas, saúde indígena, educação escolar indígena e fomento de atividades de geração de renda.

Em visita à comunidade Yamado

Em visita à comunidade Yamado

“A OIBI cumpriu a missão com os parentes Kaiabi, Munduruku e Apiaka que vieram fazer intercâmbios com os povos indígenas do Rio Negro. A OIBI colaborou com eles contando experiência do povo Baniwa, suas lutas junto aos demais povos indígenas do Rio Negro. Contamos experiência e aprendizados da nossa associação OIBI em 24 anos: sucessos e dificuldades – trabalhos e reconhecimentos… Puderam conhecer casa da Pimenta Baniwa e experimentaram quinhapira e moqueado com pimenta, xibé e caribé… neste intercambio pudemos conhecer também a realidade que os parentes enfrentam em suas terras no Estado do Pará e Mato Grosso”- disse André Baniwa, que fez palestra sobre a experiência da OIBI, e levou os visitante a conhecer a Casa da Pimenta Titsiadoa, a comunidade Yamado.

“Que esses aprendizados ajudem vocês a fortalecer as suas organizações para continuar lutando pelos direitos e pela melhoria da qualidade de vida do povo de vocês”- afirmou Almerinda Ramos de Lima, Presidente da FOIRN.

Em reunião de avaliação, os visitantes afirmaram que a vinda ao Rio Negro foi muito proveitosa, conheceram experiências que vão ajudar a fortalecer ainda mais as experiências que desenvolvem na região onde moram. E que não vão esquecer da “pimenta” que conheceram por aqui.

Sessão de avaliação e encerramento do intercâmbio na Maloca da FOIRN. Foto: Ray Benjamim

Sessão de avaliação e encerramento do intercâmbio na Maloca da FOIRN. Foto: Ray Benjamim

E ainda, as instituições que fizeram parte desse intercâmbio como as associações visitantes e as locais reafirmaram a necessidade e a importância da realização de novos intercâmbios no futuro, pois, são formas de troca de experiências e conhecimentos para melhorar a gestão das associações e consequentemente do território e a luta pelos direitos.

Wadanakaroda 1: Mais uma publicação para apoiar na alfabetização na língua Baniwa

Foto: Ray Benjamim

Foto: Ray Benjamim

Walimanai Irihio – Wadanakaroda 1 (Para os Baniwa – Caderno de exercício 1) é o nome de mais uma publicação na língua Baniwa com objetivo de apoiar na alfabetização de crianças nas escolas Baniwa e Coripaco, da região do Içana.

Resultado de trabalho conjunto entre a Universidade de São Carlos/SP, Movimento Indígena do Rio Negro, Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira, professores Baniwa,  pesquisadores da Ufscar, comunidades Baniwa, que também contou com a participação de algumas instituições parcerias como a FUNAI, através da Coordenação Regional do Rio Negro.

A publicação é um resultado de acúmulo de experiências e aprendizados adquiridos em oficinas e seminários de educação escolar indígena no Alto Rio Negro.

“Com estas reuniões pudemos aprender mais sobre a educação escolar indígena, sobre as práticas pedagógicas baniwa e coripaco, e, neste aprendizado coletivo, planejar e realizar estes livros interdisciplinares e multisseriados, com os quais esperamos colaborar com a aprendizagem escolar das escolas das comunidades”- resume na apresentação do livro a Profa Dra Clarice Cohn, da UFscar, uma das coordenadoras do projeto que resultou a publicação.

A publicação será ferramenta de trabalho para os professores Baniwa e Coripaco a partir de agora nas comunidades ao longo do Rio Içana e afluentes (especialmente no Médio Içana). Que venham outras publicações.