MEMÓRIA E SAUDADES BANIWA

Destacado

A nossa cultura é a nossa força de amanhã, aos filhos de hoje e futuras gerações!

 

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Serra de Tunuí – Médio Içana. Foto: Braulina Aurora/Facebook

Por: Braulina Baniwa

Memorizar as coisas vividas no dia da morte são carregadas de emoções fortes e tristes, por isso elas marcam nossas vidas  fixando em nós e nos  levando a revivê-las com as saudades. Em nosso lamento profundo de perdas, nós nos perguntamos: por que tão cedo? E aos mesmo tempo pensamos nos sonhos  que foram possíveis até essa data.

Quem vos escreve estas memórias é uma indígena mulher, pesquisadora e antropóloga do tronco linguístico Aruak. O território tradicional do meu povo fica no rio Içana, mas estamos espalhados em todo o rio Negro, nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e Manaus. Uma parte do nosso povo está na Colômbia e Venezuela. Para falar de memória, precisamos relembrar o triste processo histórico de contato com do povo Baniwa (conhecidos assim pelos não indígenas), porém nos autodenominamos Medzeniakonai[1].

Os Medzeniakonai (Baniwa) foram invadidos pelos não indígenas colonizadores no início do século 18, foram violentados, perseguidos e escravizados por espanhóis e portugueses. Uma boa parte dos indígenas morreram por epidemias no Brasil. As mais conhecidas que dizimaram muitos indígenas foram o sarampo e varíola, trazidas por nãos indígenas. Durante o processo do contato, os medzeniakonai (Baniwa) foram explorados por não indígenas, na ilusão de melhorar de vida através da troca de mercadorias pelo seu serviço braçal.

Acredita-se que os nossos avôs e as nossas avós enfrentaram as maiores violações de direitos humanos em defesa de nossos territórios milenares. A colonização mudou de cara com a chegada da religião na região do Rio Negro. A chegada de igrejas também foi de tamanha violência contra os direitos humanos, chamada na época de escola civilizatória e que hoje podemos compreender como a morte de conhecimentos ancestrais.

Passadas décadas de contato, nós nos organizamos, temos escolas, associações indígenas, acessamos espaços nunca ocupados por indígenas do nosso povo, somos o único povo do rio negro a chegar a ocupar lugares de destaque no governo, a nível nacional, estadual e municipal, como por exemplo, no MEC, Secretarias Estaduais e Prefeitura.

Alguns e muitos de nós decidiram ficar longe de sua família e comunidades para cumprirem suas funções de professor (a), agente de saúde, enfermeira (o), antropóloga (o), artista e escritor. Outros se ausentaram de suas famílias em prol da coletividade para coordenar as secretarias de destaque nos governos.

Memorizar essas vitórias é dizer o quanto conseguimos chegar a lugares nunca acessados pelos nossos avós ou nossos pais, temos lideranças de destaques que são pais e mães para muitos jovens que estão nas universidades espalhadas no Brasil.

Seguimos juntos em prol do nosso povo, estando em vários lugares. É sempre bom falar do nosso povo, seja para pessoas de outro povo, nas universidades, falar da pimenta – quem nunca ouviu falar da nossa pimenta, do ralo Baniwa, falar na língua Baniwa, antes de falar em português. Isso é muito rico, pois, nossos parentes perderam essa riqueza por conta do contato violento.

Mas também migramos, fazemos parte do povo que anda, somos livres de ir e vir, somos pessoas impacientes e aptas a organizar e coordenar qualquer frente que nos é dada para liderar, somos povo ágil e somos povo com inimigos do lado, pois somos povo amado e odiado ao mesmo tempo. Nossas tias, primas e avós tiveram e têm casamentos com diferentes povos e continuamos com essa prática nos dias de hoje, por isso estamos em quatro municípios do rio Negro e fora do Brasil.

A prática solidária com os próximos prevalece desde nosso surgimento até nos dias atuais. As comunidades do povo Medzeniakonai, espalhadas na margem do rio Içana e seus afluentes, continuam com as práticas coletivas de compartilhar, hábito cultural que herdamos de nossas avós.

Não importa se estamos no nosso território tradicional ou na margem do rio Negro, ou nas cidades, nós nos conhecemos, sabemos quem é quem, onde está e como está. Então esse sentimento de irmandade é sentido quando perdemos um ente querido, somos do tronco Aruak, nos dividimos em vários clãs, mantemos respeito de hierarquia entre nós, sabemos se são nossos irmãos, se são de alto, médio ou baixo Içana, não existe o melhor ou pior.

Se somos primos, somos primos, se é tia, é tia de todos, se é vô e vó é de todos, se é cunhado também é de todos, somos povos adaptáveis e alegres, rimos muito, tanto que o termo felicidade foi tema de pesquisa de Doutorado junto ao povo nas comunidades, nossos encontros, reuniões evangélicas são as mais alegres possíveis e compartilhamos o nosso alimento sagrado com os nossos visitantes, e partilhamos sempre.

Recebemos desde o nosso nascimento o sentimento de irmandade de família. Assim, choramos cada vida perdida, fazemos rede de apoio para superar as perdas, nossos anciões rezam e oram por cada família que ficam longe de suas casas. Esse amor fraternal e maternal que praticamos, mantém a espiritualidade do nosso povo e a crença de que existe um ser superior não acessível aos olhos humanos que nos protege em todos os espaços que estivermos.

Fomos o primeiro povo no rio Negro a perder um parente para essa nova doença (Covid-19). Sentimos e nos solidarizamos com a família, por ser uma pessoa que morreu cuidando dos outros, e denunciou a falta de equipamento para trabalhar com segurança. O trabalho desenvolvido por esse parente continuará na memória de seus filhos, amigos e parentes, vamos sempre lembrar da data que ele se foi, mas sem entender do por que tão cedo. Sabemos que ele voltará em outra vida, acreditamos que ele possa estar bem.

Mas dessa vez, aconteceu algo inédito, os familiares não puderam se despedir, é a primeira vez que temos que lidar com morte solitária, internação solitária, sem poder levar nosso famoso cigarro para que a alma encontre o seu lugar, os tios mais velhos e tias mais velhas não tiveram a chance de abraçar e chorar junto com os filhos e mãe dele. As notícias se espalharam em curto tempo,  diferente de mortes no século 18, recebíamos notícias meses depois por recado (notícia via oralidade, na época não dominávamos a escrita e tecnologias de não indígenas), era sempre através de parentes que estavam de passagens, viajando ou chegando de viagens.

Passamos um tempo acreditando que não chegaria no território tradicional dos Medzeniakonai, afinal a doença não havia chegado no porto de São Gabriel da Cachoeira. Ações conjuntas entre governo municipal e entidades indígenas se converteu em uma força tarefa para espalhar notícias sobre a doença nas comunidades indígenas, via rádio municipal, radiofonia e cartilhas nas línguas indígenas do rio Negro.

Somos povo resistentes, mas até que ponto? A nossa saúde mental precisa de atenção, choramos, não tem como não chorar por um amigo e por um parente, choramos quando estamos longe, choramos quando viajamos, choramos quando estamos sozinhos. É saudável chorar, são etapas necessárias para a formação.

Komaderoa é nossa liderança de referência, que ocupa o cargo de diretor (Isaías Fonte) na nossa instituição indígena que chamamos de FOIRN,  ele nos relata a proporção da chegada da doença nas comunidades, o medo, angústia de não poder fazer muita coisa pelo povo da comunidade. Passadas algumas semanas rapidamente se criou grupo de estratégia para ajudar o nosso povo e pensar sobre como levar a informação sobre a doença. O meio mais fácil que achamos foi o áudio, sim nosso povo Baniwa é hospitaleiro, tem muitos conhecidos no Brasil, professores, médicos, doutores e outros pesquisadores que já pisaram no nosso território Baniwa.

Entre choros por perdas de tios e tias, recebemos no grupo que foi criado a imagem que nos trouxe esperança, uma vovozinha Baniwa de 92 anos que se recuperou da doença e na porta do hospital disse: o remédio é não ficar triste, alegria afasta qualquer doença.

Entramos no modo alegria pois somos povo alegre e feliz, acreditamos na solidariedade e como as pessoas são boas, assim seguimos trabalhando, envolvendo cada pessoa que conhecemos para fazer chegar a doação para o nosso povo que necessita.

Mas no meio a isso, uma perda memorável, um pai de professores Baniwa do médio Içana, uns dos pais que incentivava e acreditava que a formação transforma a pessoa. A educação Baniwa e Koripako perde um dos seus líderes, o dia parecia não acabar, os filhos, a esposa e netos, foram deixados por ele, e nós primos e sobrinhos sentiremos saudades.

Rio Içana não será o mesmo depois desse caos de informação trocada, não será o mesmo, pois perdeu algumas de suas lideranças tão jovens para a doença, ficamos uma parte órfãos de tios e tias.

Mas o rio Içana e povo Medzeniakonai permanecerão firmes, dizendo ao mundo que sua medicina indígena, através de suas ervas e remédios silvestres, salvou grande parte do seu povo, seja os que estão dentro e fora do território.

Pregamos alegrias por onde passar, deixamos legados de sucesso onde chegamos e onde queremos chegar, somos assim um povo, que desde o contato fomos vistos como povo sujo, hoje nós respondemos que somos povos de conhecimentos que nunca outros saberão, isso é singular nos povos indígenas, o que é nossa ciência é nosso.

Perdemos 07 vidas, perdemos 07 bibliotecas vivas no rio Içana, mulher, mãe, homem, pai e vó, um pai escritor, um professor referência na comunidade deixa a Seduc e assim a Seduc não será a mesma, as ruas de São Gabriel, acostumadas a ver ele passar na sua moto, ficaram em silêncio nessa partida tão cedo.

Seguimos firmes, em nome dessas pessoas, dando e recebendo ensinamentos que os manterão presentes nas nossas vidas. Nossa homenagem as sete famílias que choraram por perdas por covid-19. O que fica na memória de cada membro da família são as risadas dadas, seja no caminho de roça, nos encontros, na hora do chibé, ou no famoso momento de quinhapira.

Finalizo, esta memória de saudades, dizendo que as Indígenas Mulheres  Medzeniakonai ( Baniwa) são as mais belas e incríveis detentoras de uma ciência ímpar e que elas, mulheres pimenteiras que juntas com nossos artesãos de cestarias se recuperam dessa doença, emanam energias positivas e boas, que logo possamos nos encontrar e compartilhar nomes de remédios da nossa medicina indígena que foram usadas em seus tratamentos, que ao plantar novas roças pimenteiras e iniciar a produção de cestas, estejamos bem e com boas notícias de que muitos se salvaram. Aos nossxs parceirxs e colaboradorxs de lugares distantes, que ao retornarem a suas atividades normais, possam relembrar desse episódio com um suspiro de que muitas vidas foram salvas com sua atividade de solidariedade, uma parte dos Baniwa dentro de seus corações onde estiverem.

Um aperto de mão em cada um que for ler isso, e viva a conhecimentos ancestrais que está na nossa essência, como MEDZENIAKONAI!

Aos nossos parceiros e colaboradores, gratidão pelo esforço de ajudar nosso povo.

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[1] Autodenominação do povo Baniwa na língua própria.

 

Colaboraram: Hipatairi (André Baniwa) Ray Baniwa e Komaderoa (Isaias Fontes)

PESQUISAS DE NOVAS TECNOLOGIAS SOCIOAMBIENTAIS PARA BEM VIVER: EXPERIÊNCIAS NAS COMUNIDADES BANIWA DO MÉDIO RIO IÇANA E AYARI

Destacado

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Inauguração de abastecimento de água na comunidade Santa Isabel do Rio Ayari por meio de tecnologia Carneiro Hidráulico – na terra indígena Alto Rio Negro

Juvêncio Cardoso (Dzoodzo)[1]

Adeilson Lopes – Ecólogo/ISA

O que vamos contar aqui é apenas parte das pesquisas e experiências que desenvolvemos na região do médio rio Içana e Ayari, dedicadas especificamente ao que chamamos de tecnologias socioambientais. Estas pesquisas visam prospectar, experimentar e/ou adaptar tecnologias que melhorem a qualidade de vida das pessoas nas comunidades. Nas terras indígenas do médio e alto rio negro habitam uma enorme população indígena. O Levantamento PGTA realizado por ISA/FOIRN/FUNAI em 2017 apontou mais de 5mil famílias de moradores, de maioria composta por crianças e jovens (70%), vivendo em cerca de 350 comunidades. Todas elas demandam, cada dia mais, tecnologias que sejam acessíveis economicamente, adaptadas às condições de pequenas comunidades imersas na extensa região coberta por florestas e que sejam apropriadas do ponto de vista ambiental e cultural para a população. As experiências aqui narradas são desenvolvidas por meio de iniciativas das comunidades, escolas e associações em parceria com a FOIRN e ISA.

Atualmente, duas linhas de pesquisa e experimentação vem sendo fortalecidas: 1) geração de energia elétrica; 2) abastecimento de água; e 3) construção em placa de taipa.

A geração de energia elétrica

A pesquisa de alternativas de geração de energia elétrica iniciou na escola Pamáali, desde 2002, quando foram instalados três tipos de fontes de geração para aumentar e melhorar sua matriz energética. Os modelos testados foram de motores movidos à combustível fósseis (gasolina e diesel), sistema fotovoltaico (placa solar e bateria) e sistema hidrocinético (micro-turbina movido pela água).

A experiência com motor movido à gasolina foi ótima, mas o custo de abastecimento e manutenção é caro. O motor que funciona com diesel foi adaptado, em 2009, ao sistema híbrido de biocombustível (ou seja, usando diesel e óleo de soja reciclado da cidade). Ele funcionou muito bem usando óleo de soja descartado de restaurantes. Porém, não conseguimos manter um sistema de coleta de óleo nas cidades de Manaus e São Gabriel para abastecer este motor. Assim, o sistema com óleo vegetal foi abandonado e o motor continuou funcionando com diesel.

A experiência com o sistema fotovoltaico foi mais efetiva e eficiente em termo de geração de energia, pois dependia basicamente do sol como fonte de alimentação. Mas, o difícil foi fazer a gestão adequada do sistema. No caso específico da escola, o consumo de energia era maior do que a gerada pelo painel e a falta de controle resultou em desgaste precoce das baterias, que duravam em média 1 ano.

Outras experiências particulares com sistema fotovoltaico apontam que o sistema é eficiente, quando se realiza uma boa gestão. Utilizando a energia dentro do limite gerado pelo painel. Um sistema composto de 2 painéis solares com duas baterias, por exemplo, utilizando um inversor de 500W, é suficiente para alimentar 4 lâmpadas de 18W no tempo de 4h/dia, uma TV pequena de 15” de 20W e um computador notebook. A vida útil das baterias nessa condição é de 3 anos.

No âmbito do Projeto Monitoramento Ambiental e Climático – PMAC, os coordenadores indígenas estão recebendo um kit de sistema fotovoltaico (um painel solar, duas baterias, 1 inversor e três lâmpadas de 12 V). O objetivo é apoiar as suas atividades de pesquisa para fornecer energia para iluminar seu local de trabalho, carregar tablet e computador notebook.

Ao final de 2011, com o apoio do Fundo de Micro-Projetos Mudanças Climáticas da CAFOD, pudemos dar início à instalação e aos testes de geradores hidrocinéticos na escola Pamáali. Foi uma experiência ímpar de eficiência, mas que durou por pouquíssimo tempo. Demorou pouco tempo devido ao local de instalação, pois a barragem de terra e o canal de alimentação do sistema foi tomado pela erosão, devido ao solo arenoso, obrigando a desativar o sistema. As microturbinas, 1 kVA e 0,5 kVA, foram remanejados para a comunidade de Nazaré, onde foram instaladas numa barragem de concreto já existente nesta comunidade. Funcionaram bem por alguns anos, gerando energia durante 24 horas com a força da água. Atualmente o sistema está desativado porque essas turbinas usam um controlador de carga que foi danificado e não possui reposição no Brasil. Essas turbinas foram importadas pelo ISA em 2008 do IMS-RERC–VSED (um consórcio de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias alternativas de geração de energia do Vietnam), portanto do outro lado do mundo. O modelo parece ser uma alternativa bem interessante entre as já experimentadas, e se aproxima do ideal de geração de energia limpa e de autonomia para as comunidades. Mas, sem um fornecimento da tecnologia e dos itens de manutenção a nível regional, não é possível aprofundar os testes.

Outro projeto “Roda d’água” está em incubação e poderá ser testado nos próximos anos. A ideia é que este projeto seja testado nos locais onde a correnteza (velocidade) da água é mais elevada, como é o caso de Nazaré, Tunuí, Escola Pamáali e Ucuqui Cachoeira. Outras comunidades possuem a ideia de testar roda d´água no igarapé, através de construção de pequena barragem para formar desnível e assim poder aproveitar a energia mecânica.

O quadro baixo mostra a atual situação de motor de geração de energia na região do Içana. Esses dados foram obtidos dos Resultados do Levantamento Socioambiental, a partir do Relatório de trabalho para elaboração dos PGTA do Alto e Médio Rio Negro. O que chama atenção nesse quadro é o número de geradores familiares.

Motor de luz na região do Rio Içana

Região Funcionando Quebrado Sem motor de luz Nº de geradores familiares
Ayari 3 1 12 36
Alto Içana 0 0 13 46
Baixo Içana 6 2 5 62
Médio Içana 12 1 8 56
Total 21 4 38 200

Fonte: ISA, FOIRN, FUNAI/ maio de 2017.

Outras fontes de energia na região do Içana

Região Comunidades Comunidades onde há outras fontes de energia
(%)
Ayari 16 3 19%
Alto Içana 13 9 69%
Baixo Içana 13 6 46%
Médio Içana 21 7 33%
Total 63 25

Fonte: ISA, FOIRN, FUNAI/ maio de 2017.

Abastecimento de água

Para bombeamento de água estamos testando duas tecnologias socioambientais: 1) Sistema Carneiro Hidráulico e; 2) Sistema com Placa Solar.

O sistema Carneiro Hidráulico requer uma pequena represa de água e bombeia a água que passa por ele sem a necessidade de usar motor ou queimar qualquer tipo de combustível. No ano de 2013 foram feitos os primeiros testes na escola Pamáali, aproveitando a represa que abastecia o laboratório de piscicultura.  No ano de 2014 o sistema foi consolidado e passou a abastecer as casas residenciais na comunidade/escola e a Casa da Pimenta Pamáali.

No ano de 2017, este modelo foi instalado na comunidade de Santa Isabel no rio Ayari, sob interesse e iniciativa da própria comunidade em parceria com ISA. O ponto de bombeamento, a fonte/represa, fica numa distância de 350m de ponto de instalação de caixas da água. A base de caixas é suspensa a uma altura de 3m. A partir desde ponto a água é distribuída para a comunidade. Este sistema abastece em torno de 4.500 litros/dia. Esse modelo vem sendo considerado ideal para as comunidades, pois o custo de funcionamento e manutenção muito baixo, apenas a substituição de algumas peças simples, que podem ser encontradas no comércio local. Outras comunidades já manifestaram interesse para implantar esse modelo.

O sistema de bombeamento de água movido com placa solar está sendo testado na Rede de Casas da Pimenta Baniwa. A experiência está na fase inicial de implementação. E espera-se que este se apresente como uma das alternativas possíveis a ser implementado nas comunidades.

No caso específico, este modelo está dando certo na comunidade de Ambaúba, médio rio Içana. E foi instalado em parceria com os pastores não-indígena que atuam na comunidade.

Construção com Placas de Taipa

Esta tecnologia surgiu durante o processo de elaboração do projeto arquitetônico das Casas da Pimenta Baniwa e a primeira oficina de formação sobre a técnica aconteceu na Escola Pamáali no ano de 2009. Foi proposta pelo arquiteto Almir de Oliveira (EAMAC/Arquitetura da Terra) como uma solução construtiva que reúne aspectos importantes em uma obra como: beleza, estabilidade, uso sustentável dos materiais de construção tradicionais baniwa (madeira e argila). Os baixos custos de construção são uma grande vantagem desta tecnologia.

A técnica básica consiste em montar painéis de madeira pré-moldados que são reunidos no formato da casa. O trabalho de montar as paredes de uma casa da pimenta, depois que os painéis estão prontos, não dura mais que um dia. Depois dos painéis montados é feito o barreamento, como tradicionalmente os baniwa já conhecem, e o acabamento da parede leva apenas 01 centímetro de uma mistura composta por: 5partes de areia, 3 partes de barro e 1 parte de cimento.

A primeira casa foi construída em Tunuí cachoeira e inaugurada em 2013, e de lá para cá a técnica vem sendo aperfeiçoada, resultando em casas com boa estabilidade e acabamento, sem uso de tijolo e usando pouco cimento. Neste momento já existem 04 casas construídas neste padrão no Içana (Tunuí, Pamáali, Ucuqui e Canadá) e outra está em início de obra na comunidade de Nazaré. Vários grupos de construtores baniwa vem ganhando experiência com esta tecnologia de construção e, futuramente, poderão aplicar estes conhecimentos em outros tipos de obras como escolas, residências particulares, pólos-base, dando mais autonomia para tocar obras nas comunidades da região.

Enfim, são algumas das experiências que desenvolvemos no âmbito pesquisa de novas tecnologias socioambientais para o bem viver. Com experiências aos poucos vão sendo testado e com a experiência vamos aprendendo. Outras áreas também precisam avançar, como: tecnologias para coleta e tratamento de lixo (que já se acumula nas comunidades), tecnologias para transporte coletivo ou individual que dispense ou reduza o consumo de gasolina e tecnologias de comunicação e de processamento de produtos das comunidades para a comercialização (desidratadores de frutas, por exemplo). Há muito o que avançar!

O que depende é interesse, a decisão e boa vontade da comunidade, das nossas escolas e associações. Se as nossas comunidades, escolas e associações não tiverem planejamento de como melhorar em termos de empregos de tecnologias socioambientais poucas coisas vamos avançar. Não podemos esperar que alguém vai fazer por nós, tudo cabe a nós próprio e sempre parceria com os nossos parceiros de longa data.

[1] Licenciado em Física Intercultural/IFAM-CSGC. Professor na Escola Municipal Indígena Tiradentes e Sala de extensão de ensino médio Canadá, rio Ayari. Coordenador de Coordenadoria das Associações Baniwa e Koripako da bacia do Rio Içana – CABC

LIXO NAS COMUNIDADES INDÍGENAS: DESAFIO DE DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DA BACIA DO IÇANA

Destacado

“Lixo é veneno”

“O lixo é um inimigo”

Por Alfredo Feliciano Miguel Brazão

Diretor da OIBI 2017-2020

Como chegou lixo nas comunidades

Ante de todo quero registrar uma breve história sobre a chegada dos primeiros comerciantes que passavam trocar os produtos artesanais com produtos industrializados, que não existiam ante, os materiais que os nossos avós e pais usavam nas aldeias eram todos extraídos da natureza, que se decomponham com facilidade logo depois de uso, na verdade todos se transformavam em adubos orgânicos fertilizando o solo nos lugares de plantio das plantas frutíferas.

Os primeiros produtos industrializados como latas, plásticos, pilhas e outros surgiram na década do século XVIII quando os primeiros regatões entraram nas regiões. Naquele tempo quem tinham acessos a esses materiais somente os adultos que tinham técnica de produzir os artesanatos, farinha e outros produtos que eram comprados pelos regatões. Nesse tempo era bem diferente do tempo atual, pois todos os materiais duráveis que eram adquiridos pela população sempre foram bem reaproveitados por determinado tempo, assim era difícil às comunidades notarem os desperdícios de latas, garrafas, sacos plásticos nos quintais das casas.

Início da preocupação com lixo nas comunidades

A preocupação com destinação de resíduo sólido começou a surgir na região do Içana foi a partir da década de 1990 em diante, foi quando a população começaram a ter o acesso aos programas sociais do governo como em aposentadoria, pensão, bolsa família. Alguns que tinham estudo e que tiveram empregos como professores, agente Indígenas de Saúde que são ofertados pelo governo federal, estado e município.

Aumento de lixo nas comunidades

A partir do ano 2000, com aumento de professores contratados, apesar de muito positivo na educação escolar indígena, o magistério Indígena que formou os professores, mas também trouxe a soma visivelmente a questão do lixo em muitas comunidades.

Com salário ganho possibilitou adquirir os produtos industrializadas e suas embalagens são jogadas em qualquer lugar do ambiente quando perde vida útil de uso, seja nos rios, lagos, igarapés e nas praias e na mata.

Desconhecimento sobre lixo e as propostas de cuidado com lixo

O desconhecimento sobre cada tipo de produtos que produzem lixo e que podem causar doenças que comprometam a saúde dos seres humanos, aos animais, aos peixes e plantas e for fim o ambiente em se vive é principal causa de não ter cuidado com lixo nas comunidades. Conhecimento sobre contaminação através dos lixos ainda é pouco nas comunidades, principalmente os mais velhos das comunidades que não acreditam muito nisso. Por isso é fundamental a conscientização ou educação de cuidado com lixo nas comunidades.

Em uma das oficinas de estudantes da Licenciatura Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável da UFAM do Pólo Baniwa, fizeram trabalho de mostra como o acumulo de lixo acontece nas comunidades produzidas pela população e que chamou atenção para a necessidade de se preocuparem com isso, pois o acumulo de lixos podem ser uma das causas de doenças em suas comunidades.

Os estudantes apresentaram uma proposta aos Agentes Comunitários de Saúde Indígena e equipe multidisciplinar do DSEI, que este tema deveria ser prioridade em suas pautas para orientar a população das comunidades. Os mesmos recomendaram ensinar como deveriam tratar os lixos para evitar que cause doenças e comprometa na saúde, pois isso não existia nos planos de trabalho ou não estava acontecendo nas comunidades via DSEI e sua equipe de saúde. Até a própria equipe que anda nos rios e comunidades andam jogando seus lixos em qualquer lugar. Não orientam seus motoristas para guardarem vasilhame de óleo de mistura com gasolina que eles usam nos motores. É comum chegar ao porto onde tem pólo base vê cheio de frasco de óleo de plásticos, segundo pesquisadores-estudantes de médio Içana II.

Acordo e responsabilidade de estudantes

Durante a oficina os estudantes fizeram acordo entre si e se responsabilizaram para que cada um fizessem suas palestras sobre isso em suas comunidades de origem e que tomassem iniciativa de coletas de lixos com a participação dos membros da comunidade, incluindo também escolas da comunidade, para que os conhecimentos sobre lixo pudessem avançar.

A definição do lixo!

A conclusão da oficina é que o lixo é inimigo das pessoas, das comunidades, dos rios, das florestas e de todo ser vivo, por isso é fundamental se preocupar em ter planos em como se livrar dos lixos que são inimigos da saúde. É muito importante fazer coleta seletiva de lixo como de papeis, plásticos, vidros e latas. Depois deixar esses subprodutos com certa distância das casas e longe da fonte de igarapé, longe da plantação frutífera. O lixo pode ser queimadas e depois enterradas. Estas práticas devem ser ensinadas pelos professores e pelos agentes de saúde de cada comunidade.

Em relação aos produtos tóxicos como pilhas e baterias que são de alta periculosidade, é muito importante que as comunidades se responsabilizassem em ajunta-las no recipiente separado dos outros produtos para enviar de volta a cidade, uma vez que esses produtos contêm materiais pesadas e muita química perigosa segundo a resolução da CONAMA.

Legislação e situação de tratamento no Brasil

Segundo CONAMA, o Brasil é o único país da América do Sul que regulamenta a fabricação, venda e destinação final de pilhas e baterias. Com a entrada da Resolução 257, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe sobre estes resíduos, em vigor desde junho de 2001, o Ibama passou a fiscalizar esses limites. Os fabricantes e importadores são os responsáveis pelo recolhimento do material e sua destinação final, o que deve ser fiscalizado pelos órgãos públicos ambientais. A Resolução estabelece que as pilhas e baterias, após o seu esgotamento energético, devem ser entregues pelos usuários aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas indústrias. (REIDLER, 2002).

No Brasil, as pilhas e baterias exauridas são descartadas no lixo comum por falta de conhecimento dos riscos que representam à saúde humana e ao ambiente, ou por carência de alternativa de descarte. Esses produtos contêm metais pesados, como mercúrio, chumbo, cádmio, níquel, entre outros, potencialmente perigosos à saúde. Esses metais, sendo bio-acumulativos depositam-se no organismo, afetando suas funções orgânicas. Outras substâncias tóxicas presentes nesses produtos podem atingir e contaminar os aquíferos freáticos, comprometendo a qualidade desses meios e seu uso posterior como fontes de abastecimento de água e de produção de alimentos.

ConclusãoJaime-Foirn (8)

Para mantermos saúde em nossas comunidades e do nosso território é muito importante que cuidemos da nossa saúde, vamos usar os produtos industrializados conscientes, jogar os que não têm mais utilidade no lugar certo, não pode descuidar jogando o lixo em qualquer lugar, pois já sabemos que é prejudicial à vida.

AS DIFICULDADES DA SOCIEDADE DOMINANTE E A LUTA DOS POVOS INDÍGENAS

Destacado

Baseado na carta do 1º Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana entre 2992-1995, enviado para Jornal Kaaly para 2ª edição em 2018, segue editado sobre a dificuldade da sociedade envolvente em lhe dar com povos indígenas e suas lutas!OIBI final da assembléia na comunidade Tucumã

O Governo e Estado que gerem as suas histórias, os presentes e os futuros de sua nação e parte da sociedade dominante no Brasil continua não aceitando as nossas conquistas como povos indígenas e muitos políticos e exploradores continuam, com suas artimanhas para não respeitarem o nosso povo, mas de explorar nossos conhecimentos e riquezas das terras, lagos e rios. Contra qual precisamos ser firmes junto à defesa da nossa identidade, e que fique claro: a nossa luta é pelo respeito como ser humano e como povo, nada fora do que já é direito, pois temos nossos direitos conquistados como: terra, saúde, educação, e apoio a projetos de economia e desenvolvimento sustentável. Hoje estamos organizados de acordo com artigo 232 da Constituição Federal de 1988. Apesar disso o país, Governo e Estado brasileiro, políticos e sua sociedade se fazem de cego para não reconhecerem a constitucionalidade dos nossos direitos. Isto nos leva a crer que precisam conhecer para reconhecer, respeitar nossas organizações e nossos representantes, nossas organizações formais existentes são para promover nosso bem viver.

Os povos Baniwa e Koripako na cabeça do cachorro, no Alto Rio Negro, assim como demais povos, na sua história, ante da chagada de invasores e exploradores, estávamos nas nossas terras, em cada espaço a nos entregue pelo criador, por meio de nossos antepassados, respeitando limites de terra e Território de cada povo vizinho ou daqueles com quais nossos povos tiveram relação, transitando livremente com devidas licenças e autorização na nossa terra, com outros e entre os demais povos. Com avanços e chegada cada vez mais de exploradores, nosso povo, teve que aprender, para entender o que estava por vir e como deveríamos nos preparar e se organizar para defender nosso espaço, nossa Terra e Território e o nosso povo, por meios próprios de aprendizado tradicionais, escravidão que nos atravessou, e no início do século passado para cá, enfrentando cadeiras de escolas, para saber ler e escrever.

A pesar de toda história triste que o Estado Nacional Brasileiro promoveu contra os povos indígenas, o fato é que sempre contribuímos com o país e continuamos em defesa coletiva do nosso povo e da nossa terra-território milenar. Muitas lutas de resistência e estratégias. Nós conseguimos um capítulo específico de direito, artigos 231 e 232, na CF de 1988. Estes direitos nos garante amparo e reconhecem as nossas organizações próprias, nossas terras e cultura, costumes e tradição. Por isso as nossas organizações formais são legítimos, com processos próprios de constituir seus representantes legais eleitos em assembleias em nossas comunidades.

Precisamos levar mais conhecimentos para nosso próprio respeito na sociedade, pois isso é fundamental em longo prazo produzir respeito. Isto é para que nos respeitem, assim como respeitamos as sociedades dominantes, seus representantes, seus governos, seus modos de se organizarem para trabalhar junto com seus povos, suas nações em suas cidades, estados nacionais ou países.

Vejam que o mundo e sua sociedade buscam alternativas de saídas para crises de modo geral, e nós povos indígenas, podemos e quem sabe, sabemos, conhecemos e podemos ser a saída para os problemas que o mundo e sociedade passam nos dias de hoje. Por isso é fundamental continuarmos e nos firmarmos naquilo que temos, acreditando naquilo que é de melhor para nosso povo e outros povos, seres humanos, demonstrando que o mundo precisa agora do Bem Viver e Viver Bem que pode resumir práticas sustentáveis milenares dos povos indígenas no Brasil e no mundo.

A relação dos povos indígenas com a terra

Por André Baniwa*

André Baniwa petroglifos do seu clã

André Baniwa – petroglifos do seu clã, no Rio Içana, Terra Indígena Alto Rio Negro/AM. 

A terra para indígena é uma parte de um complexo e completo mundo, hekoapi em Baniwa. A terra é a parte central, metade, do meio do mundo. Para cima da terra tem muitas outras camadas (céus), apakomanai em Baniwa, iarodattinai, lugares de outras vidas, lugares de almas e espíritos de animais, animais como pássaros, macacos, eenonai e outros. A última, acima do sol é do criador do mundo e da terra, ninguém pode vê-lo, somente escuta-lo. Para baixo da terra existe outra camada, Wapinakoa em Baniwa, lugar de ossos dos mortos humanos, talvez inferno.

A terra é de onde os indígenas têm conhecimentos e se relaciona com outras camadas ou céus do mundo tanto para cima e para baixo há milênios.

Da terra os povos nascem, por exemplo, o povo Baniwa, nasce da terra, até hoje existe um lugar chamado de “Hiipana”, eeno hiepolekoa, umbigo do mundo, lá tem uma vagina na cachoeira, de pedra, de onde surgiu, ou nasceu, a humanidade e especificamente o povo Baniwa, seus clãs, distribuição de seus territórios naquela região. Foi daqui que se espalhou a humanidade para lugares distantes, diferentes e diversas partes do mundo.

Por ser assim, nascer da terra, os povos indígenas se relaciona com a terra como “mãe”. E a mãe cuida dos filhos desde concepção, desde nascimento, cuida do crescimento, cuida na vida adulta, cuida durante a velhice quando isso acontece e cuida novamente quando se chega ao final da vida, ao voltar novamente para dentro da terra.

Os povos indígenas tem uma relação de muito respeito com a terra por causa disso. Os que não têm mais esse respeito com a terra por que aprendeu de pessoas estranhas que chegaram aqui no Brasil, pois isto não é da sua cultura e nem da sua tradição milenar.

Os povos indígenas tem uma relação de muito respeito com a terra por causa disso. Os que não têm mais esse respeito com a terra por que aprendeu de pessoas estranhas que chegaram aqui no Brasil, pois isto não é da sua cultura e nem da sua tradição milenar.

Existe na cultura Baniwa que explica isso, por exemplo, na criação do mundo havia disputa entre seres vivos em relação ao quem seriam humanos e animais. E o nosso herói Ñapirikoli conquistou o nosso direito de sermos “humanos”, newikinai em Baniwa, outros como “iitsirinai”, animais. Mas eles, animais, são como nós, pessoas em espíritos, ambos não podem se enxergar entre si como humanos, quando isso acontece, provoca doenças, conflitos.

Na terra dos povos indígenas existem muitos viventes diversos com diferentes funções que equilibra e maneja um sistema de vida incluindo humanos e animais. Muitos subsistemas macros e micros ajudam exemplificar claramente isso, por exemplo, uma serra, uma montanha, pedra, cachoeira, morro, lago e etc são lugares de viventes responsáveis pela reprodução segundo as espécies de animais, peixes e outros seres fundamentais.

Estes lugares têm conexões entre si, tem caminhos entre si, são mapeados e reconhecidos pelos povos indígenas, fazendo parte do seu sistema de manejo tradicional para sua segurança alimentar, mas que a religião, capitalismo e Estado Nacional irresponsavelmente detonaram como os Americanos detonaram o Japão em Hiroshima e Nagasaki em 1945 na Segunda Guerra Mundial, só que aqui no Brasil através de crenças impostas sobre os povos indígenas e agora em muitos lugares tornaram-se escassos, consequências de contato, prejuízo aos povos indígenas em suas terras.

As terras indígenas não são aquelas que foram conquistadas através de guerras de dominação sobre os outros. As terras indígenas são aquelas que foram herdadas pelo ser criador do mundo e da terra

As terras indígenas não são aquelas que foram conquistadas através de guerras de dominação sobre os outros. As terras indígenas são aquelas que foram herdadas pelo ser criador do mundo e da terra. O Ñapirikoli que veio habitar a terra organizou e distribuíram as terras segundo clã do povo Baniwa, lá você encontra nas pedras em formas de desenhos (petróglifos) as marcas de cada clã no início ao fim de um território entre si, que forma tradicionalmente território maior do povo Baniwa e Koripako hoje em dia, dentro da Terra Indígena Alto Rio Negro demarcado e homologado oficialmente pelo governo federal em 1997 e 1998.

A América era toda terra indígena, o Brasil era toda terra indígena, todos os estados e municípios no Brasil eram todas terras indígenas. Mas depois mais de 500 anos de contato restam hoje apenas 13% do território nacional para garantir o seu ser, mas tem mais de 20% dos brasileiros representados nas instancias de Poder do Estado Brasileiro lutando para acabarem estes direitos de demarcar terras indígenas, retirar direitos sobre as terras indígenas garantidos na Constituição de 1988.

Os direitos indígenas originários sobre suas terras é sim, verdade. E é assim mesmo que tem que ser, pelo menos tenha respeito aos habitantes anteriores a esta terra hoje chamado Brasil.

A terra tem sido ameaçada pelo homem sempre, desde origem da humanidade. Hoje a consequência irresponsável da humanidade, dos cientistas, mercado e dos governos no mundo está vindo como mudanças climáticas como reação da natureza contração ação do homem predador inclusive sobre outros diferentes humanos sem culpa.

Ninguém, mas ninguém escapará da vingança da natureza que estão também sendo afetados pelas mudanças climáticas. Apesar deste anuncio apocalíptico ao mundo, aos homens das terras, se fazem de surdo, se fazem de que está tudo bem, ai que está o perigo, segundo profecia do povo Baniwa, neste momento muito cuidado, esse erro tem consequência, que é o fim dos seres viventes na terra. E nascerão outros depois disso?

André Baniwa é Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)  na gestão 2017-2020 e Auxiliar Técnico em Desenvolvimento e Pesquisa Socioambiental (ISA-PRN).

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social do Bem Viver no noroeste da Amazônia Brasileira

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social vai acontecer na comunidade Tunui Cachoeira entre 21 a 24 de Setembro de 2016, na Terra Indígena Alto Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Os Baniwa e Koripakos estão organizados 83 comunidades e sítios, 11 associações, uma coordenadoria filiadas a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro, pertencentes a família linguística Aruak, são mais 6.200 pessoas no Brasil.

1 – Bem-Viver: reorganização social, patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental
Porque Conferência do povo Baniwa e Koripako? Esta é uma nomenclatura de evento com que se pretende diferenciar-se dos demais que vem se realizando como assembléias, encontros, seminários e oficinas nos últimos três décadas. É uma conferência autônoma para marcar que vai tratar de uma decisão do povo, neste caso, dos povos Baniwa e Koripako segundo Convenção 169 da OIT. Refere-se também para analisar o tempo, o processo que estes povos vêm desenvolvendo desde 1984, ou seja, nos últimos 32 anos no Rio Negro. O que aconteceu nesse período, ou melhor, o que o povo Baniwa e Koripako conquistou neste período?
A conferência vai avaliar como vem sendo reconstrução do seu Bem-Viver depois de contato com homens Brancos. O Bem Viver culturalmente ou tradicionalmente esse termo tem sido usado constantemente em suas assembléias, encontros, oficinas e etc se referindo aos seus projetos nos últimos tempos, mas também ela é de uso diário em suas vidas e em busca dela tem passado por meio dos seus projetos, atividades, programa e na organização social que vem desde primeira participação da I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do rio Negro em 1984.
A criação da primeira associação foi em 1989, extinta em 1999. A segunda associação foi criada em 1992, a partir da qual se organizou mais comunidades em associações. Em 2001 fez se primeira avaliação, avaliava se valia apena estar organizados em associação que foi bastante positiva. No ano de 2002 criou-se uma coordenadoria para melhorar trabalhos das associações. No ano 2014 criou-se Conselho Baniwa e Koripako Kaaly para cuidar da política e gestão do Patrimônio Cultural e forçou entendimento para que este ano em maio de 2016 aprovasse a criação de uma organização representativa.
Com a finalidade de efetivar esta decisão, esta conferência vai discutir e aprovar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako, com nome e eleger sua diretoria executiva que vai elaborar seu estatuto a ser discutido e aprovado em sua primeira assembléia geral. Por isso chamamos de reorganização social Baniwa e Koripako, por que apenas vai fortalecer as associações já existentes envolvendo-as junto nos assuntos maiores de interesse e objetivos do povo.
Esta organização representativa é muito importante para enfrentar os desafios do Patrimônio Cultural, desafios do desenvolvimento sustentável, desafios na implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e afluentes em elaboração. Ela será fundamental para discutir e definir as estratégias de sustentabilidade do povo Baniwa e Koripako.
Além disso, o protocolo de Consulta de consentimento prévio e informado será elaborado através desta organização representativa do povo Baniwa e Koripako como forma de proteção e garantir o bem-viver. Resolverá o principal problema – quem decide pelo povo Baniwa e Koripako? Esta será forma organizada e unificada de decisão das associações e comunidades que em conjunto representará decisões coletivas do povo Baniwa e Koripako.
A organização representativa do povo vem sendo discutido desde ano de 2011 na assembléia na comunidade Tunui Cachoeira. Tem sido a proposta a ser desenvolvido. Depois no ano seguinte na comunidade Castelo Branco no ano de 2012. Na oportunidade de Criação do Conselho também foi lembrado desta necessidade em 2014. Finalmente agora em Maio de 2016 foi aprovado na assembléia para criar esta associação representativa do povo Baniwa e Koripako sob entendimento da garantia da governança sobre território do Içana e afluentes considerando desafios em Patrimônio Cultural, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, alternativas econômicas, educação, saúde e de modo geral políticas públicas.

2 – Bem-Viver: ensino e aprendizagem nas escolas Baniwa e Koripako
Na década de 70 e 80 o povo Baniwa e Koripako sofreu invasão de suas terras com falsas promessas e exploração de suas riquezas principalmente nos garimpos de ouro que alterou negativamente a vida das comunidades no Içana e afluentes.
Contra invasão e seus impactos negativo, o povo Baniwa através de seus representantes na I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Rio Negro definiram a escolaridade do seu povo como meta em longo prazo a ser perseguido com objetivo de criar diálogo com não indígenas e não serem mais enganado. Esta decisão foi importante, pois na época em comparação com as outras regiões do Rio Negro que já tinham escolaridade avançada e os Baniwa e Koripako não tinham praticamente nada de escolaridade que fizesse ter entendimento melhor da sociedade nacional.
Foi a partir desta decisão política que se lutou para ter mais escolas nas comunidades Baniwa e Koripako, levar professores não falantes da língua Baniwa e Koripako de outras etnias a fim de lecionar nestas escolas. Mas não eram suficientes, aos poucos foram se organizando para conhecer melhor seus direitos quando se tomou decisão política de criar a sua própria escola em 1997. A escola própria começou a funcionar no ano de 2000. Este teve impacto político muito grande no poder público de modo que acelerou mais criação de mais escolas nas comunidades, escolas de ensino fundamental completo, ensino médio com anexos e na atualidade tem mais 4 escolas de ensino médio em processo de busca de reconhecimento no Estado do Amazonas.
A luta do povo Baniwa e Koripako na escolaridade teve virada junto com o novo milênio. Pela primeira vez se tinha professores em magistério indígena, daí vem tendo mais magistério II e III. Atualmente já se tem professores com graduação em cursos interculturais, outros em formação, precisando ainda formação no mestrado e doutorado, além de anualmente ter formaturas de estudantes no ensino fundamental completo e no ensino médio a partir do ano de 2012.
Nos lugares de professores que vinham sendo de outras etnias não falantes Baniwa e Koripako hoje são ocupadas pelos professores das próprias comunidades.
Quando se definiu adotar a escolaridade como um dos que podia ajudar o povo em sua defesa, garantia de melhoria de vida, viver bem, deveria ter sido a considerar os conhecimentos interculturais, que a escola indígena fosse feita na realidade de vida das comunidades que significava em linguagem oficial de escolas profissionalizantes.
A realização desta I Conferencia da educação e organização social do Povo Baniwa e Koripako são muito importantes porque além de reunir diversas personalidades de lideranças de associações, professores, técnicos em agente comunitário de saúde indígena, lideranças comunitárias, conhecedores da tradição e da cultura, mulheres manejadora do sistema agrícola tradicional Baniwa e Koripako Kaaly, vai levar a decisão política do povo reunido sobre novas diretrizes gerais para educação escolar indígena Baniwa e Koripako que promova melhoria e aperfeiçoamento de ensino e aprendizagem de estudantes nas comunidades e nas Escolas. Vai também colocar em prática a decisão da assembléia de Maio de 2016 em criar a organização representativa do povo Baniwa e Koripako.

Programação da I Conferência Baniwa e Koripako sobre educação e organização social para o Bem-Viver
21 a 24 de Setembro de 2016 na comunidade Tunui Cachoeira – Médio Içana

20 de Setembro de 2016
– chegada de participantes na comunidade Tunui Cachoeira;
– abertura a noite com apresentações culturais e discursos sobre expectativas;

21 de Setembro de 2016
Manhã
Palestra sobre temática do Bem-viver, cultura e o patrimônio cultural Baniwa e Koripako.
a) Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo, Thiago Pacheco, Francineia e Madalena;
b) Debatedores Jovens – Dario Casimiro, Plinio Marcos, Genilton Apolinario, Maria Lilane Fontes;
c) Debatedores Idosos da tradição – Fernando Jose, Julio Cardoso, Roberto Paiva, Pedro Francisco, Celestino Benjamim, Chico Davila.
d) Debates em públicos (questionamentos e esclarecimentos).

Almoço

Tarde
– GT para definição dos conceitos Baniwa e Koripako;
– Exposição dos trabalhos de Gts e a sua discussão de consenso;
– Resumo e aprovação dos conceitos

22 de Setembro de 2016
Manhã
Palestras sobre processo histórico da luta
– Os últimos 32 anos de Educação Baniwa e Koripako processo próprio de aprendizagem na educação escolar indígena.
Palestrantes: Andre Baniwa, Dzoodzo
Debatedores – Daniel Benjamim, Isaias Fontes, Horipio Pacheco, Madalena Paiva.

– Palestra sobre experiências Baniwa e Koripako em Desenvolvimento Local Sustentável e empreendedorismo;
Palestrantes: Dzoodzo, Joaozinho, Orlandino Fontes, Genilton Apolinario;
Debatedores: Isaias Fontes, Tadeu Garrido, Ronaldo Apolinario.

– Apresentação dos projetos de Pesquisa de Estudantes e proposta de trabalho da UNIB junto ao povo Baniwa (Estudantes Baniwa e professores UNB);

Tarde
– Relato de experiências de gestão escolar Baniwa e Koripako e sobre ensino e aprendizagem nas escolas (ensino fundamental completo e ensino médio – salas anexos); (Escola Pamãali, Escola Kayaakapali, Escola Eeno Hiepole, Escola Maadzero, Escola Kariama, Escola Barekeniwa)
– Palestra sobre panorama das escolas e ensino nas microrregiões de acordo com atuação dos APIs (Professor API Eliaque Dionisio, Dario Casimiro, Augusto Garcia, Horipio Pacheco, Hilario Fontes e Jaime Lopes);
– Organizar GTs para identificação de avanços, dificuldades e problemas enfrentada na educação escolar Baniwa e Koriako e elaboração das propostas para governos e organização própria.

23 de Setembro de 2016
Manhã
– Trabalho de Grupos de discussão das propostas de diretrizes gerais para escolas Baniwa e Koripako; gestão de educação próprio, do município e do Estado, e; reivindicações para melhoria da educação escolar indígena Baniwa e Koripako com Governo Municipal e com Governo do Estado do Amazonas;
– Apresentação sistematizada dos resultados dos Gts e discussão em plenário;

Almoço

Tarde
– Apresentação do documento final da Conferencia sobre educação escolar Baniwa e Koripako;
– Discussão e melhoria do documento;
– Leitura de documento traduzido em língua Baniwa, Koripako, Ñegatu/Nhengatu/Lingua Geral, Espanhol e Portuguesa
– Aprovação do documento final e assinatura.

24 de Setembro de 2016
Manhã
– Palestra sobre proposta de reorganização do povo Baniwa e Koripako aprovado na assembleia da Cabc
Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo;
Debatedores: os participantes

Almoço

Trade
– Apresentação do rascunho da proposta de estatuto.
– Gts para discussão, melhoria e aprovação da proposta.
– Eleição da Diretoria da organização representativa do povo Baniwa e Koripako;

– Noite: encerramento final com noite cultural

Por André Baniwa – Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)

Educação Escolar: Criança Baniwa se acidenta em carteira escolar no Rio Ayarí

Escolar de Canadã

Carta elaborada pela VI Assembleia Geral da Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco – CABC sobre a situação e precariedade das estruturas físicas das escolas nas comunidades na região do Içana.

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Nós representantes dos povos Baniwa e Koripaco, reunidos na VI Assembleia Geral sub-regional Eletiva do Içana e afluentes, ocorrida entre os 19 a 21 de maio de 2016, na comunidade de Assunção do Içana, somando um total de 260 pessoas entre lideranças de associações, delegados indicados pelas comunidades e demais participantes de várias categorias, vimos através deste manifestar a nossa insatisfação quanto aos descasos da Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira, quanto ao atendimento da Educação Escolar Indígena nas comunidades indígenas da região do rio Içana.

Os relatos de professores e lideranças apresentados na assembleia demonstrou notadamente que as escolas das comunidades apresentam-se com estruturas comprometidas, não se tem prédios escolares, precisa-se de novas construções, reformas e ampliações. Embora o papel das comunidades não seja de construir prédios das escolas, com o propósito de manter em funcionamento as atividades escolares nas comunidades, os comunitários juntamente com a escola constroem espaços para que os estudantes possam estudar em ambientes que possibilite a sua formação da forma como deveria ser realizada pela SEMEC. Mais uma vez ressaltamos que isso não é de responsabilidade da comunidade e sim do poder público.

Além da infraestrutura inadequada, existe atraso na entrega de materiais de expedientes, materiais didáticos e merenda escolar. A razão da nossa insatisfação se deve também pelas escolas da região do rio Içana, não ter recebido até a presente data, nenhum material didático e merenda escolar. Além disso, neste ano de 2016 a cota de gasolina do Programa Nacional de Assistência ao Transporte Escolar (PNAT) não foi repassado, comprometendo o deslocamento dos estudantes das suas comunidades até as escolas onde frequentam as aulas. Associado a essas problemáticas afirmamos que as escolas não têm recebido fardamento escolar, kits de cozinha, carteiras escolares entre outros.

Com relação às carteiras escolares, informamos que a falta destes são parte da maioria das reclamações dos comunitários e àqueles que se encontram nas poucas escolas que encontram na região, não estão em condições de uso. O caso mais grave aconteceu na Escola Municipal Indígena Tiradentes, onde a criança se acidentou por cima do parafuso que se encontrava exposto na parte do tablado que servia de apoio do caderno (foto acima).

Diante do exposto, encaminhamos para V. Sa esta carta para que sejam tomadas as devidas providencias.

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Prédio Escolar da comunidade Uaupuí Cachoeira – Rio Ayarí

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Coordenador da Escola Municipal Tiradentes, com recursos próprios e com ajuda da comunidade faz cadeiras para os estudantes. 

 

 

 

Os Povos Baniwa e Koripako escolhem seus novos dirigentes no movimento indígena do Rio Negro

Eleição de Autogoverno Baniwa e Koripako 2016

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Por André Baniwa – Presidente da OIBI

Atualmente e a partir de direitos indígenas na Constituição de 1988 que incluiu direitos indígenas, os povos indígenas podem constituir governo próprio. O governo próprio dos povos indígenas é um termo usado também pela Fundação Getúlio Vargas. Artigo 232 é o que dá base legal para formação da associação para defender os interesses, objetivos e direitos indígenas no Brasil. A cada 4 anos uma associação troca seus diretores executivos aqui no Rio Negro segundo seus estatutos.

O povo Baniwa e Koripako já completam 25 anos de experiências de trabalho através das associações com alguns avanços muito importantes na educação, alternativas econômicas, divulgação do patrimônio cultural e etc… Nestes dias aconteceu assembleia da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako com objetivo de discutir seus desafios no campo do Patrimônio Cultural, Gestão Territorial e Ambiental da sua tradicional território na Terra Indígena Alto Rio Negro, demarcado e homologado em 1997 e 1998. Esta mesma assembleia também escolheu seu representante para próximos 4 anos na Diretoria Executiva da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. A Coordenadoria renovou sua diretoria também.

O atual Diretor-representante Baniwa e Koripako na Diretoria Executiva da FOIRN, o senhor Isaias Pereira Fontes foi reeleito. A renovação da Diretoria Executiva da CABC trouxe novidade. É pela primeira vez depois de 16 anos da criação da escola própria Baniwa e Koripako é que a maioria dos dirigentes serão os que tiveram formação na Escola Indígena Baniwa e Koripako – EIBC Pamáali. O coordenador será aquele considerado o mais treinado, que coordenará equipe (Juvêncio Cardoso – Coordenador, Dário Casimiro – Vice Coordenador, Helton Benjamim – Secretário e Plínio Marcos – Tesoureiro). O futuro coordenador foi um dos primeiros estudantes que se formaram no projeto próprio Baniwa de escola. Escola que vem sendo reconhecido aos poucos. No início deste ano de 2016 recebeu do MEC o reconhecimento como referencia na educação básica como escola de criatividade e inovação.

Os desafios e perspectivas feitos sobre Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako incluiu Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, Subsistemas Agrícolas do Rio Negro, Sistema Agrícola Baniwa e Koripako e Conselho Baniwa e Koripako Kaaly criado em 2014 como espaço de governança e que foram proferidos em forma de palestra pelo André Baniwa Presidente da Oibi – Associação Indígena da Bacia do Içana e Assistente da Coordenação Regional do Rio Negro – FUNAI. A Gestão Territorial e Ambiental também foi proferida pelo mesmo, pois é um dos Coordenadores na Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes.

O plenário da assembleia depois de discussões e esclarecimentos dentro deste contexto foi apresentado e aprovado às propostas para próximos anos de 2017-2020 que baseará Planos de Trabalhos da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

 

Planejamento do povo Baniwa e koripako na assembléia da CABC e da FOIRN na comunidade de Assunção do Içana

19 a 21 de Maio de 2016 na Maloca Madzerokai.

PARA PRÓXIMOS ANOS (2017-2020):

  1. Organização Social

– Criar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako com objetivo de fortalecer e melhorar desenvolvimento de atividades que promovam o bem-viver nas comunidades; reorganizar atividades regionais em forma de programas (incluindo no seu organograma  como educação, economia ou sustentabilidade, políticas públicas e etc);

– Fortalecer as associações Baniwa e Koripakos com projetos maiores;

– Cada associação Baniwa e Koripako deve avaliar seus processos de crescimento, dificuldades e refletir sobre suas experiências junto as suas comunidades associadas como processo de refortalecimento político;

– Compartilhar entre si as experiências de associações Baniwa e Koripako a fim de consolidar uma avaliação do povo sobre tempo de associação;

– Formação para lideranças indígenas sobre a política Baniwa e Koripako, sobre o movimento indígena do Rio Negro, do Amazonas, da Amazônia e dos Continentes; sobre Estado Brasileiro, direitos indígenas e modelos de desenvolvimentos dos Estados Nacionais; sobre diferentes metodologias de trabalhos coletivos; como elaborar planos, programas, projetos e atividades; refletir sobre as políticas públicas aos povos indígenas no Brasil;

– Escrever e publicar livros sobre experiências Baniwa e Koripako como processo de registro de histórias e formação de novas gerações e que possam ser utilizadas nas escolas Baniwa e Koripako;

 

  1. Patrimônio Cultural e Gestão Territorial e Ambiental

– Valorizar os lugares sagrados e mitológicos;

– Valorizar conhecimentos tradicionais (plantas medicinais, medicina tradicional e etc);

– Fortalecer e implantar o Conselho Kaaly;

– Promover os sistemas agrícolas tradicionais dos povos indígenas;

– Promover o sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Promover produtos indígenas Baniwa e Koripako;

– Divulgar Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako a sociedade Brasileira e fora dela;

– Criar Museu Baniwa e Koripako;

– Criar Centro de Referencia Cultural do Povo Baniwa e Koripako na cidade de São Gabriel da Cachoeira;

– Fazer intercâmbios entre Baniwas e Koripakos Brasileiros, Colombianos e Venezuelanos;

– Participar do Comitê Gestor do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro promovido e coordenado pelo IPHAN do Amazonas;

– Elaborar bem o Plano de Gestão e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Elaborar plano, programa, projetos e atividades de médio e em longo prazo;

– Fazer todo levantamento nas comunidades, sistematizar os dados, discutir resultados, elaborar documento do PGTA e publicar o resultado (Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Promover seminário para divulgação do Resultado de pesquisas no âmbito do PGTA e distribuição da publicação do PGTA;

– Associações Baniwa e Koripako farão oficinas para divulgação e educação sobre a importância do PGTA do Içana e Afluentes;

 

  1. Educação Escolar Baniwa e Koripako

– As escolas de ensino fundamental completo e de ensino médio convidarão lideranças indígenas dentro de suas programações a fim de proferir palestras aos estudantes e professores sobre patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental das terras indígenas e etc..

– As escolas farão revisão de seus PPPs a fim de incluir novos conceitos que aparecem no âmbito do Patrimônio Cultural e da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas;

– A CABC e FOIRN farão encontros de formação continuada aos professores, lideranças comunitárias e de associações como forma própria para fortalecer suas instituições e suas autoridades-representantes;

– As escolas continuarão fazer intercâmbios entre si como meio de aperfeiçoamento de suas pedagogias e processo próprio de aprendizagens;

– Os prédios escolares deverão ser priorizados nas reivindicações para que se garantam as suas construções no Içana e Afluentes;

– Lutar pela criação de 4 Escolas de Ensino Médio junto com Governo do Estado do Amazonas inicializado no ano de 2013 a partir de V Encontro de Baniwa e Koripako;

– Lutar mais pela formação em áreas em que não se tenha ainda a especialidade como para Advogado, Contabilista, Engenheiro Florestal, Odontologo, Enfermeiro e Médico.

 

  1. Economia Baniwa e Koripako

– Realizar encontro ou seminário sobre economia indígena Baniwa e Koripako a fim de aprofundar assuntos de geração de renda, produtos indígenas, receitas; discutir estratégias para consolidar a política e desenvolvimento da economia indígena;

– Retomar os trabalhos de produção e comercialização da cestaria de arumã;

– Ampliar e fortalecer a Rede de Casa da Pimenta Jiquitaia Baniwa no Içana e Afluentes;

– Fortalecer e promover os produtos do sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Pesquisar para desenvolvimento de novos produtos a serem experimentados no mercado consumidor como “Wará”;

– Ampliar e diversificar os produtos indígenas como meio de promover renda nas comunidades aos homens e mulheres Baniwa e Koripako;

– Discutir pagamentos por serviços ambientais e outras formas de geração de renda;

– Lutar pela isenção de produtos indígenas junto ao Governo do Estado do Amazonas;

 

  1. Saúde Indígena no Içana e Afluentes

– Valorizar e promover internamente a utilização da medicina tradicional e plantas medicinais;

– Apoiar e fortalecer os agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena;

– Lutar através de reivindicações a construções de Pólos Base de Camarão, Tunui Cachoeira,  São Joaquim e Canadá do Rio Ayari;

– Lutar através de reivindicações a melhoria do serviço permanente de saúde indígena nas comunidades indígenas;

– As associações, escolas, agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena farão mensalmente um relatório a ser enviado para CABC e FOIRN sobre funcionamento dos Pólos Base e serviços de saúde indígenas prestados nas comunidades;

– As comunidades e associações não devem esperar somente de conselheiros locais e regionais para informar a CABC e FOIRN sobre a saúde indígena nas comunidades;

– A CABC e FOIRN encaminharão as reivindicações das comunidades, associações para conhecimento e providencia de autoridades da saúde indígena no Içana;

 

  1. Infraestrutura, logística e tecnologia de informação e comunicação no Içana e Afluentes

– Discutir ou criar uma estrutura de organização da tecnologia de informação e comunicação implementando o meio de comunicação tradicional nas comunidades;

– As associações, escolas e ACIS junto com CABC encaminharão a necessidade de adquirir mais barcos para melhorar o transporte do Içana com Governo Municipal, do Estado e com Governo Federal.

– Lutar para equipar as escolas indígenas de ensino fundamental e médio com internet, biblioteca, videoteca e outros, junto com Governo Municipal, do Estado, Governo Federal e com projetos próprios.

– Lutar e cobrar da política publica a estruturação de transporte terrestre nos pontos estratégicos de difícil acesso (Tunui, Aracu Cachoeira-Matapi/Coracy Cachoeira);

– Organizar e melhorar o meio de comunicação nas comunidades e escolas para facilitar o acesso de informação para os comunitários.

 

 

 

 

 

Agricultores e artesãos do médio Içana criam cooperativa Kaalikattadapa

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Foto: Acervo/Projeto Mawako – reprodução

Mais uma ação realizada no âmbito do Projeto Mawako (saiba mais sobre o projeto). A primeira atividade foi a realização da oficina Encontro de sons para a formação de novas lideranças e valorização cultural, na comunidade Ucuki Cachoeira, em março de 2015.

Em novembro de 2015, foi realizado um encontro, dessa vez, na comunidade Santa Rosa do médio Içana para discussão e estudo dos problemas enfrentados na produção alimentícia e artesanato como geração de renda nas comunidades, afim de atender as necessidades básicas das famílias.

Nesse encontro os moradores da comunidades local e vizinhas, destacaram  que seria necessário diante de todos os problemas enfrentados ao longo dos anos a organização dos agricultores e agricultoras para que fortalecesse a produção, o escoamento e venda de produtos que já produzem, pois ocorria que cada família era responsável pelo escoamento e venda na sede do município, ainda enfrentando na sede a falta de espaço adequado para abastecimento e venda de produtos na sede ou fora do município e a desvalorização dos produtos.

Mais um passo dessa construção foi dado entre os  dias 15 e 16 de abril de 2016, com a realização do II Encontro dos Agricultores e agricultoras Indígenas na comunidade Santa Rosa médio rio Içana, com a participação das comunidades vizinhas: São José, Tapira Ponta e Santa Marta.

Resultado desse encontro, após debates e discussões foi a criação da Cooperativa dos Agricultores, Agricultoras e Artesões indígenas Kalikattadapa – CAIK, com objetivo de coordenar junto com os cooperados os trabalhos de produção de alimentos e artesanatos, buscando junto os meios necessários para minimizar os problemas, valorizando jovens na participação dentro do processo.

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Foto: Acervo/Projeto Mawako – reprodução

O Conselho Administrativo da cooperativa criada é composto por: Marcelino Fontes diretor Presidente, Laurentino diretor vice-presidente e Marino Fontes diretor Secretário.

“Quero Parabenizar a todos os participantes e colaboradores pela iniciativa e promoção de espaço de discussão para junto discutir os problemas enfrentados pelos agricultores, agradecer o capitão da comunidade, vice capitão e senhor Laurentino e todos os participantes das comunidades. Agradecer a participação da Vera Lucia, Honeide Lima, Maria Couto, Ranna que se dispuseram a vim para colaborar junto com os agricultores, deixaram seus lares e familiares para participar conosco deste processo. Agradecer também o Isaias Diretor vice-presidente da FOIRN pelo apoio, a Câmara Municipal, a Diocese de São Gabriel da Cachoeira e a todos que colaboram neste processo em nome dos agricultores estender este agradecimento. Desejo sucesso a todos, a luta continua!”- afirmou Trinho Paiva, coordenador do Projeto Mawako. 

Conheça e faça parte do Projeto Mawako! 

Comunidade Baniwa do Rio Cubate discute criação de uma associação representativa

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Entre 21 a 23 de março, Isaias Fontes diretor da FOIRN, junto com Carlos de Jesus (Coordenador da CABC), Adelina de Assis (Coordenadora do Departamento de Adolescentee e Jovens) e Rosilda Cordeiro (Departamento de Mulheres), estiveram na comunidade Nazaré do Rio Cubate, afluente do Rio Içana, para participar de uma reunião convocada pela comunidade, com objetivo de discutir a criação de uma associação de representação.

Para ajudar na discussão os convidados apresentaram experiências de organizações indígenas já existentes no Rio Negro, bem como a experiência da própria FOIRN. Rosilda Cordeiro, relatou experiências de mais de 10 anos frente a Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa e falou também dos objetivos e ações do Departamento de Mulheres da FOIRN, onde atualmente trabalha.

A Adelina de Assis, coordenadora do DAJIRN falou da importância da participação dos jovens no movimento indígena, e que o foco principal do departamento é incentivar e fortalecer a participação destes no movimento, bem como trabalhar temas voltadas a juventude indígena.

O objetivo de criação de uma associação de acordo com os participantes, é fortalecer ainda mais a participação da comunidade no movimento indígena da região Içana e afluentes, pois, mesmo, pertencendo à Associação Indígena do Baixo do Rio Içana (Aibri), devido a distância e a localização, acaba não participando ativamente do movimento.

O diretor Isaias, falou dos objetivos da federação, suas principais linhas de ações e conquistas em seus 29 anos de existência. E afirmou que, a federação precisa de associações fortalecidas.

O primeiro passo da criação da associação foi dado. A próxima reunião está prevista para o mês de julho, onde, finalmente a criação deverá ser concretizada.

Nota: Rio Cubate é afluente do Rio Içana, que “entra” nas próximidades da comunidade Boa Vista, foz do Içana.