REPÚDIO BANIWA A POLÍTICA DE ATAQUE RACISTA DO MEC SOBRE ESTÍMULO DA PRESENÇA INDÍGENA NAS UNIVERSIDADES

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Nós, o povo Baniwa, da família linguística Aruak, 6 mil pessoas, 85 comunidades e sítios indígenas Brasileiros, por meio de legítimos representantes lideranças, e seus parceiros, vimos a público REPUDIAR A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC), que, por meio da PORTARIA Nº 545, DE 16 DE JUNHO DE 2020, revoga a portaria Normativa MEC nº 13, de 11 de maio de 2016, que dispõe sobre a indução de Ações Afirmativas na Pós-Graduação, e dá outras providências.

Entendemos que esta é uma concretização do movimento contra direitos indígenas, processo de desconstrução de políticas indigenista do governo federal conquistadas pelos povos indígenas por meio de muitas lutas. Afirmamos e reafirmamos que dessa forma não nos resta entender que é uma medida desrespeitoso, preconceituoso, discriminador por parte do gestor de política do Estado Brasileiro, iniciando um processo de dissimulação que caminha para violação de nossos direitos específicos, combatendo-nos como se não fossemos cidadãos brasileiros, como se o Estado Nacional tentasse nos extirpar das universidades brasileiras.

Exigimos que o MPF e as autoridades defensoras dos direitos constitucionais tomem as devidas providências a respeito, já que a política nacional de cotas está amparada em um arcabouço jurídico já conquistado com luta, e a sua revogação fere o princípio constitucional do não-retrocesso social. Também demandamos que a sociedade e as universidades também se manifestem sobre essa revogação de um direito de acesso ao ensino superior dos povos indígenas do Brasil e das demais classes sociais menos favorecidas.

 

Baniwas e parceiros, 18 de Maio de 2020

 

André Fernando Baniwa – Diretor Vice Presidente da OIBI

Alfredo Feliciano – Diretor Tesoureiro da OIBI

Bonifácio José – Presidente da ACEP

Isaias Pereira Fontes – Diretor da FOIRN

Braulina Aurora – Mestrando da UNB

Francineia Fontes – Doutorando UFRJ

Raimundo Benjami – SETCOM/FOIRN

João Jackson Bezerra Vianna (UFES)

Elie Ghanem (Ceunir – USP)

Antônio Fernandes Góes Neto (Ceunir – USP)

Diana Pellegrini (Ceunir – USP)

Arlindo Baré (FEEC – Unicamp)

Stella Oswaldo Cruz Penido (Fiocruz documentarista)

Daniel Benjamim – Professor da Escola Maadzero

Dário Casimiro – Mestrando na UFAM

Abílio Quinça – Estudante UEA

Tatiana Baniwa – enfermeira no Içana

Marivelton Barroso – Presidente da FOIRN

Julia Bernstein (mestre pela UFMG e parceira da FOIRN)

Augusto Garcia – Mestre em Linguística, professor Baniwa

Adeilson Lopes – Ecólogo

Paulo Abati Professor e médico infectologista UNICAMP

Natalia Pimenta (ISA)

Juliana Radler (ISA)

Carla Dias (ISA)

Sully Sampaio, Antropólogo – Parceiro colaborador no território Baniwa

Ana Lúcia Pontes, Medica Sanitarista- Parceira colaboradora no território Baniwa

Luiza Garnelo Médica Sanitarista – Parceira colaboradora no território Baniwa

Hernane Santos Júnior, Enfermeiro – Parceiro colaborador no território Baniwa

REPÚDIO BANIWA A POLÍTICA DE ATAQUE RACISTA DO MEC SOBRE ESTÍMULO DA PRESENÇA INDÍGENA NAS UNIVERSIDADES

Nós, o povo Baniwa, da família linguística Aruak, 6 mil pessoas, 85 comunidades e sítios indígenas Brasileiros, por meio de legítimos representantes lideranças, e seus parceiros, vimos a público REPUDIAR A POLÍTICA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC), que, por meio da PORTARIA Nº 545, DE 16 DE JUNHO DE 2020, revoga a portaria Normativa MEC nº 13, de 11 de maio de 2016, que dispõe sobre a indução de Ações Afirmativas na Pós-Graduação, e dá outras providências.

Entendemos que esta é uma concretização do movimento contra direitos indígenas, processo de desconstrução de políticas indigenista do governo federal conquistadas pelos povos indígenas por meio de muitas lutas. Afirmamos e reafirmamos que dessa forma não nos resta entender que é uma medida desrespeitoso, preconceituoso, discriminador por parte do gestor de política do Estado Brasileiro, iniciando um processo de dissimulação que caminha para violação de nossos direitos específicos, combatendo-nos como se não fossemos cidadãos brasileiros, como se o Estado Nacional tentasse nos extirpar das universidades brasileiras.

Exigimos que o MPF e as autoridades defensoras dos direitos constitucionais tomem as devidas providências a respeito, já que a política nacional de cotas está amparada em um arcabouço jurídico já conquistado com luta, e a sua revogação fere o princípio constitucional do não-retrocesso social. Também demandamos que a sociedade e as universidades também se manifestem sobre essa revogação de um direito de acesso ao ensino superior dos povos indígenas do Brasil e das demais classes sociais menos favorecidas.

 

Baniwas e parceiros, 18 de Maio de 2020

 

André Fernando Baniwa – Diretor Vice Presidente da OIBI

Alfredo Feliciano – Diretor Tesoureiro da OIBI

Bonifácio José – Presidente da ACEP

Isaias Pereira Fontes – Diretor da FOIRN

Braulina Aurora – Mestrando da UNB

Francineia Fontes – Doutorando UFRJ

Raimundo Benjami – SETCOM/FOIRN

João Jackson Bezerra Vianna (UFES)

Elie Ghanem (Ceunir – USP)

Antônio Fernandes Góes Neto (Ceunir – USP)

Diana Pellegrini (Ceunir – USP)

Arlindo Baré (FEEC – Unicamp)

Stella Oswaldo Cruz Penido (Fiocruz documentarista)

Daniel Benjamim – Professor da Escola Maadzero

Dário Casimiro – Mestrando na UFAM

Abílio Quinça – Estudante UEA

Tatiana Baniwa – enfermeira no Içana

Marivelton Barroso – Presidente da FOIRN

Julia Bernstein (mestre pela UFMG e parceira da FOIRN)

Augusto Garcia – Mestre em Linguística, professor Baniwa

Adeilson Lopes – Ecólogo

Paulo Abati Professor e médico infectologista UNICAMP

Natalia Pimenta (ISA)

Juliana Radler (ISA)

Carla Dias (ISA)

Sully Sampaio, Antropólogo – Parceiro colaborador no território Baniwa

Ana Lúcia Pontes, Medica Sanitarista- Parceira colaboradora no território Baniwa

Luiza Garnelo Médica Sanitarista – Parceira colaboradora no território Baniwa

Hernane Santos Júnior, Enfermeiro – Parceiro colaborador no território Baniwa

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social do Bem Viver no noroeste da Amazônia Brasileira

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social vai acontecer na comunidade Tunui Cachoeira entre 21 a 24 de Setembro de 2016, na Terra Indígena Alto Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Os Baniwa e Koripakos estão organizados 83 comunidades e sítios, 11 associações, uma coordenadoria filiadas a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro, pertencentes a família linguística Aruak, são mais 6.200 pessoas no Brasil.

1 – Bem-Viver: reorganização social, patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental
Porque Conferência do povo Baniwa e Koripako? Esta é uma nomenclatura de evento com que se pretende diferenciar-se dos demais que vem se realizando como assembléias, encontros, seminários e oficinas nos últimos três décadas. É uma conferência autônoma para marcar que vai tratar de uma decisão do povo, neste caso, dos povos Baniwa e Koripako segundo Convenção 169 da OIT. Refere-se também para analisar o tempo, o processo que estes povos vêm desenvolvendo desde 1984, ou seja, nos últimos 32 anos no Rio Negro. O que aconteceu nesse período, ou melhor, o que o povo Baniwa e Koripako conquistou neste período?
A conferência vai avaliar como vem sendo reconstrução do seu Bem-Viver depois de contato com homens Brancos. O Bem Viver culturalmente ou tradicionalmente esse termo tem sido usado constantemente em suas assembléias, encontros, oficinas e etc se referindo aos seus projetos nos últimos tempos, mas também ela é de uso diário em suas vidas e em busca dela tem passado por meio dos seus projetos, atividades, programa e na organização social que vem desde primeira participação da I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do rio Negro em 1984.
A criação da primeira associação foi em 1989, extinta em 1999. A segunda associação foi criada em 1992, a partir da qual se organizou mais comunidades em associações. Em 2001 fez se primeira avaliação, avaliava se valia apena estar organizados em associação que foi bastante positiva. No ano de 2002 criou-se uma coordenadoria para melhorar trabalhos das associações. No ano 2014 criou-se Conselho Baniwa e Koripako Kaaly para cuidar da política e gestão do Patrimônio Cultural e forçou entendimento para que este ano em maio de 2016 aprovasse a criação de uma organização representativa.
Com a finalidade de efetivar esta decisão, esta conferência vai discutir e aprovar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako, com nome e eleger sua diretoria executiva que vai elaborar seu estatuto a ser discutido e aprovado em sua primeira assembléia geral. Por isso chamamos de reorganização social Baniwa e Koripako, por que apenas vai fortalecer as associações já existentes envolvendo-as junto nos assuntos maiores de interesse e objetivos do povo.
Esta organização representativa é muito importante para enfrentar os desafios do Patrimônio Cultural, desafios do desenvolvimento sustentável, desafios na implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e afluentes em elaboração. Ela será fundamental para discutir e definir as estratégias de sustentabilidade do povo Baniwa e Koripako.
Além disso, o protocolo de Consulta de consentimento prévio e informado será elaborado através desta organização representativa do povo Baniwa e Koripako como forma de proteção e garantir o bem-viver. Resolverá o principal problema – quem decide pelo povo Baniwa e Koripako? Esta será forma organizada e unificada de decisão das associações e comunidades que em conjunto representará decisões coletivas do povo Baniwa e Koripako.
A organização representativa do povo vem sendo discutido desde ano de 2011 na assembléia na comunidade Tunui Cachoeira. Tem sido a proposta a ser desenvolvido. Depois no ano seguinte na comunidade Castelo Branco no ano de 2012. Na oportunidade de Criação do Conselho também foi lembrado desta necessidade em 2014. Finalmente agora em Maio de 2016 foi aprovado na assembléia para criar esta associação representativa do povo Baniwa e Koripako sob entendimento da garantia da governança sobre território do Içana e afluentes considerando desafios em Patrimônio Cultural, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, alternativas econômicas, educação, saúde e de modo geral políticas públicas.

2 – Bem-Viver: ensino e aprendizagem nas escolas Baniwa e Koripako
Na década de 70 e 80 o povo Baniwa e Koripako sofreu invasão de suas terras com falsas promessas e exploração de suas riquezas principalmente nos garimpos de ouro que alterou negativamente a vida das comunidades no Içana e afluentes.
Contra invasão e seus impactos negativo, o povo Baniwa através de seus representantes na I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Rio Negro definiram a escolaridade do seu povo como meta em longo prazo a ser perseguido com objetivo de criar diálogo com não indígenas e não serem mais enganado. Esta decisão foi importante, pois na época em comparação com as outras regiões do Rio Negro que já tinham escolaridade avançada e os Baniwa e Koripako não tinham praticamente nada de escolaridade que fizesse ter entendimento melhor da sociedade nacional.
Foi a partir desta decisão política que se lutou para ter mais escolas nas comunidades Baniwa e Koripako, levar professores não falantes da língua Baniwa e Koripako de outras etnias a fim de lecionar nestas escolas. Mas não eram suficientes, aos poucos foram se organizando para conhecer melhor seus direitos quando se tomou decisão política de criar a sua própria escola em 1997. A escola própria começou a funcionar no ano de 2000. Este teve impacto político muito grande no poder público de modo que acelerou mais criação de mais escolas nas comunidades, escolas de ensino fundamental completo, ensino médio com anexos e na atualidade tem mais 4 escolas de ensino médio em processo de busca de reconhecimento no Estado do Amazonas.
A luta do povo Baniwa e Koripako na escolaridade teve virada junto com o novo milênio. Pela primeira vez se tinha professores em magistério indígena, daí vem tendo mais magistério II e III. Atualmente já se tem professores com graduação em cursos interculturais, outros em formação, precisando ainda formação no mestrado e doutorado, além de anualmente ter formaturas de estudantes no ensino fundamental completo e no ensino médio a partir do ano de 2012.
Nos lugares de professores que vinham sendo de outras etnias não falantes Baniwa e Koripako hoje são ocupadas pelos professores das próprias comunidades.
Quando se definiu adotar a escolaridade como um dos que podia ajudar o povo em sua defesa, garantia de melhoria de vida, viver bem, deveria ter sido a considerar os conhecimentos interculturais, que a escola indígena fosse feita na realidade de vida das comunidades que significava em linguagem oficial de escolas profissionalizantes.
A realização desta I Conferencia da educação e organização social do Povo Baniwa e Koripako são muito importantes porque além de reunir diversas personalidades de lideranças de associações, professores, técnicos em agente comunitário de saúde indígena, lideranças comunitárias, conhecedores da tradição e da cultura, mulheres manejadora do sistema agrícola tradicional Baniwa e Koripako Kaaly, vai levar a decisão política do povo reunido sobre novas diretrizes gerais para educação escolar indígena Baniwa e Koripako que promova melhoria e aperfeiçoamento de ensino e aprendizagem de estudantes nas comunidades e nas Escolas. Vai também colocar em prática a decisão da assembléia de Maio de 2016 em criar a organização representativa do povo Baniwa e Koripako.

Programação da I Conferência Baniwa e Koripako sobre educação e organização social para o Bem-Viver
21 a 24 de Setembro de 2016 na comunidade Tunui Cachoeira – Médio Içana

20 de Setembro de 2016
– chegada de participantes na comunidade Tunui Cachoeira;
– abertura a noite com apresentações culturais e discursos sobre expectativas;

21 de Setembro de 2016
Manhã
Palestra sobre temática do Bem-viver, cultura e o patrimônio cultural Baniwa e Koripako.
a) Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo, Thiago Pacheco, Francineia e Madalena;
b) Debatedores Jovens – Dario Casimiro, Plinio Marcos, Genilton Apolinario, Maria Lilane Fontes;
c) Debatedores Idosos da tradição – Fernando Jose, Julio Cardoso, Roberto Paiva, Pedro Francisco, Celestino Benjamim, Chico Davila.
d) Debates em públicos (questionamentos e esclarecimentos).

Almoço

Tarde
– GT para definição dos conceitos Baniwa e Koripako;
– Exposição dos trabalhos de Gts e a sua discussão de consenso;
– Resumo e aprovação dos conceitos

22 de Setembro de 2016
Manhã
Palestras sobre processo histórico da luta
– Os últimos 32 anos de Educação Baniwa e Koripako processo próprio de aprendizagem na educação escolar indígena.
Palestrantes: Andre Baniwa, Dzoodzo
Debatedores – Daniel Benjamim, Isaias Fontes, Horipio Pacheco, Madalena Paiva.

– Palestra sobre experiências Baniwa e Koripako em Desenvolvimento Local Sustentável e empreendedorismo;
Palestrantes: Dzoodzo, Joaozinho, Orlandino Fontes, Genilton Apolinario;
Debatedores: Isaias Fontes, Tadeu Garrido, Ronaldo Apolinario.

– Apresentação dos projetos de Pesquisa de Estudantes e proposta de trabalho da UNIB junto ao povo Baniwa (Estudantes Baniwa e professores UNB);

Tarde
– Relato de experiências de gestão escolar Baniwa e Koripako e sobre ensino e aprendizagem nas escolas (ensino fundamental completo e ensino médio – salas anexos); (Escola Pamãali, Escola Kayaakapali, Escola Eeno Hiepole, Escola Maadzero, Escola Kariama, Escola Barekeniwa)
– Palestra sobre panorama das escolas e ensino nas microrregiões de acordo com atuação dos APIs (Professor API Eliaque Dionisio, Dario Casimiro, Augusto Garcia, Horipio Pacheco, Hilario Fontes e Jaime Lopes);
– Organizar GTs para identificação de avanços, dificuldades e problemas enfrentada na educação escolar Baniwa e Koriako e elaboração das propostas para governos e organização própria.

23 de Setembro de 2016
Manhã
– Trabalho de Grupos de discussão das propostas de diretrizes gerais para escolas Baniwa e Koripako; gestão de educação próprio, do município e do Estado, e; reivindicações para melhoria da educação escolar indígena Baniwa e Koripako com Governo Municipal e com Governo do Estado do Amazonas;
– Apresentação sistematizada dos resultados dos Gts e discussão em plenário;

Almoço

Tarde
– Apresentação do documento final da Conferencia sobre educação escolar Baniwa e Koripako;
– Discussão e melhoria do documento;
– Leitura de documento traduzido em língua Baniwa, Koripako, Ñegatu/Nhengatu/Lingua Geral, Espanhol e Portuguesa
– Aprovação do documento final e assinatura.

24 de Setembro de 2016
Manhã
– Palestra sobre proposta de reorganização do povo Baniwa e Koripako aprovado na assembleia da Cabc
Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo;
Debatedores: os participantes

Almoço

Trade
– Apresentação do rascunho da proposta de estatuto.
– Gts para discussão, melhoria e aprovação da proposta.
– Eleição da Diretoria da organização representativa do povo Baniwa e Koripako;

– Noite: encerramento final com noite cultural

Por André Baniwa – Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)

Pimenta Baniwa na Conexão São Paulo-Biomas, realizado em SP

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Da esq à dir. Beto Ricardo/ISA, André/ATA, Júlia e André Baniwa/Pimenta Baniwa.                 Foto: reprodução 

Ontem, 16 de março, a Conexão São Paulo Biomas, realizado  no Mercado de Pinheiros em São Paulo reuniu representantes de experiências de 4 biomas brasileiras como a Amazônia, Cerrado, Pampas e Mata Atlântica.
A Conexão São Paulo – Biomas é  uma iniciativa do Instituto ATÁ em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Auá, a Central do Cerrado, o grupo Quintana e o Mocotó Café.
Representando a Bioma Amazônia, a Pimenta Baniwa e a cerâmica do Rio Negro foi apresentado  ao público, pelo presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), André Baniwa e a Júlia Fernando – gerente da Casa da Pimenta Tsitsiadoa, localizada nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira (AM).
“Na mesa de conversa falamos sobre a importância e o valor cultural da pimenta para o Povo Baniwa e dos povos indígenas do Rio Negro. Tenho certeza que muitos gostaram da nossa experiência”-disse André.
“No evento teve apresentação de  produtos e experiências desenvolvidas em cada biomas, que proporcionou o compartilhamento de  aprendizagens, dificuldades e problemas enfrentadas. muitos destes comuns entre as experiências apresentadas. Essa iniciativa segundo organizadores é inédita e esperamos que continue dando certo e mais pessoas possam também conhecer e gostar cada vez mais da nossa Pimenta Baniwa”, completa André.
A  inauguração da Conexão São Paulo – Biomas contou, além da cerâmica do Alto Rio Negro e a Pimenta Baniwao, com o Mel dos índios do Xingu e o especialíssimo óleo de pequi dessas populações indígenas, além da cerâmica dos Waujá e dos utensílios de cozinha dos índios Yudjá, que habitam o Parque Indígena do Xingu.A castanha do Pará e a farinha de mesocarpo de Babaçu, dos extrativistas da Terra do Meio  no Pará, e a farinha de mandioca caseira, a banana chips, a taiada e a rapadura, produzidas pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira.

MEC reconhece a Escola Pamáali como “instituição de referência para inovação e criatividade na educação básica do Brasil”

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A Escola Baniwa e Coripaco Pamáali recebeu no mês de janeiro deste ano, Certificado de reconhecimento como instituição de referência para Inovação e Criatividade na Educação  Básica, pelo Ministério da Educação – MEC.

Em ofício, a Equipe de Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC parabenizou a iniciativa: “Parabéns pelo trabalho realizado até agora, e continuem no caminho pela melhoria da qualidade de educação básica brasileira”.

O MEC também informou que, foi criado, através da Portaria 1.154 de 23 de dezembro de 2015, a Comissão de Orientação e Acompanhamento da Iniciativa Inovação e Criatividade na Educação Básica, que tem como  uma de suas atribuições, acompanhar o desenvolvimento organizações reconhecidas como inovadoras e criativas.

André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), um dos principais idealizadores do Projeto de Educação Escolar Baniwa e Coripaco, comemorou o reconhecimento: “Compartilhamos com todos, pois todos de uma forma e de outra são cooperadores uns mais intensivo e outros menos, mas igualmente queremos reconhecer e agradecer todo apoio que a Escola Baniwa e Coripaco – Pamáali vem recebendo para desenvolver suas experiencias que finalmente são reconhecidos pelo MEC, mesmo que sem recursos financeiros, mas é um sinal de que estamos no caminho certo, apesar de árdua”.

A escola Pamáali é resultado de um grande movimento das comunidades da região do Içana e afluentes organizadas em grandes encontros e assembleias coordenadas pela Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), desde 1992.

Implantada em 2000, sua missão é desenvolver a Formação dos cidadãos Baniwa e Coripaco, com metodologia de ensino-pesquisa participativo, com base nos princípios e valores interculturais para serem protagonistas no desenvolvimento sustentável de suas comunidades e na construção da Política de Educação Escolar Indígena no Rio Negro.

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Saber manejar no presente para garantir o futuro é o desafio, apontam os Povos Baniwa e Koripaco na oficina de elaboração do PGTA do Rio Içana e Afluentes

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

É a primeira vez que os Baniwa e Koripaco se reunem para pensar e escrever seu futuro com base nas experiências de contato, de trabalho e desejos. Ao final da oficina ficou claro o maior desafio na atualidade é saber manejar o mundo para garantir o futuro e bem viver para às futuras gerações.

A  I Oficina de elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da região do Içana e Afluentes, onde vivem os Baniwa e Coripaco, foi realizado entre 7 a 10 de outubro na comunidade Tunuí Cachoeira, Médio Içana.

O trabalho foi uma realização da parceria: CABC (Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco), FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), FUNAI (Fundação Nacional do Indígena/Coordenação Regional do Rio Negro) e ISA (Instituto Socioambiental).

Foram cerca de 140 participantes, representantes das comunidades localizadas nas calhas do baixo, médio e Alto Içana e os afluntes Aiarí e Cuairaí. Entre estes, professores, estudantes, conhecedores tradicionais, mulheres e crianças.

Na abertura da oficina,  foi ressaltado que a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI – Decreto 7.747/2012) da qual os PGTAs são instrumentos de implementação é uma conquista dos povos indígenas.

” É um instrumento muito importante para discutirmos os desafios atuais e planejar o nosso futuro, que tem como principal conteúdo ações importantes e necessárias para o nosso bem viver no nosso território” – disse Isaias Fontes, Vice Presidente da FOIRN.

A primeira atividade da oficina foi uma palestra sobre os 7 eixos da PNGATI e seus objetivos, com a proposta de ampliar o entendimento e compreensão dessa política pelos participantes. O trabalho de levantamento de desafios enfrentados pelos Baniwa e Koripaco, foi feito em grupos de trabalhos organizados por microregião do Içana (baixo Içana, Médio Içana I e II, Alto Içana Aiarí – e mais dois grupos de jovens).

Outra atividade feita foi o mapeamento das territorialidades de cada comunidade, como área de uso e áreas de uso compartilhado, que também identificou recursos florestais, pesqueiros e outros pontenciais que poderão ser aproveitados em projetos de geração de renda. As áreas de atuação e abrangência das associações de base foram identificados nos mapas.

Os temas prioritários definidos na oficina foram: Manejo de Recursos florestais e pesqueiros, Lixo e poluição, Saúde, Patrimônios Culturais, Transporte e meios de comunicação, Economia indígena e geração de renda, Proteção e promoção de Patrimônio culturais e patrimônios genéticos associados à biodiversidade e Organização social e religiosa.

Os próximos passos da construção desse plano já estar definido. Grupos de trabalhos irão atuar nas microregiões para aprofundar com as comunidades as informações e os dados levantados na oficina. E a coordenação da elaboração do plano irá sistematizar e processar os dados para a próxima oficina prevista para ano que vem.

Governança do Território Baniwa e Koripaco

André Fernando, fez uma palestra sobre o Conselho Kaali, criado em 2014 durante a V Assembleia da CABC com a proposta de ser um espaço de discussão e deliberação de assuntos estratégicos e de interesse dos povos Baniwa e Koripaco.

” O Conselho Kaali será um espaço de governança do nosso território, onde iremos discutir e definir ações prioritárias de interesse do nosso povo” – disse André, que é membro da comissão de organização e sistematização do processo de formação do Conselho Kaali.

O PGTA do Rio Içana e Afluentes ou Baniwa e Koripaco será um instrumento de planejamento e implementação das ações recomendadas pelo Conselho Kaali, que deverão ser desenvolvidas pelas associações de base de cada microregião.

O território conhecido atualmente como ” Bacia do Içana” ou ” Rio Içana e Afluentes” é  ocupado tradicionalmente pelos Baniwa e Koripaco, desde a origem em Wapuí Cachoeira (alto Aiarí) e herdado pelo próprio criador Ñapirikoli aos clãs Waliperidakenai, Hohodeni, Dzawinai e outros que fazem parte. O conhecimento sobre essa territorialidade tradicional é mantido e transmitido de geração a geração.

Atualmente, na região do Içana existem cerca de 10 associações de base, uma coordenadoria regional, associações de escola, conselheiros de saúde e entre outros. A proposta do Conselho Kaali é fortalecer essas representações.