Reconstruindo o projeto Bem-Viver Baniwa e Koripako

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Reunião de lideranças Baniwa na sede do Instituto Socioambienta, em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Benjamim

Lideranças Baniwa, membros do Conselho Kaaly, se reuniram no dia 3 de fevereiro em São Gabriel da Cachoeira, para uma conversa sobre o tema ” Rescrevendo o Bem-Viver Baniwa e Koripaco”, com objetivo de avaliar as ações realizadas na região do Içana em 2015 e compartilhar  informações sobre os planejamentos de ações para 2016, bem como discutir e debater temas como a importância dos conhecimentos tradicionais Baniwa e Koripako para o fortalecimento das ações e desenvolvimento de novos projetos na região do Içana.

Conhecimentos Tradicionais e científicos como base para os projetos de desenvolvimento

A apresentação de sínteses de pesquisas acadêmicas realizadas sobre os povos indígenas do Rio Negro e alguns especificamente sobre os Baniwa (e pesquisas feitas por pesquisadores externos, como Robin Wright, Luiza Garnelo  e  pesquisadores Baniwa como Gersen Luciano, Franklin Paulo, Alfredo Brazão e outros) foi feita pelo Juvencio Cardoso  ou Dzoodzo – como ele é chamado pelos Baniwa.

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Juvêncio Cardoso ou Dzoodzo fazendo exposição. Foto: Ray Benjamim

Já existem várias pesquisas acadêmicas sobre o nosso povo e de outros povos indígenas do Rio Negro, precisamos, usar as sugestões e recomendações como base das nossas discussões e debates de nossos projetos, disse Dzoodzo.  Essas pesquisas afirmam e confirmam que os conhecimentos tradicionais são fundamentais para a realização de nossos projetos de desenvolvimento, precisamos considerar estes conhecimentos quando pensarmos em algum projeto para o nosso povo, completa Dzoodzo.

André Baniwa, lembrou durante o debate que esse tem sido um dos pontos importantes considerados nos projetos desenvolvidos pela OIBI, mencionando como exemplo, a Pimenta Baniwa, que tem como base, principalmente os conhecimentos e prática dos povos Baniwa e Koripako.

A construção do projeto Bem-Viver dos Povos Baniwa e Koripaco, de acordo com o debate, deve levar em consideração os dois conhecimentos, especialmente, os conhecimentos tradicionais. “Precisamos pensar juntos e ter como base esses conhecimentos para fortalecer nossos projetos que visam o bem-viver ou viver bem nas nossas comunidades e para o nosso povo”, diz André.

Em 2012, a Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI), recebeu durante o V Encontro Baniwa e Coripaco, realizado na comunidade Castelo Branco, médio Içana, a missão de elaborar o Projeto Manakai do Bem-Viver Baniwa e Koripako,   que propõe o Uso Sustentável da floresta e da biodiversidade no Território Tradicional do povo Baniwa e Koripako. Na época o projeto seria apresentando ao BNDS, porém, por problemas de documentação, não foi possível ser encaminhado, apesar de o projeto ter sido elaborado.

Com início de construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Baniwa e Koripaco em 2015, a ideia é aperfeiçoar o projeto elaborado em 2012, e ampliar a discussão junto com as comunidades no âmbito desse plano.

A reunião teve como tema ” Reconstrução do Bem-Viver Baniwa e Koripako”, porque já teve isso no passado, e precisamos reconstruí-la novamente, mas, dessa vez, precisamos usar os nossos conhecimentos tradicionais e apropriar os conhecimentos científicos necessários.  A elaboração do PGTA Baniwa e Koripako é uma dessas ações. Assim, queremos construir nosso projeto de Viver-Bem, para nós hoje, e para as futuras gerações.

As reuniões podem ser participadas pelos Baniwa interessados em colaborar nas discussões e debates sobre esses temas.

Agenda Içana 2016

  • Assembléia eletiva da CABC/FOIRN – 19 a 21 de Maio– realizar com apoio da FOIRN.
  • VI Encontro de Educação (como está ensino e aprendizagens dos estudantes de filhos Baniwa e Koripako? Como melhorar a formação de professores Baniwa e Koripako?) – 6 a 8 de Julho.
  • Conferência do povo Baniwa e Koripako – 12-15 outubro (Como estamos? O que temos que fazer na Organização Social Baniwa e Koripako?).
  • II Oficina de PGTA – 9 a 12 de Novembro (levantamentos de dados nas comunidades, discussão com pesquisadores indígenas e não indígenas e realização da II Oficina para sistematização dos dados trabalhados).
  • Festival de “Pimenta Baniwa” a ser iniciada na inauguração da Casa da Pimenta Baniwa Takairo na comunidade Canadá, Rio Ayari.

 

Experiência de comercialização da Pimenta Baniwa é tema de intercâmbio na Oficina de Cerâmica em Taracúa, médio Uaupés

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Foto: Rosilda Cordeiro – Departamento de Mulheres/FOIRN

Oficina organizada pela Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa (Amirt) em parceria com o Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e apoiado pela Fundação Nacional do Índio, através da Coordenação Regional do Rio Negro, reuniu entre 11 a 16 de janeiro, em Taracúa, médio Uaupés, artesãs indígenas da etnia Tukano para troca de conhecimentos e produção de peças de cerâmica.

Durante a oficina as participantes produziram várias peças de cerâmicas de todos os modelos, como pratos, penelas e muitos outros.

Além de trocar conhecimentos, e ensinar as técnicas de produção e as narrativas relacionadas ao tema às participantes mais jovens, as organizadoras da oficina, programaram também intercâmbio com outras experiências, como da Pimenta Baniwa.

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André Baniwa na oficina realizado em Taracúa.

Para isso, foi convidado o André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Rio Içana (Oibi) para contar a experiência Baniwa de organização, e principalmente, o histórico da criação da marca Arte Baniwa e os produtos como a cestaria Baniwa e a Pimenta Baniwa.

 

A ideia do intercâmbio foi fortalecer a iniciativa da Amirt na produção e comercialização dos produtos feitos pelas mulheres da região de Taracúa, que vem sendo feito há vários anos.

“Gostamos muito da experiência, conhecer um pouco mais do trabalho que fazem, e contribuir com nossa experiência, referente, especialmente, no trabalho realizado em todas as etapas da comercialização da Pimenta Baniwa, com certeza irá ajudar no fortalecimento e na organização do trabalho delas”, disse André.

As participantes, em seus depoimentos, afirmaram que é importante que mais intercâmbios sejam realizadas para a troca de experiências e conhecimentos entre as iniciativas de organizações e povos indígenas do Rio Negro.

Em 2015, a Pimenta Baniwa também foi um dos temas de intercâmbio entre Baniwa e representantes do Povo Apiaká, Kayabi e Munduruku quando vieram para o Rio Negro.

O novo livro de apoio para alfabetização na língua Baniwa é distribuído para as principais escolas da região do Rio Negro

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André Baniwa entregando a publicação para professor João Bosco, da Escola Tuyuka

Agora sim, oficialmente lançado em São Gabriel da Cachoeira. A publicação ” Walimanai Irhio – Wadanakaroda 1″, foi lançado no dia 21 de janeiro as 19hs, na maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) na cerimônia de encerramento da 30ª Reunião do Conselho Diretor.

Na oportunidade, professor Daniel Benjamim e André Baniwa coordenaram o momento de lançamento, na qual, falaram do histórico de construção do livro (saiba mais: Mais uma publicação para apoiar na alfabetização na língua Baniwa)

A publicação além de circular nas escolas baniwa da região do Içana, irão também para algumas das principais escolas da região, como a Escola Tuyuka (foto acima), escolas municipal e estadual do Distrito de Iauaretê, Assunção do Içana, Alto Rio Negro, Médio e Baixo Rio Negro.

“A nossa publicação está em Baniwa, mas, quem sabe, pode inspirar os professores destas escolas (que receberam) a produzir também material nas línguas igual a este”- afirmou professor Daniel.

 

Povos Indígenas do Rio Negro denunciam a situação da saúde indígena na região.

 

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“Saúde Indígena do Rio Negro morreu levando junto a mortes de muitos indígenas com doenças de causas curáveis”. Lideranças Indígenas de todas as regiões do Rio Negro elaboraram carta de denuncia sobre a saúde indígena na região, durante a 30ª Reunião do Conselho Diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

Leia a carta aqui: Denúncia: O Calvário Indígena no Rio Negro

Nosso novo espaço na web

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Estou iniciando um novo projeto, na qual proponho divulgar um pouco do modo de vida, das realizações, das lutas e conquistas do Povo Baniwa (e Coripaco), que vivem na região do Rio Içana, Alto Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira.

A gestão desse blog será compartilhada com um grupo de pessoas que irão contribuir na produção de conteúdos e no acompanhamento do blog, para a avaliação e melhoria.

Espero que gostem, conto com a participação, divulgação de comentário de todos.

Abraços!

Ray Benjamim – Blogueiro Baniwa