Pimenta Baniwa na Conexão São Paulo-Biomas, realizado em SP

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Da esq à dir. Beto Ricardo/ISA, André/ATA, Júlia e André Baniwa/Pimenta Baniwa.                 Foto: reprodução 

Ontem, 16 de março, a Conexão São Paulo Biomas, realizado  no Mercado de Pinheiros em São Paulo reuniu representantes de experiências de 4 biomas brasileiras como a Amazônia, Cerrado, Pampas e Mata Atlântica.
A Conexão São Paulo – Biomas é  uma iniciativa do Instituto ATÁ em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Auá, a Central do Cerrado, o grupo Quintana e o Mocotó Café.
Representando a Bioma Amazônia, a Pimenta Baniwa e a cerâmica do Rio Negro foi apresentado  ao público, pelo presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), André Baniwa e a Júlia Fernando – gerente da Casa da Pimenta Tsitsiadoa, localizada nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira (AM).
“Na mesa de conversa falamos sobre a importância e o valor cultural da pimenta para o Povo Baniwa e dos povos indígenas do Rio Negro. Tenho certeza que muitos gostaram da nossa experiência”-disse André.
“No evento teve apresentação de  produtos e experiências desenvolvidas em cada biomas, que proporcionou o compartilhamento de  aprendizagens, dificuldades e problemas enfrentadas. muitos destes comuns entre as experiências apresentadas. Essa iniciativa segundo organizadores é inédita e esperamos que continue dando certo e mais pessoas possam também conhecer e gostar cada vez mais da nossa Pimenta Baniwa”, completa André.
A  inauguração da Conexão São Paulo – Biomas contou, além da cerâmica do Alto Rio Negro e a Pimenta Baniwao, com o Mel dos índios do Xingu e o especialíssimo óleo de pequi dessas populações indígenas, além da cerâmica dos Waujá e dos utensílios de cozinha dos índios Yudjá, que habitam o Parque Indígena do Xingu.A castanha do Pará e a farinha de mesocarpo de Babaçu, dos extrativistas da Terra do Meio  no Pará, e a farinha de mandioca caseira, a banana chips, a taiada e a rapadura, produzidas pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira.

Em intercâmbio no Rio Negro, Mundurkus e Kayabis conhecem experiência Baniwa e a tradicional quinhapira

Em visita a Casa da Pimenta Titsiadoa, em Yamado.

Em visita a Casa da Pimenta Titsiadoa, em Yamado.

Realizado entre 21 a 24 de setembro, em São Gabriel da Cachoeira, o intercâmbio das associações Apiaká, Kayabi e Munduruku da região do Baixo Rio Teles Pires/MT e as experiências dos Povos do Rio Negro através da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Organização Indígena da Bacia do Içana e Coordenação Regional do Rio Negro/FUNAI.

A vinda ao Rio Negro teve como principal objetivo conhecer as experiências de gestão e o histórico das organizações mencionadas acima, para fortalecimento das associações dos povos que também enfrentam desafios com a construção das hidrelétricas na região onde vivem.

Em três dias de palestras, conheceram o histórico do movimento indígena no Rio Negro, bem como a atuação dela em políticas públicas, demarcação e fiscalização em Terras Indígenas, saúde indígena, educação escolar indígena e fomento de atividades de geração de renda.

Em visita à comunidade Yamado

Em visita à comunidade Yamado

“A OIBI cumpriu a missão com os parentes Kaiabi, Munduruku e Apiaka que vieram fazer intercâmbios com os povos indígenas do Rio Negro. A OIBI colaborou com eles contando experiência do povo Baniwa, suas lutas junto aos demais povos indígenas do Rio Negro. Contamos experiência e aprendizados da nossa associação OIBI em 24 anos: sucessos e dificuldades – trabalhos e reconhecimentos… Puderam conhecer casa da Pimenta Baniwa e experimentaram quinhapira e moqueado com pimenta, xibé e caribé… neste intercambio pudemos conhecer também a realidade que os parentes enfrentam em suas terras no Estado do Pará e Mato Grosso”- disse André Baniwa, que fez palestra sobre a experiência da OIBI, e levou os visitante a conhecer a Casa da Pimenta Titsiadoa, a comunidade Yamado.

“Que esses aprendizados ajudem vocês a fortalecer as suas organizações para continuar lutando pelos direitos e pela melhoria da qualidade de vida do povo de vocês”- afirmou Almerinda Ramos de Lima, Presidente da FOIRN.

Em reunião de avaliação, os visitantes afirmaram que a vinda ao Rio Negro foi muito proveitosa, conheceram experiências que vão ajudar a fortalecer ainda mais as experiências que desenvolvem na região onde moram. E que não vão esquecer da “pimenta” que conheceram por aqui.

Sessão de avaliação e encerramento do intercâmbio na Maloca da FOIRN. Foto: Ray Benjamim

Sessão de avaliação e encerramento do intercâmbio na Maloca da FOIRN. Foto: Ray Benjamim

E ainda, as instituições que fizeram parte desse intercâmbio como as associações visitantes e as locais reafirmaram a necessidade e a importância da realização de novos intercâmbios no futuro, pois, são formas de troca de experiências e conhecimentos para melhorar a gestão das associações e consequentemente do território e a luta pelos direitos.

Temos experiências para compartilhar com os nossos parentes Munduruku

Comemoração de 20 anos da FOIRN em Assunção do IçanaFoto: ACERVO OIBI

Comemoração de 20 anos da FOIRN em Assunção do IçanaFoto: ACERVO OIBI

No dia 22 ( a partir da tarde)  23 de setembro, será realizada um intercâmbio de experiência do Movimento Indígena no Rio Negro, na maloca da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira.

Entre as experiências dos povos do Rio Negro que serão conhecidas pelos Munduruku, será da  Organização Indígena da Bacia do Içana – OIBI, que vai contar  a experiência  de gestão, projetos Arte Baniwa, Escola Baniwa e Pimenta Baniwa.

André Fernando - Arte Baniwa

André Fernando – Arte Baniwa

A troca de experiências entre os Povos do Rio Negro com os representantes do povo Munduruku inclui ainda uma visita à Casa da Pimenta BaniwaTsitsiadoa na comunidade Yamado, próximo à São Gabriel da Cachoeira.

A troca de experiências entre povos indígenas fortalece as iniciativas, através de novos aprendizados a partir de conhecimento e compartilhamentos de histórias de luta, das dificuldades, dos desafios enfrentados e das conquistas.

(Informações a partir de publicação do André Baniwa- Presidente da OIBI).