PRESENÇA BANIWA NAS UNIVERSIDADES E SEUS DESAFIOS

Destacado

Baniwa nas universidadesFrancineia B. Fontes

Doutoranda e Mestre em Antropologia Social na UFRJ/MN

Braulina Aurora Hipamaale

Mestranda em Antropologia Social na UNB

 

Contexto de nossos direitos e desafios como povo Baniwa

É de conhecimento geral que o processo de inclusão social da diversidade étnica‐racial da população no Brasil foi iniciado no âmbito das políticas indigenistas segundo uma concepção assimilacionista. Foi através da luta pelo acesso à universidade de forma diferenciada no contexto pós‐Constituição de 1988, quando os direitos originários dos povos indígenas são reconhecidos, que a perspectiva da inclusão com respeito às diferenças deu seus primeiros passos, assumindo, posteriormente, a forma de políticas de ação afirmativa nas universidades ou cotas raciais. Porém, cada instituição adotou de forma diferente o direito de acesso da diversidade à universidade. As categorias identitárias adotadas foram, em particular, as de “baixa renda”, “negro”, “pardos” e “indígenas”.  De acordo com SILVA et al (2006) as políticas públicas voltadas para as populações indígenas estiveram pautadas por séculos pela perspectiva integracionista e tutelar, que visa se conduzir dentro de parâmetros “evolucionistas”.

Nós Medzeniakonai, diferente de outros povos indígenas do Brasil, somos um dos povos que está caminhando na iniciação na formação de profissionais, pois as políticas públicas quase não chegam as nossas comunidades.

Nos 25 anos da nossa organização social enquanto povo Baniwa, temos alcançados, programas de formação significativos, de forma que hoje temos professores falantes na nossa língua dentro das salas de aula, ensinando nossas crianças e jovens.

Mas quando olhamos para outras formações, estamos começando a nos interessar, temos professores e vários técnicos formados, mas ainda muito a desejar se queremos serviços de qualidade na área de educação, saúde e sustentabilidade na nossa região.

Numa rápida busca por parentes nas universidades, a surpresa foi grande, pois há 10 anos, não tínhamos esses dados. Vejam na no mapa.   E para nossa alegria temos jovens de várias comunidades do rio Içana e rio Ayari, em formação, perguntei suas comunidades origens e seus clãs. Poucos tiveram disponibilidade para rápida resposta, a ideia do contato é fazer rede de profissionais baniwa em formação.

Acesso a universidade públicas é desafiador, na I – Conferência dos Baniwa, realizada em Tunuí Cachoeira em 2016, recordo-me de ter socializado informação sobre o vestibular da UnB, UFScar e Cursos.

 O acesso a formação intercultural, também foi um avanço, mas necessitamos de outros profissionais, que com a implantação do campus federal no município, possamos sonhar nessa possibilidade.

Temos poucos parentes na pós-graduação, e nós mulheres somos muito pouco ainda, algo que deve ser incentivada, na época das nossas mães poucas tiveram acesso à escola, temos professoras mulheres que chegaram a se formar, por que tiveram apoio de suas famílias, como as professoras Nazária, Madalena, Marcinda, Lindalva. E nos perguntamos por que outras não conseguiram, foi por falta de oportunidade? (Seria bom fazer histórico dos homens).

Atualmente, para se manter nas universidades é possível, tem bolsa permanência do governo federal, tem PROUNI para acessar universidades particulares, mas há necessidade de ter apoio das comunidades e familiares para se sentir como parte desse projeto de formação de profissionais. Atualmente neste governo estes meios de acesso estão ameaçadas.

Pode ser que tem mais parentes nas universidades, mas desconheço quem são, talvez, podem ser nossos irmãos, primos, netos ou bisnetos de vocês, mas quando se trata de identidade nem todos se assumem como Baniwa, que é um dos grandes desafios de se reconhecer como tal, por desconhecer história de luta.

O retorno de profissionais as comunidades indígenas, é outro desafio que necessita de um olhar diferenciado ou especifico, pois na maioria das vezes, o profissional em formação se torna um estranho para seu povo ou comunidade, a parti de momento que não mantém vinculo e que as adaptações são necessárias, para dar oportunidade de recebê-los de volta.

Nossa presença nas universidades

A presença indígena nas universidades é um assunto que rende muitas discussões e estudos. Suscita “esperanças” em várias áreas de conhecimentos. Avesso dessa política, a tradição intelectual indígena, de ver, de pensar, de organizar, de enxergar o mundo, de relacionar, perceber as mudanças de tempo e sociais, estão ancorados numa outra epistemologia que não é aquela que aprendemos nas escolas e nas universidades convencionais.

Da mesma forma como a Ciência, os sistemas de conhecimentos indígenas são tão complexos, e tem como fio condutores a cosmologia e a cosmopolítica, que são transmitidos de maneira organizados como teorias de conhecimento, no espaço e no tempo específico, às crianças e jovens indígenas direta e indiretamente pelos seus pais, mães, avos.

Apesar dessa carga de conhecimentos aprendidos no seio de sua sociedade, nós estudantes indígenas no universo da universidade, maiorias das vezes somos tratados como sujeitos de “tábula rasa”, que estão sempre no pólo de aprendizes, carentes de conceitos e sem epistemologia própria.

O ponto de partida é: existe a possiblidade de “transgressão” de alunos indígenas para construção de pensamento “nativo”, mesmo estando na estrutura de universidade? E, será possível aprender a filosofia indígena, utilizando os métodos científicos como instrumentos de sistematização dos conhecimentos indígenas?

Para começar, nós indígenas temos que estar ciente de que a escola e a universidade não são espaços próprios de produção de pensamento e práticas indígenas. Sendo assim, não formará operadores do pensamento indígena como os (pajés), que são especialidades vitais para as sociedades indígenas, que possui o papel de produzir, acumular, transmitir e disseminar conhecimentos e formar novos especialistas, como é o caso do Rio Negro.

Por outro lado, a universidade pode oportunizar a pensar o pensamento indígena, na medida em que os mecanismos e métodos científicos podem servir como instrumentos para compreender as cosmologias e produzir os conceitos propriamente “nativos” possibilitando um diálogo simétrico entre os modelos de conhecimentos. Mas, para isso acontecer é necessário, nós (indígenas), ter bastante clareza e consciência de que o simples ingresso na universidade, não assegura colocar nossa epistemologia, nossas ideias em pauta na sala de aula e nos Programas de Pós-Graduação.

A natureza da epistemologia indígena

Existe interesse muito grande de especialistas indígenas (pajés) traduzirem os conhecimentos através de escrita, com esforço enorme de traduzir as cosmologias ou ontologias. A Coleção de narradores do Rio Negro e a Queda do Céu, são exemplos de obras que expõe o sistema de conhecimento indígena via escrita.

O desejo dos autores parece ser destacar o pensamento e sua complexidade, isto é, as bases filosóficos e ontológicos dos conhecimentos indígenas. O fio condutor é considerar que o cosmo é habitado por humanos, onde estão conectados num sistema de relação de interdependência. Cada categoria de humanos, tem seu tipo específico de conhecimento, de perceber o mundo, de intervir entre si, e atuar indistintamente.

As relações entre os humanos e os humanos de diferentes domínios do cosmo se fundamenta no intercâmbio recíproco de vitalidade. Um dos ingredientes dessa relação é o conflito. Se o intercâmbio for violado, pode provocar vingança por uma das partes, causando mortes. Para isso, os especialistas (pajés) aparecem como os principais intermediadores de comunicação entre diferentes humanos de diferentes espaços e domínios/ambientes do cosmo. A construção de uma relação cosmo política é uma necessidade imprescindível do ponto de vista desses autores.

Na mesma linha de interesse, muitos estudantes indígenas pesquisadores, já desenvolveram estudos sobre suas cosmologias, tomando seus pais, ou membros do seu grupo social como informantes. Mas percebe-se que a produção de dissertações ou teses, muitos deles estão balizadas pelos conceitos de sociedade, cultura, religião, identidade, magia, sistema de parentescos, que são noções compartilhadas com a academia, a exemplo de pesquisadores não nativos.

Reinventando os métodos científicos, é possível calcar das análises mitologias aos conceitos e categorias indígenas produzindo pensamento com linguagem capaz de abrir um diálogo simétrico com a ciência. Assim a Universidade pode oportuniza pensar o pensamento.

Mas, para universidade, isso implica repensar o modelo e suas estruturas, isto é, não somente pensar no sentido de “facilitar” a entrada de indígenas, mas de criar mecanismos que estimule melhor “explorar” o pensamento indígena. Tal esforço significa formar jovens estudantes indígenas capazes de refletir seus pensamentos, sobretudo os programas de Pós-graduação.

Os especialistas indígenas são eternos pensadores, sentados individualmente ou coletiva, analisam as alterações sociais, conflitos, intrigas, discussões desintegrações dos grupos, saídas das famílias do lugar, mudanças nos sistemas de casamentos. Analisam as influências externas como músicas, educação, empregos, influência de bebida alcoólicas e seus efeitos. Desintegração de sistema de tratamentos pessoais e nominais. Apontam o desinteresse dos jovens indígenas em aprender seus próprios conhecimentos. Analisam as mudanças de tempo, do desiquilíbrio de bio-indicadores, do excesso de chuva, da cheia, excesso da seca, escassez de peixes e da caça. Excesso de raios e trovoadas, dos surtos de doenças, das picadas de cobras, dos acidentes fatais.  Preocupados, entram em ação colocando em operação os seus conhecimentos de benzimentos para mitigar os problemas. Enfim, hoje as universidades estão dispostas a discutir e nos ouvir mais, e assim pensar coletivamente o que nós queremos.

Consideração

O resultado da interação entre pesquisadores e pesquisados, num exercício de reflexividade mostrou que a natureza dos conhecimentos, pertencem aos domínios distintos. Isto significa que para traduzir os conhecimentos indígenas é necessário buscar outros termos, e descolonizar o pensamento para melhor mergulhar nos nossos conhecimentos, distanciando dos conceitos euro-ameríndios.

Enfim, temos que assumir que nós, estudantes indígenas, o que estamos fazendo dentro das universidades não é mesmo para nos formar especialistas ao nosso modelo tradicional. O que estamos fazendo é outra coisa, mas não podemos cair nas armadilhas de traduzir nossos conhecimentos de forma simplório e ao reducionismo cientifico. Creio que traduzir as palavras, seja diferente de traduzir o pensamento.

Foirn e Funai lançam Abril Cultural Indígena 2017 na maloca em São Gabriel da Cachoeira/Am

Com o tema “Rio Negro, Somos nós que fazemos”, o Abril Cultural Indígena 2017 será aberto oficialmente nesta sexta-feira, 07/04, às 19h30, no Casa do Saber maloca da FOIRN, localizado na Avenida Álvaro Maia, nº 79, centro de São Gabriel da Cachoeira – AM. O evento é organizado pela Federação das Organizações Indígenas do rio […]

via Foirn e Funai lançam Abril Cultural Indígena 2017 nesta sexta-feira, 07/04 — Terra e Cultura

Os Povos Baniwa e Koripako escolhem seus novos dirigentes no movimento indígena do Rio Negro

Eleição de Autogoverno Baniwa e Koripako 2016

P1130145.JPG

Por André Baniwa – Presidente da OIBI

Atualmente e a partir de direitos indígenas na Constituição de 1988 que incluiu direitos indígenas, os povos indígenas podem constituir governo próprio. O governo próprio dos povos indígenas é um termo usado também pela Fundação Getúlio Vargas. Artigo 232 é o que dá base legal para formação da associação para defender os interesses, objetivos e direitos indígenas no Brasil. A cada 4 anos uma associação troca seus diretores executivos aqui no Rio Negro segundo seus estatutos.

O povo Baniwa e Koripako já completam 25 anos de experiências de trabalho através das associações com alguns avanços muito importantes na educação, alternativas econômicas, divulgação do patrimônio cultural e etc… Nestes dias aconteceu assembleia da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako com objetivo de discutir seus desafios no campo do Patrimônio Cultural, Gestão Territorial e Ambiental da sua tradicional território na Terra Indígena Alto Rio Negro, demarcado e homologado em 1997 e 1998. Esta mesma assembleia também escolheu seu representante para próximos 4 anos na Diretoria Executiva da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. A Coordenadoria renovou sua diretoria também.

O atual Diretor-representante Baniwa e Koripako na Diretoria Executiva da FOIRN, o senhor Isaias Pereira Fontes foi reeleito. A renovação da Diretoria Executiva da CABC trouxe novidade. É pela primeira vez depois de 16 anos da criação da escola própria Baniwa e Koripako é que a maioria dos dirigentes serão os que tiveram formação na Escola Indígena Baniwa e Koripako – EIBC Pamáali. O coordenador será aquele considerado o mais treinado, que coordenará equipe (Juvêncio Cardoso – Coordenador, Dário Casimiro – Vice Coordenador, Helton Benjamim – Secretário e Plínio Marcos – Tesoureiro). O futuro coordenador foi um dos primeiros estudantes que se formaram no projeto próprio Baniwa de escola. Escola que vem sendo reconhecido aos poucos. No início deste ano de 2016 recebeu do MEC o reconhecimento como referencia na educação básica como escola de criatividade e inovação.

Os desafios e perspectivas feitos sobre Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako incluiu Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, Subsistemas Agrícolas do Rio Negro, Sistema Agrícola Baniwa e Koripako e Conselho Baniwa e Koripako Kaaly criado em 2014 como espaço de governança e que foram proferidos em forma de palestra pelo André Baniwa Presidente da Oibi – Associação Indígena da Bacia do Içana e Assistente da Coordenação Regional do Rio Negro – FUNAI. A Gestão Territorial e Ambiental também foi proferida pelo mesmo, pois é um dos Coordenadores na Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes.

O plenário da assembleia depois de discussões e esclarecimentos dentro deste contexto foi apresentado e aprovado às propostas para próximos anos de 2017-2020 que baseará Planos de Trabalhos da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

 

Planejamento do povo Baniwa e koripako na assembléia da CABC e da FOIRN na comunidade de Assunção do Içana

19 a 21 de Maio de 2016 na Maloca Madzerokai.

PARA PRÓXIMOS ANOS (2017-2020):

  1. Organização Social

– Criar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako com objetivo de fortalecer e melhorar desenvolvimento de atividades que promovam o bem-viver nas comunidades; reorganizar atividades regionais em forma de programas (incluindo no seu organograma  como educação, economia ou sustentabilidade, políticas públicas e etc);

– Fortalecer as associações Baniwa e Koripakos com projetos maiores;

– Cada associação Baniwa e Koripako deve avaliar seus processos de crescimento, dificuldades e refletir sobre suas experiências junto as suas comunidades associadas como processo de refortalecimento político;

– Compartilhar entre si as experiências de associações Baniwa e Koripako a fim de consolidar uma avaliação do povo sobre tempo de associação;

– Formação para lideranças indígenas sobre a política Baniwa e Koripako, sobre o movimento indígena do Rio Negro, do Amazonas, da Amazônia e dos Continentes; sobre Estado Brasileiro, direitos indígenas e modelos de desenvolvimentos dos Estados Nacionais; sobre diferentes metodologias de trabalhos coletivos; como elaborar planos, programas, projetos e atividades; refletir sobre as políticas públicas aos povos indígenas no Brasil;

– Escrever e publicar livros sobre experiências Baniwa e Koripako como processo de registro de histórias e formação de novas gerações e que possam ser utilizadas nas escolas Baniwa e Koripako;

 

  1. Patrimônio Cultural e Gestão Territorial e Ambiental

– Valorizar os lugares sagrados e mitológicos;

– Valorizar conhecimentos tradicionais (plantas medicinais, medicina tradicional e etc);

– Fortalecer e implantar o Conselho Kaaly;

– Promover os sistemas agrícolas tradicionais dos povos indígenas;

– Promover o sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Promover produtos indígenas Baniwa e Koripako;

– Divulgar Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako a sociedade Brasileira e fora dela;

– Criar Museu Baniwa e Koripako;

– Criar Centro de Referencia Cultural do Povo Baniwa e Koripako na cidade de São Gabriel da Cachoeira;

– Fazer intercâmbios entre Baniwas e Koripakos Brasileiros, Colombianos e Venezuelanos;

– Participar do Comitê Gestor do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro promovido e coordenado pelo IPHAN do Amazonas;

– Elaborar bem o Plano de Gestão e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Elaborar plano, programa, projetos e atividades de médio e em longo prazo;

– Fazer todo levantamento nas comunidades, sistematizar os dados, discutir resultados, elaborar documento do PGTA e publicar o resultado (Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Promover seminário para divulgação do Resultado de pesquisas no âmbito do PGTA e distribuição da publicação do PGTA;

– Associações Baniwa e Koripako farão oficinas para divulgação e educação sobre a importância do PGTA do Içana e Afluentes;

 

  1. Educação Escolar Baniwa e Koripako

– As escolas de ensino fundamental completo e de ensino médio convidarão lideranças indígenas dentro de suas programações a fim de proferir palestras aos estudantes e professores sobre patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental das terras indígenas e etc..

– As escolas farão revisão de seus PPPs a fim de incluir novos conceitos que aparecem no âmbito do Patrimônio Cultural e da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas;

– A CABC e FOIRN farão encontros de formação continuada aos professores, lideranças comunitárias e de associações como forma própria para fortalecer suas instituições e suas autoridades-representantes;

– As escolas continuarão fazer intercâmbios entre si como meio de aperfeiçoamento de suas pedagogias e processo próprio de aprendizagens;

– Os prédios escolares deverão ser priorizados nas reivindicações para que se garantam as suas construções no Içana e Afluentes;

– Lutar pela criação de 4 Escolas de Ensino Médio junto com Governo do Estado do Amazonas inicializado no ano de 2013 a partir de V Encontro de Baniwa e Koripako;

– Lutar mais pela formação em áreas em que não se tenha ainda a especialidade como para Advogado, Contabilista, Engenheiro Florestal, Odontologo, Enfermeiro e Médico.

 

  1. Economia Baniwa e Koripako

– Realizar encontro ou seminário sobre economia indígena Baniwa e Koripako a fim de aprofundar assuntos de geração de renda, produtos indígenas, receitas; discutir estratégias para consolidar a política e desenvolvimento da economia indígena;

– Retomar os trabalhos de produção e comercialização da cestaria de arumã;

– Ampliar e fortalecer a Rede de Casa da Pimenta Jiquitaia Baniwa no Içana e Afluentes;

– Fortalecer e promover os produtos do sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Pesquisar para desenvolvimento de novos produtos a serem experimentados no mercado consumidor como “Wará”;

– Ampliar e diversificar os produtos indígenas como meio de promover renda nas comunidades aos homens e mulheres Baniwa e Koripako;

– Discutir pagamentos por serviços ambientais e outras formas de geração de renda;

– Lutar pela isenção de produtos indígenas junto ao Governo do Estado do Amazonas;

 

  1. Saúde Indígena no Içana e Afluentes

– Valorizar e promover internamente a utilização da medicina tradicional e plantas medicinais;

– Apoiar e fortalecer os agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena;

– Lutar através de reivindicações a construções de Pólos Base de Camarão, Tunui Cachoeira,  São Joaquim e Canadá do Rio Ayari;

– Lutar através de reivindicações a melhoria do serviço permanente de saúde indígena nas comunidades indígenas;

– As associações, escolas, agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena farão mensalmente um relatório a ser enviado para CABC e FOIRN sobre funcionamento dos Pólos Base e serviços de saúde indígenas prestados nas comunidades;

– As comunidades e associações não devem esperar somente de conselheiros locais e regionais para informar a CABC e FOIRN sobre a saúde indígena nas comunidades;

– A CABC e FOIRN encaminharão as reivindicações das comunidades, associações para conhecimento e providencia de autoridades da saúde indígena no Içana;

 

  1. Infraestrutura, logística e tecnologia de informação e comunicação no Içana e Afluentes

– Discutir ou criar uma estrutura de organização da tecnologia de informação e comunicação implementando o meio de comunicação tradicional nas comunidades;

– As associações, escolas e ACIS junto com CABC encaminharão a necessidade de adquirir mais barcos para melhorar o transporte do Içana com Governo Municipal, do Estado e com Governo Federal.

– Lutar para equipar as escolas indígenas de ensino fundamental e médio com internet, biblioteca, videoteca e outros, junto com Governo Municipal, do Estado, Governo Federal e com projetos próprios.

– Lutar e cobrar da política publica a estruturação de transporte terrestre nos pontos estratégicos de difícil acesso (Tunui, Aracu Cachoeira-Matapi/Coracy Cachoeira);

– Organizar e melhorar o meio de comunicação nas comunidades e escolas para facilitar o acesso de informação para os comunitários.

 

 

 

 

 

MEC reconhece a Escola Pamáali como “instituição de referência para inovação e criatividade na educação básica do Brasil”

10848960_10206475852361135_1703265305315120623_o

A Escola Baniwa e Coripaco Pamáali recebeu no mês de janeiro deste ano, Certificado de reconhecimento como instituição de referência para Inovação e Criatividade na Educação  Básica, pelo Ministério da Educação – MEC.

Em ofício, a Equipe de Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC parabenizou a iniciativa: “Parabéns pelo trabalho realizado até agora, e continuem no caminho pela melhoria da qualidade de educação básica brasileira”.

O MEC também informou que, foi criado, através da Portaria 1.154 de 23 de dezembro de 2015, a Comissão de Orientação e Acompanhamento da Iniciativa Inovação e Criatividade na Educação Básica, que tem como  uma de suas atribuições, acompanhar o desenvolvimento organizações reconhecidas como inovadoras e criativas.

André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), um dos principais idealizadores do Projeto de Educação Escolar Baniwa e Coripaco, comemorou o reconhecimento: “Compartilhamos com todos, pois todos de uma forma e de outra são cooperadores uns mais intensivo e outros menos, mas igualmente queremos reconhecer e agradecer todo apoio que a Escola Baniwa e Coripaco – Pamáali vem recebendo para desenvolver suas experiencias que finalmente são reconhecidos pelo MEC, mesmo que sem recursos financeiros, mas é um sinal de que estamos no caminho certo, apesar de árdua”.

A escola Pamáali é resultado de um grande movimento das comunidades da região do Içana e afluentes organizadas em grandes encontros e assembleias coordenadas pela Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), desde 1992.

Implantada em 2000, sua missão é desenvolver a Formação dos cidadãos Baniwa e Coripaco, com metodologia de ensino-pesquisa participativo, com base nos princípios e valores interculturais para serem protagonistas no desenvolvimento sustentável de suas comunidades e na construção da Política de Educação Escolar Indígena no Rio Negro.

Certificado_ESCOLA PAMÁALI

Em carta lida e entregue ao Procurador da República, lideranças Baniwa pedem exoneração imediata da atual Coordenadora do DSEI – ARN durante Audiência Pública em São Gabriel da Cachoeira

________________________

Sr. Procurador do Ministério Público Federal do Amazonas e demais autoridades e parentes indígenas presentes.

Queremos aqui em nome de mais de 1.400 famílias Baniwa e Kuripako, de 6.300 pessoas, 93 comunidades e sítios, somos povos habitantes milenares da Terra Indígena Alto Rio Negro demarcado e homologado em 1998. E neste ato público reafirmamos verdadeiras as denúncias feitas pela FOIRN nos últimos quatro anos (2013, 2014, 2015 e 2016). Pois, descasos, negligências e omissões têm sido as marcas da Gestão da SESAI através do DSEI e seus gestores nestes últimos tempos aqui no Rio Negro. Como não bastasse com isso os nossos direitos são violados, seus princípios e negando os direitos das comunidades indígenas Baniwa e Kuripako garantidos na Constituição Federal de 1988.

Manifestamos aqui que no dia 10 de Outubro de 2015 o povo Baniwa e Kuripako fez uma denúncia encaminhada pela nossa representação indígena FOIRN ao Ministério da Saúde. E ficamos bem surpresos com a resposta, além de ter levado seis meses para que SESAI respondesse e explicasse equivocadamente sobre as nossas reivindicações. Depois desse tempo não mudou em nada, as nossas reivindicações continuam os mesmos: (1) Ausência e atraso de 1 ano da Equipe de Saúde multidisciplinar nas comunidades; ano passado as equipes estiveram apenas duas vezes; na resposta do DSEI pela atual gestora estiveram presentes 3 a 4 vezes, que na verdade não aconteceu, mesmo que fosse, estaria e está completamente fora do plano de funcionamento dos Pólos base que deveria funcionar permanentemente, apenas equipes se revezariam; (2) As construções previstos não começaram, segundo DSEI ainda estão em processos, mas já foram mais de cincos anos; será que leva tanto tempo assim para fazer uma obra? Os pólos base já caíram: Camarão, Tunui, Tucumã, Canadá e São Joaquim; (3) A estrutura física da CASAI está deficiente e não atende a demanda dos pacientes indígenas do rio Içana; (4) Os medicamentos nos Pólos Base e nas comunidades continuam em falta, completamente escasso, dificultando medicações dos pacientes com doenças curáveis; (5) Remoção de paciente Inadequada no caso de emergência sem considerar a humanização recomendada pela Política Nacional de Humanização – PNH do Sistema Único de Saúde – SUS; (6) Atendimento inadequado aos pacientes indígenas Baniwa e Koripako; (7) Os profissionais de saúde dos Pólos continuam sem condições de melhorias no trabalho e no transporte: como motores de polpa e botes de alumínios de capota; (8) Há 13 (treze) anos atrás a região, as comunidades, o povo Baniwa e Kuripako não apresentava quase nada de incidência de malaria, que hoje se encontra alta, fazendo as pessoas sofrerem mais, além da filaria medicável ainda não ser resolvida, apesar dos diagnósticos realizados através da pesquisa do INPA em 2009 e 2010 com recomendações de procedimentos para tratamento e da sua erradicação; (9) Falta de assistência da FUNASA nas comunidades onde há o caso de Malária; (10) Atualmente as condições de trabalho de profissionais de saúde são ruins, alem de insuficientes. No momento não tem nada de equipes de saúde nas comunidades indígenas Baniwa e Koripako neste novo ano de 2016.

Sr, Procurador, quando há uma denúncia entendemos que quer se buscar diálogo. Mas a SESAI não dialoga com os povos indígenas. Assim entendemos que a palavra diálogo e planejamento participativo e gestão com transparência está bem longe da atual gestão. E mais uma vez enumeramos aqui as nossas propostas para melhoria da saúde indígena: 1) Exoneração imediata da gestora e indicação para nomeação de um novo Coordenador Distrital da Saúde Indígena do Rio Negro com participação da FOIRN; 2) Afastamento imediato do Presidente do CONDISI e realização da reunião extraordinário do CONDISI para eleição da nova diretoria; 3) Fazer auditoria independente para reorganização, planejamento e funcionamento do DSEI; 4) Diálogo permanente com a FOIRN para reorganização e funcionamento do Controle Social, por exemplo, em vez de Conselhos Locais, Conselhos sub-regionais; 5) A FOIRN deve participar na formação de profissionais de saúde e na seleção de recursos humanos; 6) Um novo coordenador deverá fazer um novo aluguel para sede do DSEI, pois sede atual é completamente inadequada e espaço insuficiente; 7) A FOIRN devera participar do Planejamento Estratégico do DSEI Rio Negro, avaliação e monitoramento trimestral;

Especificamente aos povos indígenas do Rio Içana Baniwa e Koripako propomos seguintes: (1) Reconhecimento dos profissionais capacitados em varias áreas de saúde como: (TACIS- Técnico Agente Comunitário Indígena de Saúde, Microscopistas); (2) Os Pólos Base precisam ser reconstruídos com urgência para garantir o atendimento adequado aos pacientes e evitar o grande número de pacientes que descem para a CASAI em São Gabriel da Cachoeira; (4) Reforma na estrutura física da CASAI, garantindo espaço e banheiros adequados para o tratamento dos pacientes indígenas; (5) Estabelecer novo contrato de resgate aéreo para os pacientes graves; (6) Programa de formação aos profissionais de saúde para o atendimento específico e especial as populações indígenas; (7) Atualmente é fundamental que os pólos base do Içana e Ayari tenham um microscopista, visando acelerar o diagnóstico (exame laboratorial) e realizar o tratamento de malária e filariose no local com eficiência, pois as comunidades Baniwa segundo gráfico do DSEI são que mais sofrem com a malária.

Dr. se não for assim, o nosso bem-viver estará mais comprometido ainda. Por isso a gestão precisa urgentemente melhorar. Pois, atualmente entre 71% a 78% do uso do recurso financeira está somente no pagamento de recursos humanos, prejudicando enormemente a parte que faz funcionar nas comunidades indígenas e é por isso que hoje não funciona e desse jeito não tem como funcionar. Ano passado, por exemplo, segundo DSEI foram gastos apenas 6 milhões e esse ano de 2016 a previsão é de 7 milhões. A prestação de informação e prestação de conta da SESAI e DSEI são completamente inadequadas e incompletas.

Dr. exigimos que nossos direitos sejam respeitados e cumpridos!

Leia também: Procurador da República recebe dossiê com denuncias de violações contra dos direitos indígenas em Audiência Pública na Casa do Saber da FOIRN em São Gabriel da Cachoeira.

Experiência de comercialização da Pimenta Baniwa é tema de intercâmbio na Oficina de Cerâmica em Taracúa, médio Uaupés

DSCN4303

Foto: Rosilda Cordeiro – Departamento de Mulheres/FOIRN

Oficina organizada pela Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa (Amirt) em parceria com o Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e apoiado pela Fundação Nacional do Índio, através da Coordenação Regional do Rio Negro, reuniu entre 11 a 16 de janeiro, em Taracúa, médio Uaupés, artesãs indígenas da etnia Tukano para troca de conhecimentos e produção de peças de cerâmica.

Durante a oficina as participantes produziram várias peças de cerâmicas de todos os modelos, como pratos, penelas e muitos outros.

Além de trocar conhecimentos, e ensinar as técnicas de produção e as narrativas relacionadas ao tema às participantes mais jovens, as organizadoras da oficina, programaram também intercâmbio com outras experiências, como da Pimenta Baniwa.

DSCN4340

André Baniwa na oficina realizado em Taracúa.

Para isso, foi convidado o André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Rio Içana (Oibi) para contar a experiência Baniwa de organização, e principalmente, o histórico da criação da marca Arte Baniwa e os produtos como a cestaria Baniwa e a Pimenta Baniwa.

 

A ideia do intercâmbio foi fortalecer a iniciativa da Amirt na produção e comercialização dos produtos feitos pelas mulheres da região de Taracúa, que vem sendo feito há vários anos.

“Gostamos muito da experiência, conhecer um pouco mais do trabalho que fazem, e contribuir com nossa experiência, referente, especialmente, no trabalho realizado em todas as etapas da comercialização da Pimenta Baniwa, com certeza irá ajudar no fortalecimento e na organização do trabalho delas”, disse André.

As participantes, em seus depoimentos, afirmaram que é importante que mais intercâmbios sejam realizadas para a troca de experiências e conhecimentos entre as iniciativas de organizações e povos indígenas do Rio Negro.

Em 2015, a Pimenta Baniwa também foi um dos temas de intercâmbio entre Baniwa e representantes do Povo Apiaká, Kayabi e Munduruku quando vieram para o Rio Negro.

Koakawatsa wadeenhiri: ACIRA realizou Assembleia em Canadá, Rio Aiarí

“Foi bom demais ver as comunidades retomar a força política e planejar o seu manejo de bem-viver. O movimento indígena aqui do Rio Negro vai voltar ficar forte, estamos trabalhando para isso (FOIRN, CABC, associações com acompanhamento da Funai Regional do Rio Negro)” – André Baniwa

Mulheres Baniwa participam do planejamento da ACIRA para próximos 4 anos. Foto: André Baniwa

Mulheres Baniwa participam do planejamento da ACIRA para próximos 4 anos. Foto: André Baniwa

A Associação das Comunidades Indígenas do Rio Ayarí (ACIRA) foi fundada em 1995, foi a terceira associação criada na região do Içana, depois da ACIRI (1987) e OIBI (1992).

O Rio Ayari abriga mais de 20 comunidades indígenas Baniwa. A ACIRA tem objetivo de somar a luta pela demarcação de terras indígenas do Rio Negro e defender outros direitos fundamentais. Vem procurando elaborar e desenvolver seus projetos de acordo com o interesse de suas comunidades visando promover a  melhoria para qualidade de vida e defesa de seu território.

A avaliação da atuação de 20 anos da associação, mostrou que houve acertos e erros que não podem se repetir; houve conquistas muito importantes como transporte que não bem gerenciado (barco); comunicação como radiofonias,  e algumas iniciativas de geração de rendas paralisados hoje.

Considerando o contexto dos últimos 20 anos as comunidades propuseram um plano para próximos a 4 anos para Diretoria Executiva da associação que se resume em ações como: 1 – Criação de peixes nativos (comunitária familiar ou mecanizada); 2 – Agricultura Tradicional (pimenta, abacaxi, mandioca e derivados, arroz); 3 – Artesanatos (Cerâmica, ralo…); 4 – Culinária Baniwa (indústria – pimenta, mandioca e derivados); 5 – Extrativismo (buriti…); 6 – Manejos (pesca e matéria-prima); 7 – Energias Alternativas.

Instituições como a FOIRN, CRRN/FUNAI, CABC e Departamento de Mulheres/FOIRN marcou presença na assembleia, que aconteceu entre 24 a 26 de outubro em Canadá, Médio Ayarí.