REPÚDIO BANIWA A POLÍTICA DE ATAQUE RACISTA DO MEC SOBRE ESTÍMULO DA PRESENÇA INDÍGENA NAS UNIVERSIDADES

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Nós, o povo Baniwa, da família linguística Aruak, 6 mil pessoas, 85 comunidades e sítios indígenas Brasileiros, por meio de legítimos representantes lideranças, e seus parceiros, vimos a público REPUDIAR A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC), que, por meio da PORTARIA Nº 545, DE 16 DE JUNHO DE 2020, revoga a portaria Normativa MEC nº 13, de 11 de maio de 2016, que dispõe sobre a indução de Ações Afirmativas na Pós-Graduação, e dá outras providências.

Entendemos que esta é uma concretização do movimento contra direitos indígenas, processo de desconstrução de políticas indigenista do governo federal conquistadas pelos povos indígenas por meio de muitas lutas. Afirmamos e reafirmamos que dessa forma não nos resta entender que é uma medida desrespeitoso, preconceituoso, discriminador por parte do gestor de política do Estado Brasileiro, iniciando um processo de dissimulação que caminha para violação de nossos direitos específicos, combatendo-nos como se não fossemos cidadãos brasileiros, como se o Estado Nacional tentasse nos extirpar das universidades brasileiras.

Exigimos que o MPF e as autoridades defensoras dos direitos constitucionais tomem as devidas providências a respeito, já que a política nacional de cotas está amparada em um arcabouço jurídico já conquistado com luta, e a sua revogação fere o princípio constitucional do não-retrocesso social. Também demandamos que a sociedade e as universidades também se manifestem sobre essa revogação de um direito de acesso ao ensino superior dos povos indígenas do Brasil e das demais classes sociais menos favorecidas.

 

Baniwas e parceiros, 18 de Maio de 2020

 

André Fernando Baniwa – Diretor Vice Presidente da OIBI

Alfredo Feliciano – Diretor Tesoureiro da OIBI

Bonifácio José – Presidente da ACEP

Isaias Pereira Fontes – Diretor da FOIRN

Braulina Aurora – Mestrando da UNB

Francineia Fontes – Doutorando UFRJ

Raimundo Benjami – SETCOM/FOIRN

João Jackson Bezerra Vianna (UFES)

Elie Ghanem (Ceunir – USP)

Antônio Fernandes Góes Neto (Ceunir – USP)

Diana Pellegrini (Ceunir – USP)

Arlindo Baré (FEEC – Unicamp)

Stella Oswaldo Cruz Penido (Fiocruz documentarista)

Daniel Benjamim – Professor da Escola Maadzero

Dário Casimiro – Mestrando na UFAM

Abílio Quinça – Estudante UEA

Tatiana Baniwa – enfermeira no Içana

Marivelton Barroso – Presidente da FOIRN

Julia Bernstein (mestre pela UFMG e parceira da FOIRN)

Augusto Garcia – Mestre em Linguística, professor Baniwa

Adeilson Lopes – Ecólogo

Paulo Abati Professor e médico infectologista UNICAMP

Natalia Pimenta (ISA)

Juliana Radler (ISA)

Carla Dias (ISA)

Sully Sampaio, Antropólogo – Parceiro colaborador no território Baniwa

Ana Lúcia Pontes, Medica Sanitarista- Parceira colaboradora no território Baniwa

Luiza Garnelo Médica Sanitarista – Parceira colaboradora no território Baniwa

Hernane Santos Júnior, Enfermeiro – Parceiro colaborador no território Baniwa

REPÚDIO BANIWA A POLÍTICA DE ATAQUE RACISTA DO MEC SOBRE ESTÍMULO DA PRESENÇA INDÍGENA NAS UNIVERSIDADES

Nós, o povo Baniwa, da família linguística Aruak, 6 mil pessoas, 85 comunidades e sítios indígenas Brasileiros, por meio de legítimos representantes lideranças, e seus parceiros, vimos a público REPUDIAR A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC), que, por meio da PORTARIA Nº 545, DE 16 DE JUNHO DE 2020, revoga a portaria Normativa MEC nº 13, de 11 de maio de 2016, que dispõe sobre a indução de Ações Afirmativas na Pós-Graduação, e dá outras providências.

Entendemos que esta é uma concretização do movimento contra direitos indígenas, processo de desconstrução de políticas indigenista do governo federal conquistadas pelos povos indígenas por meio de muitas lutas. Afirmamos e reafirmamos que dessa forma não nos resta entender que é uma medida desrespeitoso, preconceituoso, discriminador por parte do gestor de política do Estado Brasileiro, iniciando um processo de dissimulação que caminha para violação de nossos direitos específicos, combatendo-nos como se não fossemos cidadãos brasileiros, como se o Estado Nacional tentasse nos extirpar das universidades brasileiras.

Exigimos que o MPF e as autoridades defensoras dos direitos constitucionais tomem as devidas providências a respeito, já que a política nacional de cotas está amparada em um arcabouço jurídico já conquistado com luta, e a sua revogação fere o princípio constitucional do não-retrocesso social. Também demandamos que a sociedade e as universidades também se manifestem sobre essa revogação de um direito de acesso ao ensino superior dos povos indígenas do Brasil e das demais classes sociais menos favorecidas.

 

Baniwas e parceiros, 18 de Maio de 2020

 

André Fernando Baniwa – Diretor Vice Presidente da OIBI

Alfredo Feliciano – Diretor Tesoureiro da OIBI

Bonifácio José – Presidente da ACEP

Isaias Pereira Fontes – Diretor da FOIRN

Braulina Aurora – Mestrando da UNB

Francineia Fontes – Doutorando UFRJ

Raimundo Benjami – SETCOM/FOIRN

João Jackson Bezerra Vianna (UFES)

Elie Ghanem (Ceunir – USP)

Antônio Fernandes Góes Neto (Ceunir – USP)

Diana Pellegrini (Ceunir – USP)

Arlindo Baré (FEEC – Unicamp)

Stella Oswaldo Cruz Penido (Fiocruz documentarista)

Daniel Benjamim – Professor da Escola Maadzero

Dário Casimiro – Mestrando na UFAM

Abílio Quinça – Estudante UEA

Tatiana Baniwa – enfermeira no Içana

Marivelton Barroso – Presidente da FOIRN

Julia Bernstein (mestre pela UFMG e parceira da FOIRN)

Augusto Garcia – Mestre em Linguística, professor Baniwa

Adeilson Lopes – Ecólogo

Paulo Abati Professor e médico infectologista UNICAMP

Natalia Pimenta (ISA)

Juliana Radler (ISA)

Carla Dias (ISA)

Sully Sampaio, Antropólogo – Parceiro colaborador no território Baniwa

Ana Lúcia Pontes, Medica Sanitarista- Parceira colaboradora no território Baniwa

Luiza Garnelo Médica Sanitarista – Parceira colaboradora no território Baniwa

Hernane Santos Júnior, Enfermeiro – Parceiro colaborador no território Baniwa

VALORIZAÇÃO DAS LÍNGUAS INDÍGENAS NO ALTO RIO NEGRO

Destacado

Augusto Garcia Gonçalves

Mestre em linguística na UNB

A partir da visão das línguas indígenas, o Rio Negro é uma região mais plurilíngue do Continente Americano devido um sistema eco linguístico de 23 povos diferentes e de línguas indígenas segundo quatro troncos linguísticos que são Tupi, Aruak, Tukano Oriental e Maku ou Nadahup, além de duas línguas da família românica, o Português e o Espanhol. Um dos cursos de Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Amazonas – UFAM adotou o princípio linguístico para organizar os pólos de ensino. Além disso, o alto rio Negro é único lugar do mundo cujas regras de matrimonio se baseiam na chamada exogamia linguística, isto é, na obrigatoriedade do casamento com mulher de outra língua. Esse tipo de regra matrimonial conduz o filho bilinguismo por natureza, isso que justifica, por exemplo, para que existissem falantes potenciais de várias línguas.

Todo isso é um direito, pois estão garantidas em diversas leis, desde a legislação brasileira (Constituição Federal, LDB, Resolução 03 do CNE, etc.) e internacional (Resolução 169 da OIT, Declaração Universal da Diversidade Cultural etc.) são os que reconhecem aos povos minorizados em geral e aos indígenas em particular o direito de uso das suas línguas própria nos processos educacionais em todos níveis escolares. É neste contexto que São Gabriel da cachoeira goza de uma legislação municipal própria sobre assunto, a Lei 145 de dezembro de 2002 co-oficializou as línguas Baniwa, Yegatu e Tukano, atribuindo-lhe estatuto de uso obrigatório no sistema educacional, na mídia e no entendimento publico aos cidadãos (95 % dos cidadãos de São Gabriel da Cachoeira são indígenas).

Os cidadãos indígenas do município falam em geral uma das três línguas cooficiais, independente disso, além da sua própria, falam também outras línguas indígenas e outras línguas nacionais.  É importante salientar que a própria Lei nº 145/2002 regulamentada pela Lei em 2010/2006, prevê o direito de outras etnias de disporem de educação básica nas suas línguas maternas ou do seu próprio povo.

Necessidade de fortalecimento das línguas indígenas

Mesmo com todos esses direitos às línguas nacionais de cada país são mais forte que as línguas indígenas, exemplo disso é que já morreram muitas línguas indígenas no Brasil e fora dela. Neste sentido é muito importante que se tenha consciência para que se nunca se perca as línguas originárias indígenas que carrega em si riquezas de conhecimentos diversos na vida e da natureza.

  1. Línguas Indígenas nas famílias.
  • Os pais devem continuar falando com seus filhos (as) suas línguas no dia a dia;
  • Os pais devem esclarecer aos filhos que a língua que ele fala tem o mesmo valor e importância que a língua Portuguesa e outras línguas nacionais;
  1. Línguas indígenas em ambiente Comunitários.
  • Todos os indígenas devem comunicar-se nas reuniões, assembleias, trabalhos comunitários, sempre em suas línguas paternas e maternas;
  • Os líderes comunitários devem sempre incentivar as práticas culturais e lingüísticos nas (danças, músicas, teatros) nas comunidades em parceria com a escola.
  1. Línguas Indígenas em Ambiente Escolar
  • Contratar professores das escolas falantes da mesma língua de acordo com sua localização;
  • A alfabetização (oral e escrita) deve ser sempre na língua paterna ou materna e somente depois na língua Portuguesa;
  • Garantir no Projeto Político Pedagógico Indígena – PPPI e na Matriz Curricular disciplina “Línguas Indígenas” no ensino fundamental e médio;
  • Nos Ensino Médio Indígena: Assunção do Içana, Taracuá, Pari-Cachoeira, Yawarete, Querari e outros devem adotar o método “ensino via pesquisa” para que os alunos possam estar preparados para serem pesquisadores de suas próprias línguas ao terminarem o ensino médio;
  • As produções de Material Didático devem ser em línguas indígenas tanto para ser usado na alfabetização, no ensino fundamental e médio;
  • Escola da área Urbana de ensino Médio: Colégio São Gabriel, Marchesi, Ir. Inês Penha, IFAM deveriam incluir no seu PPP e no componente curricular as Línguas Indígenas para ajudar os estudantes no conhecimento, na valorização e manutenção das línguas na área urbana.
  • Formação Linguística para os Professores indígenas em suas respectivas línguas para atuarem como Professores de suas Línguas.

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PESQUISAS DE NOVAS TECNOLOGIAS SOCIOAMBIENTAIS PARA BEM VIVER: EXPERIÊNCIAS NAS COMUNIDADES BANIWA DO MÉDIO RIO IÇANA E AYARI

Destacado

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Inauguração de abastecimento de água na comunidade Santa Isabel do Rio Ayari por meio de tecnologia Carneiro Hidráulico – na terra indígena Alto Rio Negro

Juvêncio Cardoso (Dzoodzo)[1]

Adeilson Lopes – Ecólogo/ISA

O que vamos contar aqui é apenas parte das pesquisas e experiências que desenvolvemos na região do médio rio Içana e Ayari, dedicadas especificamente ao que chamamos de tecnologias socioambientais. Estas pesquisas visam prospectar, experimentar e/ou adaptar tecnologias que melhorem a qualidade de vida das pessoas nas comunidades. Nas terras indígenas do médio e alto rio negro habitam uma enorme população indígena. O Levantamento PGTA realizado por ISA/FOIRN/FUNAI em 2017 apontou mais de 5mil famílias de moradores, de maioria composta por crianças e jovens (70%), vivendo em cerca de 350 comunidades. Todas elas demandam, cada dia mais, tecnologias que sejam acessíveis economicamente, adaptadas às condições de pequenas comunidades imersas na extensa região coberta por florestas e que sejam apropriadas do ponto de vista ambiental e cultural para a população. As experiências aqui narradas são desenvolvidas por meio de iniciativas das comunidades, escolas e associações em parceria com a FOIRN e ISA.

Atualmente, duas linhas de pesquisa e experimentação vem sendo fortalecidas: 1) geração de energia elétrica; 2) abastecimento de água; e 3) construção em placa de taipa.

A geração de energia elétrica

A pesquisa de alternativas de geração de energia elétrica iniciou na escola Pamáali, desde 2002, quando foram instalados três tipos de fontes de geração para aumentar e melhorar sua matriz energética. Os modelos testados foram de motores movidos à combustível fósseis (gasolina e diesel), sistema fotovoltaico (placa solar e bateria) e sistema hidrocinético (micro-turbina movido pela água).

A experiência com motor movido à gasolina foi ótima, mas o custo de abastecimento e manutenção é caro. O motor que funciona com diesel foi adaptado, em 2009, ao sistema híbrido de biocombustível (ou seja, usando diesel e óleo de soja reciclado da cidade). Ele funcionou muito bem usando óleo de soja descartado de restaurantes. Porém, não conseguimos manter um sistema de coleta de óleo nas cidades de Manaus e São Gabriel para abastecer este motor. Assim, o sistema com óleo vegetal foi abandonado e o motor continuou funcionando com diesel.

A experiência com o sistema fotovoltaico foi mais efetiva e eficiente em termo de geração de energia, pois dependia basicamente do sol como fonte de alimentação. Mas, o difícil foi fazer a gestão adequada do sistema. No caso específico da escola, o consumo de energia era maior do que a gerada pelo painel e a falta de controle resultou em desgaste precoce das baterias, que duravam em média 1 ano.

Outras experiências particulares com sistema fotovoltaico apontam que o sistema é eficiente, quando se realiza uma boa gestão. Utilizando a energia dentro do limite gerado pelo painel. Um sistema composto de 2 painéis solares com duas baterias, por exemplo, utilizando um inversor de 500W, é suficiente para alimentar 4 lâmpadas de 18W no tempo de 4h/dia, uma TV pequena de 15” de 20W e um computador notebook. A vida útil das baterias nessa condição é de 3 anos.

No âmbito do Projeto Monitoramento Ambiental e Climático – PMAC, os coordenadores indígenas estão recebendo um kit de sistema fotovoltaico (um painel solar, duas baterias, 1 inversor e três lâmpadas de 12 V). O objetivo é apoiar as suas atividades de pesquisa para fornecer energia para iluminar seu local de trabalho, carregar tablet e computador notebook.

Ao final de 2011, com o apoio do Fundo de Micro-Projetos Mudanças Climáticas da CAFOD, pudemos dar início à instalação e aos testes de geradores hidrocinéticos na escola Pamáali. Foi uma experiência ímpar de eficiência, mas que durou por pouquíssimo tempo. Demorou pouco tempo devido ao local de instalação, pois a barragem de terra e o canal de alimentação do sistema foi tomado pela erosão, devido ao solo arenoso, obrigando a desativar o sistema. As microturbinas, 1 kVA e 0,5 kVA, foram remanejados para a comunidade de Nazaré, onde foram instaladas numa barragem de concreto já existente nesta comunidade. Funcionaram bem por alguns anos, gerando energia durante 24 horas com a força da água. Atualmente o sistema está desativado porque essas turbinas usam um controlador de carga que foi danificado e não possui reposição no Brasil. Essas turbinas foram importadas pelo ISA em 2008 do IMS-RERC–VSED (um consórcio de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias alternativas de geração de energia do Vietnam), portanto do outro lado do mundo. O modelo parece ser uma alternativa bem interessante entre as já experimentadas, e se aproxima do ideal de geração de energia limpa e de autonomia para as comunidades. Mas, sem um fornecimento da tecnologia e dos itens de manutenção a nível regional, não é possível aprofundar os testes.

Outro projeto “Roda d’água” está em incubação e poderá ser testado nos próximos anos. A ideia é que este projeto seja testado nos locais onde a correnteza (velocidade) da água é mais elevada, como é o caso de Nazaré, Tunuí, Escola Pamáali e Ucuqui Cachoeira. Outras comunidades possuem a ideia de testar roda d´água no igarapé, através de construção de pequena barragem para formar desnível e assim poder aproveitar a energia mecânica.

O quadro baixo mostra a atual situação de motor de geração de energia na região do Içana. Esses dados foram obtidos dos Resultados do Levantamento Socioambiental, a partir do Relatório de trabalho para elaboração dos PGTA do Alto e Médio Rio Negro. O que chama atenção nesse quadro é o número de geradores familiares.

Motor de luz na região do Rio Içana

Região Funcionando Quebrado Sem motor de luz Nº de geradores familiares
Ayari 3 1 12 36
Alto Içana 0 0 13 46
Baixo Içana 6 2 5 62
Médio Içana 12 1 8 56
Total 21 4 38 200

Fonte: ISA, FOIRN, FUNAI/ maio de 2017.

Outras fontes de energia na região do Içana

Região Comunidades Comunidades onde há outras fontes de energia
(%)
Ayari 16 3 19%
Alto Içana 13 9 69%
Baixo Içana 13 6 46%
Médio Içana 21 7 33%
Total 63 25

Fonte: ISA, FOIRN, FUNAI/ maio de 2017.

Abastecimento de água

Para bombeamento de água estamos testando duas tecnologias socioambientais: 1) Sistema Carneiro Hidráulico e; 2) Sistema com Placa Solar.

O sistema Carneiro Hidráulico requer uma pequena represa de água e bombeia a água que passa por ele sem a necessidade de usar motor ou queimar qualquer tipo de combustível. No ano de 2013 foram feitos os primeiros testes na escola Pamáali, aproveitando a represa que abastecia o laboratório de piscicultura.  No ano de 2014 o sistema foi consolidado e passou a abastecer as casas residenciais na comunidade/escola e a Casa da Pimenta Pamáali.

No ano de 2017, este modelo foi instalado na comunidade de Santa Isabel no rio Ayari, sob interesse e iniciativa da própria comunidade em parceria com ISA. O ponto de bombeamento, a fonte/represa, fica numa distância de 350m de ponto de instalação de caixas da água. A base de caixas é suspensa a uma altura de 3m. A partir desde ponto a água é distribuída para a comunidade. Este sistema abastece em torno de 4.500 litros/dia. Esse modelo vem sendo considerado ideal para as comunidades, pois o custo de funcionamento e manutenção muito baixo, apenas a substituição de algumas peças simples, que podem ser encontradas no comércio local. Outras comunidades já manifestaram interesse para implantar esse modelo.

O sistema de bombeamento de água movido com placa solar está sendo testado na Rede de Casas da Pimenta Baniwa. A experiência está na fase inicial de implementação. E espera-se que este se apresente como uma das alternativas possíveis a ser implementado nas comunidades.

No caso específico, este modelo está dando certo na comunidade de Ambaúba, médio rio Içana. E foi instalado em parceria com os pastores não-indígena que atuam na comunidade.

Construção com Placas de Taipa

Esta tecnologia surgiu durante o processo de elaboração do projeto arquitetônico das Casas da Pimenta Baniwa e a primeira oficina de formação sobre a técnica aconteceu na Escola Pamáali no ano de 2009. Foi proposta pelo arquiteto Almir de Oliveira (EAMAC/Arquitetura da Terra) como uma solução construtiva que reúne aspectos importantes em uma obra como: beleza, estabilidade, uso sustentável dos materiais de construção tradicionais baniwa (madeira e argila). Os baixos custos de construção são uma grande vantagem desta tecnologia.

A técnica básica consiste em montar painéis de madeira pré-moldados que são reunidos no formato da casa. O trabalho de montar as paredes de uma casa da pimenta, depois que os painéis estão prontos, não dura mais que um dia. Depois dos painéis montados é feito o barreamento, como tradicionalmente os baniwa já conhecem, e o acabamento da parede leva apenas 01 centímetro de uma mistura composta por: 5partes de areia, 3 partes de barro e 1 parte de cimento.

A primeira casa foi construída em Tunuí cachoeira e inaugurada em 2013, e de lá para cá a técnica vem sendo aperfeiçoada, resultando em casas com boa estabilidade e acabamento, sem uso de tijolo e usando pouco cimento. Neste momento já existem 04 casas construídas neste padrão no Içana (Tunuí, Pamáali, Ucuqui e Canadá) e outra está em início de obra na comunidade de Nazaré. Vários grupos de construtores baniwa vem ganhando experiência com esta tecnologia de construção e, futuramente, poderão aplicar estes conhecimentos em outros tipos de obras como escolas, residências particulares, pólos-base, dando mais autonomia para tocar obras nas comunidades da região.

Enfim, são algumas das experiências que desenvolvemos no âmbito pesquisa de novas tecnologias socioambientais para o bem viver. Com experiências aos poucos vão sendo testado e com a experiência vamos aprendendo. Outras áreas também precisam avançar, como: tecnologias para coleta e tratamento de lixo (que já se acumula nas comunidades), tecnologias para transporte coletivo ou individual que dispense ou reduza o consumo de gasolina e tecnologias de comunicação e de processamento de produtos das comunidades para a comercialização (desidratadores de frutas, por exemplo). Há muito o que avançar!

O que depende é interesse, a decisão e boa vontade da comunidade, das nossas escolas e associações. Se as nossas comunidades, escolas e associações não tiverem planejamento de como melhorar em termos de empregos de tecnologias socioambientais poucas coisas vamos avançar. Não podemos esperar que alguém vai fazer por nós, tudo cabe a nós próprio e sempre parceria com os nossos parceiros de longa data.

[1] Licenciado em Física Intercultural/IFAM-CSGC. Professor na Escola Municipal Indígena Tiradentes e Sala de extensão de ensino médio Canadá, rio Ayari. Coordenador de Coordenadoria das Associações Baniwa e Koripako da bacia do Rio Içana – CABC

AS DIFICULDADES DA SOCIEDADE DOMINANTE E A LUTA DOS POVOS INDÍGENAS

Destacado

Baseado na carta do 1º Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana entre 2992-1995, enviado para Jornal Kaaly para 2ª edição em 2018, segue editado sobre a dificuldade da sociedade envolvente em lhe dar com povos indígenas e suas lutas!OIBI final da assembléia na comunidade Tucumã

O Governo e Estado que gerem as suas histórias, os presentes e os futuros de sua nação e parte da sociedade dominante no Brasil continua não aceitando as nossas conquistas como povos indígenas e muitos políticos e exploradores continuam, com suas artimanhas para não respeitarem o nosso povo, mas de explorar nossos conhecimentos e riquezas das terras, lagos e rios. Contra qual precisamos ser firmes junto à defesa da nossa identidade, e que fique claro: a nossa luta é pelo respeito como ser humano e como povo, nada fora do que já é direito, pois temos nossos direitos conquistados como: terra, saúde, educação, e apoio a projetos de economia e desenvolvimento sustentável. Hoje estamos organizados de acordo com artigo 232 da Constituição Federal de 1988. Apesar disso o país, Governo e Estado brasileiro, políticos e sua sociedade se fazem de cego para não reconhecerem a constitucionalidade dos nossos direitos. Isto nos leva a crer que precisam conhecer para reconhecer, respeitar nossas organizações e nossos representantes, nossas organizações formais existentes são para promover nosso bem viver.

Os povos Baniwa e Koripako na cabeça do cachorro, no Alto Rio Negro, assim como demais povos, na sua história, ante da chagada de invasores e exploradores, estávamos nas nossas terras, em cada espaço a nos entregue pelo criador, por meio de nossos antepassados, respeitando limites de terra e Território de cada povo vizinho ou daqueles com quais nossos povos tiveram relação, transitando livremente com devidas licenças e autorização na nossa terra, com outros e entre os demais povos. Com avanços e chegada cada vez mais de exploradores, nosso povo, teve que aprender, para entender o que estava por vir e como deveríamos nos preparar e se organizar para defender nosso espaço, nossa Terra e Território e o nosso povo, por meios próprios de aprendizado tradicionais, escravidão que nos atravessou, e no início do século passado para cá, enfrentando cadeiras de escolas, para saber ler e escrever.

A pesar de toda história triste que o Estado Nacional Brasileiro promoveu contra os povos indígenas, o fato é que sempre contribuímos com o país e continuamos em defesa coletiva do nosso povo e da nossa terra-território milenar. Muitas lutas de resistência e estratégias. Nós conseguimos um capítulo específico de direito, artigos 231 e 232, na CF de 1988. Estes direitos nos garante amparo e reconhecem as nossas organizações próprias, nossas terras e cultura, costumes e tradição. Por isso as nossas organizações formais são legítimos, com processos próprios de constituir seus representantes legais eleitos em assembleias em nossas comunidades.

Precisamos levar mais conhecimentos para nosso próprio respeito na sociedade, pois isso é fundamental em longo prazo produzir respeito. Isto é para que nos respeitem, assim como respeitamos as sociedades dominantes, seus representantes, seus governos, seus modos de se organizarem para trabalhar junto com seus povos, suas nações em suas cidades, estados nacionais ou países.

Vejam que o mundo e sua sociedade buscam alternativas de saídas para crises de modo geral, e nós povos indígenas, podemos e quem sabe, sabemos, conhecemos e podemos ser a saída para os problemas que o mundo e sociedade passam nos dias de hoje. Por isso é fundamental continuarmos e nos firmarmos naquilo que temos, acreditando naquilo que é de melhor para nosso povo e outros povos, seres humanos, demonstrando que o mundo precisa agora do Bem Viver e Viver Bem que pode resumir práticas sustentáveis milenares dos povos indígenas no Brasil e no mundo.

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social do Bem Viver no noroeste da Amazônia Brasileira

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social vai acontecer na comunidade Tunui Cachoeira entre 21 a 24 de Setembro de 2016, na Terra Indígena Alto Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Os Baniwa e Koripakos estão organizados 83 comunidades e sítios, 11 associações, uma coordenadoria filiadas a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro, pertencentes a família linguística Aruak, são mais 6.200 pessoas no Brasil.

1 – Bem-Viver: reorganização social, patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental
Porque Conferência do povo Baniwa e Koripako? Esta é uma nomenclatura de evento com que se pretende diferenciar-se dos demais que vem se realizando como assembléias, encontros, seminários e oficinas nos últimos três décadas. É uma conferência autônoma para marcar que vai tratar de uma decisão do povo, neste caso, dos povos Baniwa e Koripako segundo Convenção 169 da OIT. Refere-se também para analisar o tempo, o processo que estes povos vêm desenvolvendo desde 1984, ou seja, nos últimos 32 anos no Rio Negro. O que aconteceu nesse período, ou melhor, o que o povo Baniwa e Koripako conquistou neste período?
A conferência vai avaliar como vem sendo reconstrução do seu Bem-Viver depois de contato com homens Brancos. O Bem Viver culturalmente ou tradicionalmente esse termo tem sido usado constantemente em suas assembléias, encontros, oficinas e etc se referindo aos seus projetos nos últimos tempos, mas também ela é de uso diário em suas vidas e em busca dela tem passado por meio dos seus projetos, atividades, programa e na organização social que vem desde primeira participação da I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do rio Negro em 1984.
A criação da primeira associação foi em 1989, extinta em 1999. A segunda associação foi criada em 1992, a partir da qual se organizou mais comunidades em associações. Em 2001 fez se primeira avaliação, avaliava se valia apena estar organizados em associação que foi bastante positiva. No ano de 2002 criou-se uma coordenadoria para melhorar trabalhos das associações. No ano 2014 criou-se Conselho Baniwa e Koripako Kaaly para cuidar da política e gestão do Patrimônio Cultural e forçou entendimento para que este ano em maio de 2016 aprovasse a criação de uma organização representativa.
Com a finalidade de efetivar esta decisão, esta conferência vai discutir e aprovar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako, com nome e eleger sua diretoria executiva que vai elaborar seu estatuto a ser discutido e aprovado em sua primeira assembléia geral. Por isso chamamos de reorganização social Baniwa e Koripako, por que apenas vai fortalecer as associações já existentes envolvendo-as junto nos assuntos maiores de interesse e objetivos do povo.
Esta organização representativa é muito importante para enfrentar os desafios do Patrimônio Cultural, desafios do desenvolvimento sustentável, desafios na implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e afluentes em elaboração. Ela será fundamental para discutir e definir as estratégias de sustentabilidade do povo Baniwa e Koripako.
Além disso, o protocolo de Consulta de consentimento prévio e informado será elaborado através desta organização representativa do povo Baniwa e Koripako como forma de proteção e garantir o bem-viver. Resolverá o principal problema – quem decide pelo povo Baniwa e Koripako? Esta será forma organizada e unificada de decisão das associações e comunidades que em conjunto representará decisões coletivas do povo Baniwa e Koripako.
A organização representativa do povo vem sendo discutido desde ano de 2011 na assembléia na comunidade Tunui Cachoeira. Tem sido a proposta a ser desenvolvido. Depois no ano seguinte na comunidade Castelo Branco no ano de 2012. Na oportunidade de Criação do Conselho também foi lembrado desta necessidade em 2014. Finalmente agora em Maio de 2016 foi aprovado na assembléia para criar esta associação representativa do povo Baniwa e Koripako sob entendimento da garantia da governança sobre território do Içana e afluentes considerando desafios em Patrimônio Cultural, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, alternativas econômicas, educação, saúde e de modo geral políticas públicas.

2 – Bem-Viver: ensino e aprendizagem nas escolas Baniwa e Koripako
Na década de 70 e 80 o povo Baniwa e Koripako sofreu invasão de suas terras com falsas promessas e exploração de suas riquezas principalmente nos garimpos de ouro que alterou negativamente a vida das comunidades no Içana e afluentes.
Contra invasão e seus impactos negativo, o povo Baniwa através de seus representantes na I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Rio Negro definiram a escolaridade do seu povo como meta em longo prazo a ser perseguido com objetivo de criar diálogo com não indígenas e não serem mais enganado. Esta decisão foi importante, pois na época em comparação com as outras regiões do Rio Negro que já tinham escolaridade avançada e os Baniwa e Koripako não tinham praticamente nada de escolaridade que fizesse ter entendimento melhor da sociedade nacional.
Foi a partir desta decisão política que se lutou para ter mais escolas nas comunidades Baniwa e Koripako, levar professores não falantes da língua Baniwa e Koripako de outras etnias a fim de lecionar nestas escolas. Mas não eram suficientes, aos poucos foram se organizando para conhecer melhor seus direitos quando se tomou decisão política de criar a sua própria escola em 1997. A escola própria começou a funcionar no ano de 2000. Este teve impacto político muito grande no poder público de modo que acelerou mais criação de mais escolas nas comunidades, escolas de ensino fundamental completo, ensino médio com anexos e na atualidade tem mais 4 escolas de ensino médio em processo de busca de reconhecimento no Estado do Amazonas.
A luta do povo Baniwa e Koripako na escolaridade teve virada junto com o novo milênio. Pela primeira vez se tinha professores em magistério indígena, daí vem tendo mais magistério II e III. Atualmente já se tem professores com graduação em cursos interculturais, outros em formação, precisando ainda formação no mestrado e doutorado, além de anualmente ter formaturas de estudantes no ensino fundamental completo e no ensino médio a partir do ano de 2012.
Nos lugares de professores que vinham sendo de outras etnias não falantes Baniwa e Koripako hoje são ocupadas pelos professores das próprias comunidades.
Quando se definiu adotar a escolaridade como um dos que podia ajudar o povo em sua defesa, garantia de melhoria de vida, viver bem, deveria ter sido a considerar os conhecimentos interculturais, que a escola indígena fosse feita na realidade de vida das comunidades que significava em linguagem oficial de escolas profissionalizantes.
A realização desta I Conferencia da educação e organização social do Povo Baniwa e Koripako são muito importantes porque além de reunir diversas personalidades de lideranças de associações, professores, técnicos em agente comunitário de saúde indígena, lideranças comunitárias, conhecedores da tradição e da cultura, mulheres manejadora do sistema agrícola tradicional Baniwa e Koripako Kaaly, vai levar a decisão política do povo reunido sobre novas diretrizes gerais para educação escolar indígena Baniwa e Koripako que promova melhoria e aperfeiçoamento de ensino e aprendizagem de estudantes nas comunidades e nas Escolas. Vai também colocar em prática a decisão da assembléia de Maio de 2016 em criar a organização representativa do povo Baniwa e Koripako.

Programação da I Conferência Baniwa e Koripako sobre educação e organização social para o Bem-Viver
21 a 24 de Setembro de 2016 na comunidade Tunui Cachoeira – Médio Içana

20 de Setembro de 2016
– chegada de participantes na comunidade Tunui Cachoeira;
– abertura a noite com apresentações culturais e discursos sobre expectativas;

21 de Setembro de 2016
Manhã
Palestra sobre temática do Bem-viver, cultura e o patrimônio cultural Baniwa e Koripako.
a) Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo, Thiago Pacheco, Francineia e Madalena;
b) Debatedores Jovens – Dario Casimiro, Plinio Marcos, Genilton Apolinario, Maria Lilane Fontes;
c) Debatedores Idosos da tradição – Fernando Jose, Julio Cardoso, Roberto Paiva, Pedro Francisco, Celestino Benjamim, Chico Davila.
d) Debates em públicos (questionamentos e esclarecimentos).

Almoço

Tarde
– GT para definição dos conceitos Baniwa e Koripako;
– Exposição dos trabalhos de Gts e a sua discussão de consenso;
– Resumo e aprovação dos conceitos

22 de Setembro de 2016
Manhã
Palestras sobre processo histórico da luta
– Os últimos 32 anos de Educação Baniwa e Koripako processo próprio de aprendizagem na educação escolar indígena.
Palestrantes: Andre Baniwa, Dzoodzo
Debatedores – Daniel Benjamim, Isaias Fontes, Horipio Pacheco, Madalena Paiva.

– Palestra sobre experiências Baniwa e Koripako em Desenvolvimento Local Sustentável e empreendedorismo;
Palestrantes: Dzoodzo, Joaozinho, Orlandino Fontes, Genilton Apolinario;
Debatedores: Isaias Fontes, Tadeu Garrido, Ronaldo Apolinario.

– Apresentação dos projetos de Pesquisa de Estudantes e proposta de trabalho da UNIB junto ao povo Baniwa (Estudantes Baniwa e professores UNB);

Tarde
– Relato de experiências de gestão escolar Baniwa e Koripako e sobre ensino e aprendizagem nas escolas (ensino fundamental completo e ensino médio – salas anexos); (Escola Pamãali, Escola Kayaakapali, Escola Eeno Hiepole, Escola Maadzero, Escola Kariama, Escola Barekeniwa)
– Palestra sobre panorama das escolas e ensino nas microrregiões de acordo com atuação dos APIs (Professor API Eliaque Dionisio, Dario Casimiro, Augusto Garcia, Horipio Pacheco, Hilario Fontes e Jaime Lopes);
– Organizar GTs para identificação de avanços, dificuldades e problemas enfrentada na educação escolar Baniwa e Koriako e elaboração das propostas para governos e organização própria.

23 de Setembro de 2016
Manhã
– Trabalho de Grupos de discussão das propostas de diretrizes gerais para escolas Baniwa e Koripako; gestão de educação próprio, do município e do Estado, e; reivindicações para melhoria da educação escolar indígena Baniwa e Koripako com Governo Municipal e com Governo do Estado do Amazonas;
– Apresentação sistematizada dos resultados dos Gts e discussão em plenário;

Almoço

Tarde
– Apresentação do documento final da Conferencia sobre educação escolar Baniwa e Koripako;
– Discussão e melhoria do documento;
– Leitura de documento traduzido em língua Baniwa, Koripako, Ñegatu/Nhengatu/Lingua Geral, Espanhol e Portuguesa
– Aprovação do documento final e assinatura.

24 de Setembro de 2016
Manhã
– Palestra sobre proposta de reorganização do povo Baniwa e Koripako aprovado na assembleia da Cabc
Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo;
Debatedores: os participantes

Almoço

Trade
– Apresentação do rascunho da proposta de estatuto.
– Gts para discussão, melhoria e aprovação da proposta.
– Eleição da Diretoria da organização representativa do povo Baniwa e Koripako;

– Noite: encerramento final com noite cultural

Por André Baniwa – Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)

Os Povos Baniwa e Koripako escolhem seus novos dirigentes no movimento indígena do Rio Negro

Eleição de Autogoverno Baniwa e Koripako 2016

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Por André Baniwa – Presidente da OIBI

Atualmente e a partir de direitos indígenas na Constituição de 1988 que incluiu direitos indígenas, os povos indígenas podem constituir governo próprio. O governo próprio dos povos indígenas é um termo usado também pela Fundação Getúlio Vargas. Artigo 232 é o que dá base legal para formação da associação para defender os interesses, objetivos e direitos indígenas no Brasil. A cada 4 anos uma associação troca seus diretores executivos aqui no Rio Negro segundo seus estatutos.

O povo Baniwa e Koripako já completam 25 anos de experiências de trabalho através das associações com alguns avanços muito importantes na educação, alternativas econômicas, divulgação do patrimônio cultural e etc… Nestes dias aconteceu assembleia da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako com objetivo de discutir seus desafios no campo do Patrimônio Cultural, Gestão Territorial e Ambiental da sua tradicional território na Terra Indígena Alto Rio Negro, demarcado e homologado em 1997 e 1998. Esta mesma assembleia também escolheu seu representante para próximos 4 anos na Diretoria Executiva da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. A Coordenadoria renovou sua diretoria também.

O atual Diretor-representante Baniwa e Koripako na Diretoria Executiva da FOIRN, o senhor Isaias Pereira Fontes foi reeleito. A renovação da Diretoria Executiva da CABC trouxe novidade. É pela primeira vez depois de 16 anos da criação da escola própria Baniwa e Koripako é que a maioria dos dirigentes serão os que tiveram formação na Escola Indígena Baniwa e Koripako – EIBC Pamáali. O coordenador será aquele considerado o mais treinado, que coordenará equipe (Juvêncio Cardoso – Coordenador, Dário Casimiro – Vice Coordenador, Helton Benjamim – Secretário e Plínio Marcos – Tesoureiro). O futuro coordenador foi um dos primeiros estudantes que se formaram no projeto próprio Baniwa de escola. Escola que vem sendo reconhecido aos poucos. No início deste ano de 2016 recebeu do MEC o reconhecimento como referencia na educação básica como escola de criatividade e inovação.

Os desafios e perspectivas feitos sobre Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako incluiu Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, Subsistemas Agrícolas do Rio Negro, Sistema Agrícola Baniwa e Koripako e Conselho Baniwa e Koripako Kaaly criado em 2014 como espaço de governança e que foram proferidos em forma de palestra pelo André Baniwa Presidente da Oibi – Associação Indígena da Bacia do Içana e Assistente da Coordenação Regional do Rio Negro – FUNAI. A Gestão Territorial e Ambiental também foi proferida pelo mesmo, pois é um dos Coordenadores na Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes.

O plenário da assembleia depois de discussões e esclarecimentos dentro deste contexto foi apresentado e aprovado às propostas para próximos anos de 2017-2020 que baseará Planos de Trabalhos da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

 

Planejamento do povo Baniwa e koripako na assembléia da CABC e da FOIRN na comunidade de Assunção do Içana

19 a 21 de Maio de 2016 na Maloca Madzerokai.

PARA PRÓXIMOS ANOS (2017-2020):

  1. Organização Social

– Criar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako com objetivo de fortalecer e melhorar desenvolvimento de atividades que promovam o bem-viver nas comunidades; reorganizar atividades regionais em forma de programas (incluindo no seu organograma  como educação, economia ou sustentabilidade, políticas públicas e etc);

– Fortalecer as associações Baniwa e Koripakos com projetos maiores;

– Cada associação Baniwa e Koripako deve avaliar seus processos de crescimento, dificuldades e refletir sobre suas experiências junto as suas comunidades associadas como processo de refortalecimento político;

– Compartilhar entre si as experiências de associações Baniwa e Koripako a fim de consolidar uma avaliação do povo sobre tempo de associação;

– Formação para lideranças indígenas sobre a política Baniwa e Koripako, sobre o movimento indígena do Rio Negro, do Amazonas, da Amazônia e dos Continentes; sobre Estado Brasileiro, direitos indígenas e modelos de desenvolvimentos dos Estados Nacionais; sobre diferentes metodologias de trabalhos coletivos; como elaborar planos, programas, projetos e atividades; refletir sobre as políticas públicas aos povos indígenas no Brasil;

– Escrever e publicar livros sobre experiências Baniwa e Koripako como processo de registro de histórias e formação de novas gerações e que possam ser utilizadas nas escolas Baniwa e Koripako;

 

  1. Patrimônio Cultural e Gestão Territorial e Ambiental

– Valorizar os lugares sagrados e mitológicos;

– Valorizar conhecimentos tradicionais (plantas medicinais, medicina tradicional e etc);

– Fortalecer e implantar o Conselho Kaaly;

– Promover os sistemas agrícolas tradicionais dos povos indígenas;

– Promover o sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Promover produtos indígenas Baniwa e Koripako;

– Divulgar Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako a sociedade Brasileira e fora dela;

– Criar Museu Baniwa e Koripako;

– Criar Centro de Referencia Cultural do Povo Baniwa e Koripako na cidade de São Gabriel da Cachoeira;

– Fazer intercâmbios entre Baniwas e Koripakos Brasileiros, Colombianos e Venezuelanos;

– Participar do Comitê Gestor do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro promovido e coordenado pelo IPHAN do Amazonas;

– Elaborar bem o Plano de Gestão e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Elaborar plano, programa, projetos e atividades de médio e em longo prazo;

– Fazer todo levantamento nas comunidades, sistematizar os dados, discutir resultados, elaborar documento do PGTA e publicar o resultado (Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Promover seminário para divulgação do Resultado de pesquisas no âmbito do PGTA e distribuição da publicação do PGTA;

– Associações Baniwa e Koripako farão oficinas para divulgação e educação sobre a importância do PGTA do Içana e Afluentes;

 

  1. Educação Escolar Baniwa e Koripako

– As escolas de ensino fundamental completo e de ensino médio convidarão lideranças indígenas dentro de suas programações a fim de proferir palestras aos estudantes e professores sobre patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental das terras indígenas e etc..

– As escolas farão revisão de seus PPPs a fim de incluir novos conceitos que aparecem no âmbito do Patrimônio Cultural e da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas;

– A CABC e FOIRN farão encontros de formação continuada aos professores, lideranças comunitárias e de associações como forma própria para fortalecer suas instituições e suas autoridades-representantes;

– As escolas continuarão fazer intercâmbios entre si como meio de aperfeiçoamento de suas pedagogias e processo próprio de aprendizagens;

– Os prédios escolares deverão ser priorizados nas reivindicações para que se garantam as suas construções no Içana e Afluentes;

– Lutar pela criação de 4 Escolas de Ensino Médio junto com Governo do Estado do Amazonas inicializado no ano de 2013 a partir de V Encontro de Baniwa e Koripako;

– Lutar mais pela formação em áreas em que não se tenha ainda a especialidade como para Advogado, Contabilista, Engenheiro Florestal, Odontologo, Enfermeiro e Médico.

 

  1. Economia Baniwa e Koripako

– Realizar encontro ou seminário sobre economia indígena Baniwa e Koripako a fim de aprofundar assuntos de geração de renda, produtos indígenas, receitas; discutir estratégias para consolidar a política e desenvolvimento da economia indígena;

– Retomar os trabalhos de produção e comercialização da cestaria de arumã;

– Ampliar e fortalecer a Rede de Casa da Pimenta Jiquitaia Baniwa no Içana e Afluentes;

– Fortalecer e promover os produtos do sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Pesquisar para desenvolvimento de novos produtos a serem experimentados no mercado consumidor como “Wará”;

– Ampliar e diversificar os produtos indígenas como meio de promover renda nas comunidades aos homens e mulheres Baniwa e Koripako;

– Discutir pagamentos por serviços ambientais e outras formas de geração de renda;

– Lutar pela isenção de produtos indígenas junto ao Governo do Estado do Amazonas;

 

  1. Saúde Indígena no Içana e Afluentes

– Valorizar e promover internamente a utilização da medicina tradicional e plantas medicinais;

– Apoiar e fortalecer os agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena;

– Lutar através de reivindicações a construções de Pólos Base de Camarão, Tunui Cachoeira,  São Joaquim e Canadá do Rio Ayari;

– Lutar através de reivindicações a melhoria do serviço permanente de saúde indígena nas comunidades indígenas;

– As associações, escolas, agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena farão mensalmente um relatório a ser enviado para CABC e FOIRN sobre funcionamento dos Pólos Base e serviços de saúde indígenas prestados nas comunidades;

– As comunidades e associações não devem esperar somente de conselheiros locais e regionais para informar a CABC e FOIRN sobre a saúde indígena nas comunidades;

– A CABC e FOIRN encaminharão as reivindicações das comunidades, associações para conhecimento e providencia de autoridades da saúde indígena no Içana;

 

  1. Infraestrutura, logística e tecnologia de informação e comunicação no Içana e Afluentes

– Discutir ou criar uma estrutura de organização da tecnologia de informação e comunicação implementando o meio de comunicação tradicional nas comunidades;

– As associações, escolas e ACIS junto com CABC encaminharão a necessidade de adquirir mais barcos para melhorar o transporte do Içana com Governo Municipal, do Estado e com Governo Federal.

– Lutar para equipar as escolas indígenas de ensino fundamental e médio com internet, biblioteca, videoteca e outros, junto com Governo Municipal, do Estado, Governo Federal e com projetos próprios.

– Lutar e cobrar da política publica a estruturação de transporte terrestre nos pontos estratégicos de difícil acesso (Tunui, Aracu Cachoeira-Matapi/Coracy Cachoeira);

– Organizar e melhorar o meio de comunicação nas comunidades e escolas para facilitar o acesso de informação para os comunitários.

 

 

 

 

 

Pimenta Baniwa na Conexão São Paulo-Biomas, realizado em SP

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Da esq à dir. Beto Ricardo/ISA, André/ATA, Júlia e André Baniwa/Pimenta Baniwa.                 Foto: reprodução 

Ontem, 16 de março, a Conexão São Paulo Biomas, realizado  no Mercado de Pinheiros em São Paulo reuniu representantes de experiências de 4 biomas brasileiras como a Amazônia, Cerrado, Pampas e Mata Atlântica.
A Conexão São Paulo – Biomas é  uma iniciativa do Instituto ATÁ em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Auá, a Central do Cerrado, o grupo Quintana e o Mocotó Café.
Representando a Bioma Amazônia, a Pimenta Baniwa e a cerâmica do Rio Negro foi apresentado  ao público, pelo presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), André Baniwa e a Júlia Fernando – gerente da Casa da Pimenta Tsitsiadoa, localizada nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira (AM).
“Na mesa de conversa falamos sobre a importância e o valor cultural da pimenta para o Povo Baniwa e dos povos indígenas do Rio Negro. Tenho certeza que muitos gostaram da nossa experiência”-disse André.
“No evento teve apresentação de  produtos e experiências desenvolvidas em cada biomas, que proporcionou o compartilhamento de  aprendizagens, dificuldades e problemas enfrentadas. muitos destes comuns entre as experiências apresentadas. Essa iniciativa segundo organizadores é inédita e esperamos que continue dando certo e mais pessoas possam também conhecer e gostar cada vez mais da nossa Pimenta Baniwa”, completa André.
A  inauguração da Conexão São Paulo – Biomas contou, além da cerâmica do Alto Rio Negro e a Pimenta Baniwao, com o Mel dos índios do Xingu e o especialíssimo óleo de pequi dessas populações indígenas, além da cerâmica dos Waujá e dos utensílios de cozinha dos índios Yudjá, que habitam o Parque Indígena do Xingu.A castanha do Pará e a farinha de mesocarpo de Babaçu, dos extrativistas da Terra do Meio  no Pará, e a farinha de mandioca caseira, a banana chips, a taiada e a rapadura, produzidas pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira.

MEC reconhece a Escola Pamáali como “instituição de referência para inovação e criatividade na educação básica do Brasil”

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A Escola Baniwa e Coripaco Pamáali recebeu no mês de janeiro deste ano, Certificado de reconhecimento como instituição de referência para Inovação e Criatividade na Educação  Básica, pelo Ministério da Educação – MEC.

Em ofício, a Equipe de Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC parabenizou a iniciativa: “Parabéns pelo trabalho realizado até agora, e continuem no caminho pela melhoria da qualidade de educação básica brasileira”.

O MEC também informou que, foi criado, através da Portaria 1.154 de 23 de dezembro de 2015, a Comissão de Orientação e Acompanhamento da Iniciativa Inovação e Criatividade na Educação Básica, que tem como  uma de suas atribuições, acompanhar o desenvolvimento organizações reconhecidas como inovadoras e criativas.

André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), um dos principais idealizadores do Projeto de Educação Escolar Baniwa e Coripaco, comemorou o reconhecimento: “Compartilhamos com todos, pois todos de uma forma e de outra são cooperadores uns mais intensivo e outros menos, mas igualmente queremos reconhecer e agradecer todo apoio que a Escola Baniwa e Coripaco – Pamáali vem recebendo para desenvolver suas experiencias que finalmente são reconhecidos pelo MEC, mesmo que sem recursos financeiros, mas é um sinal de que estamos no caminho certo, apesar de árdua”.

A escola Pamáali é resultado de um grande movimento das comunidades da região do Içana e afluentes organizadas em grandes encontros e assembleias coordenadas pela Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), desde 1992.

Implantada em 2000, sua missão é desenvolver a Formação dos cidadãos Baniwa e Coripaco, com metodologia de ensino-pesquisa participativo, com base nos princípios e valores interculturais para serem protagonistas no desenvolvimento sustentável de suas comunidades e na construção da Política de Educação Escolar Indígena no Rio Negro.

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Temos experiências para compartilhar com os nossos parentes Munduruku

Comemoração de 20 anos da FOIRN em Assunção do IçanaFoto: ACERVO OIBI

Comemoração de 20 anos da FOIRN em Assunção do IçanaFoto: ACERVO OIBI

No dia 22 ( a partir da tarde)  23 de setembro, será realizada um intercâmbio de experiência do Movimento Indígena no Rio Negro, na maloca da FOIRN, em São Gabriel da Cachoeira.

Entre as experiências dos povos do Rio Negro que serão conhecidas pelos Munduruku, será da  Organização Indígena da Bacia do Içana – OIBI, que vai contar  a experiência  de gestão, projetos Arte Baniwa, Escola Baniwa e Pimenta Baniwa.

André Fernando - Arte Baniwa

André Fernando – Arte Baniwa

A troca de experiências entre os Povos do Rio Negro com os representantes do povo Munduruku inclui ainda uma visita à Casa da Pimenta BaniwaTsitsiadoa na comunidade Yamado, próximo à São Gabriel da Cachoeira.

A troca de experiências entre povos indígenas fortalece as iniciativas, através de novos aprendizados a partir de conhecimento e compartilhamentos de histórias de luta, das dificuldades, dos desafios enfrentados e das conquistas.

(Informações a partir de publicação do André Baniwa- Presidente da OIBI).