REFLEXÃO BANIWA SOBRE QUESTÃO INDÍGENA NO CONTEXTO DO GOVERNO BOLSONARO

Destacado

Este texto escrito por mim  André Baniwa que foi lido na assembleia extraordinária da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro que aconteceu no período de 14 a 16 de março de 2016 na comunidade de Ilha de Duraka, próximo ao porto de Camanaus no município de São Gabriel da Cachoeira – Amazonas.

Visa refletir sobre a questão central indígena que é a terra, que criador deixou como principal palco para todos os homens do planeta-terra, pois sem ela não se tem lugar para pisar, nenhum homem e nenhum ser vivem no ar ou no vazio. Imaginemos nós que vivemos há milênios nesta terra antes que fosse hoje chamada Brasil.

Outros, os europeus, aqui chegaram dizendo: vocês são animais selvagens, não tem alma, desconhecidos por Deus, sem roupa, e do nada começaram dar nome ao lugar, mais nome, mais outro nome que não tinha nada a ver com nome que se conhecia há milênios pelos povos indígenas, hoje pelo direito reconhecidos como povos nativos ou originários.

Culturalmente essa é a forma de chegar a terra ou na casa de alguém? Que tipo de gente pensa e age assim? Você já pensou no significado dessa forma dos estrangeiros chegar às nossa terra e que continua assim dessa mesma forma depois de mais de 518 anos?

Os europeus que aqui chegaram ao Brasil eram aquelas pessoas que procuravam riquezas para levarem as suas terras. Esta é a razão deles de terem essa visão e ação de ver tudo e aproveitar para si o que é dos outros. Imagino que fizeram primeiro diagnóstico concluindo que os índios não sabiam de nada da cultura mercantilista ocidental e se aproveitaram disso. E tomaram terras dos índios e mais terras dos índios. Mataram índios e mais índios mataram para dominar as terras dos outros, dos índios para se enriquecerem, mais e mais. Quando conseguiram, implantaram projeto definitivo: criaram um ESTADO NACIONAL para dominar de vez e governar para eles mesmos, não para os índios, não para os pobres! Eles gritaram um para outro: vamos transformar índios em escravos e vamos buscar mais outros escravos pretos e vamos construir toda riqueza aqui para nós, os comemoravam, e assim fizeram até hoje, se quer saber!

Neste período de colônia e Estado Nacional do Brasil, o que aconteceu com povos indígenas? Eles aumentaram de população? Deveria, não é, é lógico que sim! Mas ao contrário os povos indígenas diminuíram de milhões para centenas somente. De autônomos para escravizados e tutelados. De cheio de terras para sem terras. De cheio de ensinamentos para esvaziamento de seus conhecimentos e muito forte branqueamento. De ricos culturalmente para cultura totalmente desmatada. De organizados cultural e milenarmente para derrotados, desorganizados. E etc.

Apesar de tudo, se não fosse o fruto da luta de muitos líderes indígenas que doaram as suas vidas, não existiríamos mais hoje, diminuídos, mas existimos, não somos mais milhões como antes, mas voltamos a crescer novamente que corresponde com os direitos conquistados na última promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, 5 de outubro de 1988.

O destino que nos esperava ditado pelo Estado Brasileiro era o fim dos povos indígenas neste Brasil controverso, a data prevista era para que nenhum indígena existisse mais neste novo milênio, neste século XXI. Você consegue imaginar que tipo de gente, que tipo de ser humano veio colonizar e nacionalizar esta terra continental dos povos indígenas? Você acha que eles vieram para ajudar? Que eles vieram para amar gentes nativas desta terra? Gente amiga, parenta ou parceiro consegue pensar assim do seu próximo? Que tipo de gente ou ser humano consegue pensar assim? Qual é a função exata de um Estado Nacional com sua nação?

Depois de direitos fundamentais conquistados na Constituição Federal de 1988, novamente estamos vivendo história onde os dirigentes do Estado Nacional Brasileiro quer destruir com todos os direitos indígenas sempre com os mesmos argumentos desde lá de tal de descobrimento do Brasil. Eles não souberam gerir ou manejar as terras que tomaram dos povos indígenas. Para eles quanto mais desmatar é melhor, é mais riqueza, mais significado de trabalho para eles. Quem não desmatar como eles, eles acham que é preguiçoso, que tem muita terra improdutiva, que todo isso é impedimento ou barreira para desenvolvimento e tal de progresso que tantos defendem. Parece que o objetivo ou função social principal do Estado Brasileiro é ficar rico poderoso mais que os outros, ou seja, não se foca no bem-estar da sua nação, não tem nada de buscar bem viver do seu povo.

O governo atual é dos contra aos direitos indígenas, durante sua vida toda vem pensando e falando contra; durante a campanha toda vem declarando que é contra os povos indígenas; e iniciou seu governo esquartejando a gestão de política indigenista do Estado Brasileiro, é uma bagunça para inviabilizar os direitos indígenas; quer se livrar da questão indígena propondo municipalizar saúde indígena que não vai funcionar; quer liberar as terras indígenas para arrendamento aos empresários de agricultura; quer liberar as terras indígenas para exploração de riquezas minerais sem consultar indígenas ou sem que a consulta direcione qualquer projetos. Todos e todas sabem que isso é um agir do presidente da república, que é sempre inconstitucional!

Desta forma só dá para concluir que ele é inimigo número 1 dos povos indígenas, ele não é governo do Brasil, ele é inimigo da nação Brasileira como todo. Um governo que visa bem estar da sua nação não agiria como está fazendo que seja desconstruir “as politicamente corretas” onde estamos inseridos, ele quer políticas incorretas ou inconstitucionais; o lema da sua campanha e de seu governo é falso-verdadeiro e verdadeiro-falso que soa bem para alguns, mas é uma pegadinha de destruição na nação brasileira.

O que fazer? Como fazer? Qual estratégia? Pensem e tomem suas decisões para garantir as futuras gerações como fizeram os nossos antepassados que garantiram o nosso presente de hoje. A coisa está na sua mão!B612_20160121_204934

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social do Bem Viver no noroeste da Amazônia Brasileira

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social vai acontecer na comunidade Tunui Cachoeira entre 21 a 24 de Setembro de 2016, na Terra Indígena Alto Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Os Baniwa e Koripakos estão organizados 83 comunidades e sítios, 11 associações, uma coordenadoria filiadas a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro, pertencentes a família linguística Aruak, são mais 6.200 pessoas no Brasil.

1 – Bem-Viver: reorganização social, patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental
Porque Conferência do povo Baniwa e Koripako? Esta é uma nomenclatura de evento com que se pretende diferenciar-se dos demais que vem se realizando como assembléias, encontros, seminários e oficinas nos últimos três décadas. É uma conferência autônoma para marcar que vai tratar de uma decisão do povo, neste caso, dos povos Baniwa e Koripako segundo Convenção 169 da OIT. Refere-se também para analisar o tempo, o processo que estes povos vêm desenvolvendo desde 1984, ou seja, nos últimos 32 anos no Rio Negro. O que aconteceu nesse período, ou melhor, o que o povo Baniwa e Koripako conquistou neste período?
A conferência vai avaliar como vem sendo reconstrução do seu Bem-Viver depois de contato com homens Brancos. O Bem Viver culturalmente ou tradicionalmente esse termo tem sido usado constantemente em suas assembléias, encontros, oficinas e etc se referindo aos seus projetos nos últimos tempos, mas também ela é de uso diário em suas vidas e em busca dela tem passado por meio dos seus projetos, atividades, programa e na organização social que vem desde primeira participação da I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do rio Negro em 1984.
A criação da primeira associação foi em 1989, extinta em 1999. A segunda associação foi criada em 1992, a partir da qual se organizou mais comunidades em associações. Em 2001 fez se primeira avaliação, avaliava se valia apena estar organizados em associação que foi bastante positiva. No ano de 2002 criou-se uma coordenadoria para melhorar trabalhos das associações. No ano 2014 criou-se Conselho Baniwa e Koripako Kaaly para cuidar da política e gestão do Patrimônio Cultural e forçou entendimento para que este ano em maio de 2016 aprovasse a criação de uma organização representativa.
Com a finalidade de efetivar esta decisão, esta conferência vai discutir e aprovar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako, com nome e eleger sua diretoria executiva que vai elaborar seu estatuto a ser discutido e aprovado em sua primeira assembléia geral. Por isso chamamos de reorganização social Baniwa e Koripako, por que apenas vai fortalecer as associações já existentes envolvendo-as junto nos assuntos maiores de interesse e objetivos do povo.
Esta organização representativa é muito importante para enfrentar os desafios do Patrimônio Cultural, desafios do desenvolvimento sustentável, desafios na implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e afluentes em elaboração. Ela será fundamental para discutir e definir as estratégias de sustentabilidade do povo Baniwa e Koripako.
Além disso, o protocolo de Consulta de consentimento prévio e informado será elaborado através desta organização representativa do povo Baniwa e Koripako como forma de proteção e garantir o bem-viver. Resolverá o principal problema – quem decide pelo povo Baniwa e Koripako? Esta será forma organizada e unificada de decisão das associações e comunidades que em conjunto representará decisões coletivas do povo Baniwa e Koripako.
A organização representativa do povo vem sendo discutido desde ano de 2011 na assembléia na comunidade Tunui Cachoeira. Tem sido a proposta a ser desenvolvido. Depois no ano seguinte na comunidade Castelo Branco no ano de 2012. Na oportunidade de Criação do Conselho também foi lembrado desta necessidade em 2014. Finalmente agora em Maio de 2016 foi aprovado na assembléia para criar esta associação representativa do povo Baniwa e Koripako sob entendimento da garantia da governança sobre território do Içana e afluentes considerando desafios em Patrimônio Cultural, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, alternativas econômicas, educação, saúde e de modo geral políticas públicas.

2 – Bem-Viver: ensino e aprendizagem nas escolas Baniwa e Koripako
Na década de 70 e 80 o povo Baniwa e Koripako sofreu invasão de suas terras com falsas promessas e exploração de suas riquezas principalmente nos garimpos de ouro que alterou negativamente a vida das comunidades no Içana e afluentes.
Contra invasão e seus impactos negativo, o povo Baniwa através de seus representantes na I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Rio Negro definiram a escolaridade do seu povo como meta em longo prazo a ser perseguido com objetivo de criar diálogo com não indígenas e não serem mais enganado. Esta decisão foi importante, pois na época em comparação com as outras regiões do Rio Negro que já tinham escolaridade avançada e os Baniwa e Koripako não tinham praticamente nada de escolaridade que fizesse ter entendimento melhor da sociedade nacional.
Foi a partir desta decisão política que se lutou para ter mais escolas nas comunidades Baniwa e Koripako, levar professores não falantes da língua Baniwa e Koripako de outras etnias a fim de lecionar nestas escolas. Mas não eram suficientes, aos poucos foram se organizando para conhecer melhor seus direitos quando se tomou decisão política de criar a sua própria escola em 1997. A escola própria começou a funcionar no ano de 2000. Este teve impacto político muito grande no poder público de modo que acelerou mais criação de mais escolas nas comunidades, escolas de ensino fundamental completo, ensino médio com anexos e na atualidade tem mais 4 escolas de ensino médio em processo de busca de reconhecimento no Estado do Amazonas.
A luta do povo Baniwa e Koripako na escolaridade teve virada junto com o novo milênio. Pela primeira vez se tinha professores em magistério indígena, daí vem tendo mais magistério II e III. Atualmente já se tem professores com graduação em cursos interculturais, outros em formação, precisando ainda formação no mestrado e doutorado, além de anualmente ter formaturas de estudantes no ensino fundamental completo e no ensino médio a partir do ano de 2012.
Nos lugares de professores que vinham sendo de outras etnias não falantes Baniwa e Koripako hoje são ocupadas pelos professores das próprias comunidades.
Quando se definiu adotar a escolaridade como um dos que podia ajudar o povo em sua defesa, garantia de melhoria de vida, viver bem, deveria ter sido a considerar os conhecimentos interculturais, que a escola indígena fosse feita na realidade de vida das comunidades que significava em linguagem oficial de escolas profissionalizantes.
A realização desta I Conferencia da educação e organização social do Povo Baniwa e Koripako são muito importantes porque além de reunir diversas personalidades de lideranças de associações, professores, técnicos em agente comunitário de saúde indígena, lideranças comunitárias, conhecedores da tradição e da cultura, mulheres manejadora do sistema agrícola tradicional Baniwa e Koripako Kaaly, vai levar a decisão política do povo reunido sobre novas diretrizes gerais para educação escolar indígena Baniwa e Koripako que promova melhoria e aperfeiçoamento de ensino e aprendizagem de estudantes nas comunidades e nas Escolas. Vai também colocar em prática a decisão da assembléia de Maio de 2016 em criar a organização representativa do povo Baniwa e Koripako.

Programação da I Conferência Baniwa e Koripako sobre educação e organização social para o Bem-Viver
21 a 24 de Setembro de 2016 na comunidade Tunui Cachoeira – Médio Içana

20 de Setembro de 2016
– chegada de participantes na comunidade Tunui Cachoeira;
– abertura a noite com apresentações culturais e discursos sobre expectativas;

21 de Setembro de 2016
Manhã
Palestra sobre temática do Bem-viver, cultura e o patrimônio cultural Baniwa e Koripako.
a) Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo, Thiago Pacheco, Francineia e Madalena;
b) Debatedores Jovens – Dario Casimiro, Plinio Marcos, Genilton Apolinario, Maria Lilane Fontes;
c) Debatedores Idosos da tradição – Fernando Jose, Julio Cardoso, Roberto Paiva, Pedro Francisco, Celestino Benjamim, Chico Davila.
d) Debates em públicos (questionamentos e esclarecimentos).

Almoço

Tarde
– GT para definição dos conceitos Baniwa e Koripako;
– Exposição dos trabalhos de Gts e a sua discussão de consenso;
– Resumo e aprovação dos conceitos

22 de Setembro de 2016
Manhã
Palestras sobre processo histórico da luta
– Os últimos 32 anos de Educação Baniwa e Koripako processo próprio de aprendizagem na educação escolar indígena.
Palestrantes: Andre Baniwa, Dzoodzo
Debatedores – Daniel Benjamim, Isaias Fontes, Horipio Pacheco, Madalena Paiva.

– Palestra sobre experiências Baniwa e Koripako em Desenvolvimento Local Sustentável e empreendedorismo;
Palestrantes: Dzoodzo, Joaozinho, Orlandino Fontes, Genilton Apolinario;
Debatedores: Isaias Fontes, Tadeu Garrido, Ronaldo Apolinario.

– Apresentação dos projetos de Pesquisa de Estudantes e proposta de trabalho da UNIB junto ao povo Baniwa (Estudantes Baniwa e professores UNB);

Tarde
– Relato de experiências de gestão escolar Baniwa e Koripako e sobre ensino e aprendizagem nas escolas (ensino fundamental completo e ensino médio – salas anexos); (Escola Pamãali, Escola Kayaakapali, Escola Eeno Hiepole, Escola Maadzero, Escola Kariama, Escola Barekeniwa)
– Palestra sobre panorama das escolas e ensino nas microrregiões de acordo com atuação dos APIs (Professor API Eliaque Dionisio, Dario Casimiro, Augusto Garcia, Horipio Pacheco, Hilario Fontes e Jaime Lopes);
– Organizar GTs para identificação de avanços, dificuldades e problemas enfrentada na educação escolar Baniwa e Koriako e elaboração das propostas para governos e organização própria.

23 de Setembro de 2016
Manhã
– Trabalho de Grupos de discussão das propostas de diretrizes gerais para escolas Baniwa e Koripako; gestão de educação próprio, do município e do Estado, e; reivindicações para melhoria da educação escolar indígena Baniwa e Koripako com Governo Municipal e com Governo do Estado do Amazonas;
– Apresentação sistematizada dos resultados dos Gts e discussão em plenário;

Almoço

Tarde
– Apresentação do documento final da Conferencia sobre educação escolar Baniwa e Koripako;
– Discussão e melhoria do documento;
– Leitura de documento traduzido em língua Baniwa, Koripako, Ñegatu/Nhengatu/Lingua Geral, Espanhol e Portuguesa
– Aprovação do documento final e assinatura.

24 de Setembro de 2016
Manhã
– Palestra sobre proposta de reorganização do povo Baniwa e Koripako aprovado na assembleia da Cabc
Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo;
Debatedores: os participantes

Almoço

Trade
– Apresentação do rascunho da proposta de estatuto.
– Gts para discussão, melhoria e aprovação da proposta.
– Eleição da Diretoria da organização representativa do povo Baniwa e Koripako;

– Noite: encerramento final com noite cultural

Por André Baniwa – Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)

Os Povos Baniwa e Koripako escolhem seus novos dirigentes no movimento indígena do Rio Negro

Eleição de Autogoverno Baniwa e Koripako 2016

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Por André Baniwa – Presidente da OIBI

Atualmente e a partir de direitos indígenas na Constituição de 1988 que incluiu direitos indígenas, os povos indígenas podem constituir governo próprio. O governo próprio dos povos indígenas é um termo usado também pela Fundação Getúlio Vargas. Artigo 232 é o que dá base legal para formação da associação para defender os interesses, objetivos e direitos indígenas no Brasil. A cada 4 anos uma associação troca seus diretores executivos aqui no Rio Negro segundo seus estatutos.

O povo Baniwa e Koripako já completam 25 anos de experiências de trabalho através das associações com alguns avanços muito importantes na educação, alternativas econômicas, divulgação do patrimônio cultural e etc… Nestes dias aconteceu assembleia da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako com objetivo de discutir seus desafios no campo do Patrimônio Cultural, Gestão Territorial e Ambiental da sua tradicional território na Terra Indígena Alto Rio Negro, demarcado e homologado em 1997 e 1998. Esta mesma assembleia também escolheu seu representante para próximos 4 anos na Diretoria Executiva da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. A Coordenadoria renovou sua diretoria também.

O atual Diretor-representante Baniwa e Koripako na Diretoria Executiva da FOIRN, o senhor Isaias Pereira Fontes foi reeleito. A renovação da Diretoria Executiva da CABC trouxe novidade. É pela primeira vez depois de 16 anos da criação da escola própria Baniwa e Koripako é que a maioria dos dirigentes serão os que tiveram formação na Escola Indígena Baniwa e Koripako – EIBC Pamáali. O coordenador será aquele considerado o mais treinado, que coordenará equipe (Juvêncio Cardoso – Coordenador, Dário Casimiro – Vice Coordenador, Helton Benjamim – Secretário e Plínio Marcos – Tesoureiro). O futuro coordenador foi um dos primeiros estudantes que se formaram no projeto próprio Baniwa de escola. Escola que vem sendo reconhecido aos poucos. No início deste ano de 2016 recebeu do MEC o reconhecimento como referencia na educação básica como escola de criatividade e inovação.

Os desafios e perspectivas feitos sobre Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako incluiu Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, Subsistemas Agrícolas do Rio Negro, Sistema Agrícola Baniwa e Koripako e Conselho Baniwa e Koripako Kaaly criado em 2014 como espaço de governança e que foram proferidos em forma de palestra pelo André Baniwa Presidente da Oibi – Associação Indígena da Bacia do Içana e Assistente da Coordenação Regional do Rio Negro – FUNAI. A Gestão Territorial e Ambiental também foi proferida pelo mesmo, pois é um dos Coordenadores na Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes.

O plenário da assembleia depois de discussões e esclarecimentos dentro deste contexto foi apresentado e aprovado às propostas para próximos anos de 2017-2020 que baseará Planos de Trabalhos da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

 

Planejamento do povo Baniwa e koripako na assembléia da CABC e da FOIRN na comunidade de Assunção do Içana

19 a 21 de Maio de 2016 na Maloca Madzerokai.

PARA PRÓXIMOS ANOS (2017-2020):

  1. Organização Social

– Criar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako com objetivo de fortalecer e melhorar desenvolvimento de atividades que promovam o bem-viver nas comunidades; reorganizar atividades regionais em forma de programas (incluindo no seu organograma  como educação, economia ou sustentabilidade, políticas públicas e etc);

– Fortalecer as associações Baniwa e Koripakos com projetos maiores;

– Cada associação Baniwa e Koripako deve avaliar seus processos de crescimento, dificuldades e refletir sobre suas experiências junto as suas comunidades associadas como processo de refortalecimento político;

– Compartilhar entre si as experiências de associações Baniwa e Koripako a fim de consolidar uma avaliação do povo sobre tempo de associação;

– Formação para lideranças indígenas sobre a política Baniwa e Koripako, sobre o movimento indígena do Rio Negro, do Amazonas, da Amazônia e dos Continentes; sobre Estado Brasileiro, direitos indígenas e modelos de desenvolvimentos dos Estados Nacionais; sobre diferentes metodologias de trabalhos coletivos; como elaborar planos, programas, projetos e atividades; refletir sobre as políticas públicas aos povos indígenas no Brasil;

– Escrever e publicar livros sobre experiências Baniwa e Koripako como processo de registro de histórias e formação de novas gerações e que possam ser utilizadas nas escolas Baniwa e Koripako;

 

  1. Patrimônio Cultural e Gestão Territorial e Ambiental

– Valorizar os lugares sagrados e mitológicos;

– Valorizar conhecimentos tradicionais (plantas medicinais, medicina tradicional e etc);

– Fortalecer e implantar o Conselho Kaaly;

– Promover os sistemas agrícolas tradicionais dos povos indígenas;

– Promover o sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Promover produtos indígenas Baniwa e Koripako;

– Divulgar Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako a sociedade Brasileira e fora dela;

– Criar Museu Baniwa e Koripako;

– Criar Centro de Referencia Cultural do Povo Baniwa e Koripako na cidade de São Gabriel da Cachoeira;

– Fazer intercâmbios entre Baniwas e Koripakos Brasileiros, Colombianos e Venezuelanos;

– Participar do Comitê Gestor do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro promovido e coordenado pelo IPHAN do Amazonas;

– Elaborar bem o Plano de Gestão e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Elaborar plano, programa, projetos e atividades de médio e em longo prazo;

– Fazer todo levantamento nas comunidades, sistematizar os dados, discutir resultados, elaborar documento do PGTA e publicar o resultado (Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Promover seminário para divulgação do Resultado de pesquisas no âmbito do PGTA e distribuição da publicação do PGTA;

– Associações Baniwa e Koripako farão oficinas para divulgação e educação sobre a importância do PGTA do Içana e Afluentes;

 

  1. Educação Escolar Baniwa e Koripako

– As escolas de ensino fundamental completo e de ensino médio convidarão lideranças indígenas dentro de suas programações a fim de proferir palestras aos estudantes e professores sobre patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental das terras indígenas e etc..

– As escolas farão revisão de seus PPPs a fim de incluir novos conceitos que aparecem no âmbito do Patrimônio Cultural e da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas;

– A CABC e FOIRN farão encontros de formação continuada aos professores, lideranças comunitárias e de associações como forma própria para fortalecer suas instituições e suas autoridades-representantes;

– As escolas continuarão fazer intercâmbios entre si como meio de aperfeiçoamento de suas pedagogias e processo próprio de aprendizagens;

– Os prédios escolares deverão ser priorizados nas reivindicações para que se garantam as suas construções no Içana e Afluentes;

– Lutar pela criação de 4 Escolas de Ensino Médio junto com Governo do Estado do Amazonas inicializado no ano de 2013 a partir de V Encontro de Baniwa e Koripako;

– Lutar mais pela formação em áreas em que não se tenha ainda a especialidade como para Advogado, Contabilista, Engenheiro Florestal, Odontologo, Enfermeiro e Médico.

 

  1. Economia Baniwa e Koripako

– Realizar encontro ou seminário sobre economia indígena Baniwa e Koripako a fim de aprofundar assuntos de geração de renda, produtos indígenas, receitas; discutir estratégias para consolidar a política e desenvolvimento da economia indígena;

– Retomar os trabalhos de produção e comercialização da cestaria de arumã;

– Ampliar e fortalecer a Rede de Casa da Pimenta Jiquitaia Baniwa no Içana e Afluentes;

– Fortalecer e promover os produtos do sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Pesquisar para desenvolvimento de novos produtos a serem experimentados no mercado consumidor como “Wará”;

– Ampliar e diversificar os produtos indígenas como meio de promover renda nas comunidades aos homens e mulheres Baniwa e Koripako;

– Discutir pagamentos por serviços ambientais e outras formas de geração de renda;

– Lutar pela isenção de produtos indígenas junto ao Governo do Estado do Amazonas;

 

  1. Saúde Indígena no Içana e Afluentes

– Valorizar e promover internamente a utilização da medicina tradicional e plantas medicinais;

– Apoiar e fortalecer os agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena;

– Lutar através de reivindicações a construções de Pólos Base de Camarão, Tunui Cachoeira,  São Joaquim e Canadá do Rio Ayari;

– Lutar através de reivindicações a melhoria do serviço permanente de saúde indígena nas comunidades indígenas;

– As associações, escolas, agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena farão mensalmente um relatório a ser enviado para CABC e FOIRN sobre funcionamento dos Pólos Base e serviços de saúde indígenas prestados nas comunidades;

– As comunidades e associações não devem esperar somente de conselheiros locais e regionais para informar a CABC e FOIRN sobre a saúde indígena nas comunidades;

– A CABC e FOIRN encaminharão as reivindicações das comunidades, associações para conhecimento e providencia de autoridades da saúde indígena no Içana;

 

  1. Infraestrutura, logística e tecnologia de informação e comunicação no Içana e Afluentes

– Discutir ou criar uma estrutura de organização da tecnologia de informação e comunicação implementando o meio de comunicação tradicional nas comunidades;

– As associações, escolas e ACIS junto com CABC encaminharão a necessidade de adquirir mais barcos para melhorar o transporte do Içana com Governo Municipal, do Estado e com Governo Federal.

– Lutar para equipar as escolas indígenas de ensino fundamental e médio com internet, biblioteca, videoteca e outros, junto com Governo Municipal, do Estado, Governo Federal e com projetos próprios.

– Lutar e cobrar da política publica a estruturação de transporte terrestre nos pontos estratégicos de difícil acesso (Tunui, Aracu Cachoeira-Matapi/Coracy Cachoeira);

– Organizar e melhorar o meio de comunicação nas comunidades e escolas para facilitar o acesso de informação para os comunitários.

 

 

 

 

 

Pimenta Baniwa na Conexão São Paulo-Biomas, realizado em SP

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Da esq à dir. Beto Ricardo/ISA, André/ATA, Júlia e André Baniwa/Pimenta Baniwa.                 Foto: reprodução 

Ontem, 16 de março, a Conexão São Paulo Biomas, realizado  no Mercado de Pinheiros em São Paulo reuniu representantes de experiências de 4 biomas brasileiras como a Amazônia, Cerrado, Pampas e Mata Atlântica.
A Conexão São Paulo – Biomas é  uma iniciativa do Instituto ATÁ em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Auá, a Central do Cerrado, o grupo Quintana e o Mocotó Café.
Representando a Bioma Amazônia, a Pimenta Baniwa e a cerâmica do Rio Negro foi apresentado  ao público, pelo presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), André Baniwa e a Júlia Fernando – gerente da Casa da Pimenta Tsitsiadoa, localizada nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira (AM).
“Na mesa de conversa falamos sobre a importância e o valor cultural da pimenta para o Povo Baniwa e dos povos indígenas do Rio Negro. Tenho certeza que muitos gostaram da nossa experiência”-disse André.
“No evento teve apresentação de  produtos e experiências desenvolvidas em cada biomas, que proporcionou o compartilhamento de  aprendizagens, dificuldades e problemas enfrentadas. muitos destes comuns entre as experiências apresentadas. Essa iniciativa segundo organizadores é inédita e esperamos que continue dando certo e mais pessoas possam também conhecer e gostar cada vez mais da nossa Pimenta Baniwa”, completa André.
A  inauguração da Conexão São Paulo – Biomas contou, além da cerâmica do Alto Rio Negro e a Pimenta Baniwao, com o Mel dos índios do Xingu e o especialíssimo óleo de pequi dessas populações indígenas, além da cerâmica dos Waujá e dos utensílios de cozinha dos índios Yudjá, que habitam o Parque Indígena do Xingu.A castanha do Pará e a farinha de mesocarpo de Babaçu, dos extrativistas da Terra do Meio  no Pará, e a farinha de mandioca caseira, a banana chips, a taiada e a rapadura, produzidas pelas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira.

MEC reconhece a Escola Pamáali como “instituição de referência para inovação e criatividade na educação básica do Brasil”

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A Escola Baniwa e Coripaco Pamáali recebeu no mês de janeiro deste ano, Certificado de reconhecimento como instituição de referência para Inovação e Criatividade na Educação  Básica, pelo Ministério da Educação – MEC.

Em ofício, a Equipe de Inovação e Criatividade na Educação Básica do MEC parabenizou a iniciativa: “Parabéns pelo trabalho realizado até agora, e continuem no caminho pela melhoria da qualidade de educação básica brasileira”.

O MEC também informou que, foi criado, através da Portaria 1.154 de 23 de dezembro de 2015, a Comissão de Orientação e Acompanhamento da Iniciativa Inovação e Criatividade na Educação Básica, que tem como  uma de suas atribuições, acompanhar o desenvolvimento organizações reconhecidas como inovadoras e criativas.

André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), um dos principais idealizadores do Projeto de Educação Escolar Baniwa e Coripaco, comemorou o reconhecimento: “Compartilhamos com todos, pois todos de uma forma e de outra são cooperadores uns mais intensivo e outros menos, mas igualmente queremos reconhecer e agradecer todo apoio que a Escola Baniwa e Coripaco – Pamáali vem recebendo para desenvolver suas experiencias que finalmente são reconhecidos pelo MEC, mesmo que sem recursos financeiros, mas é um sinal de que estamos no caminho certo, apesar de árdua”.

A escola Pamáali é resultado de um grande movimento das comunidades da região do Içana e afluentes organizadas em grandes encontros e assembleias coordenadas pela Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi), desde 1992.

Implantada em 2000, sua missão é desenvolver a Formação dos cidadãos Baniwa e Coripaco, com metodologia de ensino-pesquisa participativo, com base nos princípios e valores interculturais para serem protagonistas no desenvolvimento sustentável de suas comunidades e na construção da Política de Educação Escolar Indígena no Rio Negro.

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Reconstruindo o projeto Bem-Viver Baniwa e Koripako

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Reunião de lideranças Baniwa na sede do Instituto Socioambienta, em São Gabriel da Cachoeira. Foto: Ray Benjamim

Lideranças Baniwa, membros do Conselho Kaaly, se reuniram no dia 3 de fevereiro em São Gabriel da Cachoeira, para uma conversa sobre o tema ” Rescrevendo o Bem-Viver Baniwa e Koripaco”, com objetivo de avaliar as ações realizadas na região do Içana em 2015 e compartilhar  informações sobre os planejamentos de ações para 2016, bem como discutir e debater temas como a importância dos conhecimentos tradicionais Baniwa e Koripako para o fortalecimento das ações e desenvolvimento de novos projetos na região do Içana.

Conhecimentos Tradicionais e científicos como base para os projetos de desenvolvimento

A apresentação de sínteses de pesquisas acadêmicas realizadas sobre os povos indígenas do Rio Negro e alguns especificamente sobre os Baniwa (e pesquisas feitas por pesquisadores externos, como Robin Wright, Luiza Garnelo  e  pesquisadores Baniwa como Gersen Luciano, Franklin Paulo, Alfredo Brazão e outros) foi feita pelo Juvencio Cardoso  ou Dzoodzo – como ele é chamado pelos Baniwa.

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Juvêncio Cardoso ou Dzoodzo fazendo exposição. Foto: Ray Benjamim

Já existem várias pesquisas acadêmicas sobre o nosso povo e de outros povos indígenas do Rio Negro, precisamos, usar as sugestões e recomendações como base das nossas discussões e debates de nossos projetos, disse Dzoodzo.  Essas pesquisas afirmam e confirmam que os conhecimentos tradicionais são fundamentais para a realização de nossos projetos de desenvolvimento, precisamos considerar estes conhecimentos quando pensarmos em algum projeto para o nosso povo, completa Dzoodzo.

André Baniwa, lembrou durante o debate que esse tem sido um dos pontos importantes considerados nos projetos desenvolvidos pela OIBI, mencionando como exemplo, a Pimenta Baniwa, que tem como base, principalmente os conhecimentos e prática dos povos Baniwa e Koripako.

A construção do projeto Bem-Viver dos Povos Baniwa e Koripaco, de acordo com o debate, deve levar em consideração os dois conhecimentos, especialmente, os conhecimentos tradicionais. “Precisamos pensar juntos e ter como base esses conhecimentos para fortalecer nossos projetos que visam o bem-viver ou viver bem nas nossas comunidades e para o nosso povo”, diz André.

Em 2012, a Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI), recebeu durante o V Encontro Baniwa e Coripaco, realizado na comunidade Castelo Branco, médio Içana, a missão de elaborar o Projeto Manakai do Bem-Viver Baniwa e Koripako,   que propõe o Uso Sustentável da floresta e da biodiversidade no Território Tradicional do povo Baniwa e Koripako. Na época o projeto seria apresentando ao BNDS, porém, por problemas de documentação, não foi possível ser encaminhado, apesar de o projeto ter sido elaborado.

Com início de construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Baniwa e Koripaco em 2015, a ideia é aperfeiçoar o projeto elaborado em 2012, e ampliar a discussão junto com as comunidades no âmbito desse plano.

A reunião teve como tema ” Reconstrução do Bem-Viver Baniwa e Koripako”, porque já teve isso no passado, e precisamos reconstruí-la novamente, mas, dessa vez, precisamos usar os nossos conhecimentos tradicionais e apropriar os conhecimentos científicos necessários.  A elaboração do PGTA Baniwa e Koripako é uma dessas ações. Assim, queremos construir nosso projeto de Viver-Bem, para nós hoje, e para as futuras gerações.

As reuniões podem ser participadas pelos Baniwa interessados em colaborar nas discussões e debates sobre esses temas.

Agenda Içana 2016

  • Assembléia eletiva da CABC/FOIRN – 19 a 21 de Maio– realizar com apoio da FOIRN.
  • VI Encontro de Educação (como está ensino e aprendizagens dos estudantes de filhos Baniwa e Koripako? Como melhorar a formação de professores Baniwa e Koripako?) – 6 a 8 de Julho.
  • Conferência do povo Baniwa e Koripako – 12-15 outubro (Como estamos? O que temos que fazer na Organização Social Baniwa e Koripako?).
  • II Oficina de PGTA – 9 a 12 de Novembro (levantamentos de dados nas comunidades, discussão com pesquisadores indígenas e não indígenas e realização da II Oficina para sistematização dos dados trabalhados).
  • Festival de “Pimenta Baniwa” a ser iniciada na inauguração da Casa da Pimenta Baniwa Takairo na comunidade Canadá, Rio Ayari.

 

Experiência de comercialização da Pimenta Baniwa é tema de intercâmbio na Oficina de Cerâmica em Taracúa, médio Uaupés

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Foto: Rosilda Cordeiro – Departamento de Mulheres/FOIRN

Oficina organizada pela Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa (Amirt) em parceria com o Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e apoiado pela Fundação Nacional do Índio, através da Coordenação Regional do Rio Negro, reuniu entre 11 a 16 de janeiro, em Taracúa, médio Uaupés, artesãs indígenas da etnia Tukano para troca de conhecimentos e produção de peças de cerâmica.

Durante a oficina as participantes produziram várias peças de cerâmicas de todos os modelos, como pratos, penelas e muitos outros.

Além de trocar conhecimentos, e ensinar as técnicas de produção e as narrativas relacionadas ao tema às participantes mais jovens, as organizadoras da oficina, programaram também intercâmbio com outras experiências, como da Pimenta Baniwa.

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André Baniwa na oficina realizado em Taracúa.

Para isso, foi convidado o André Baniwa, presidente da Organização Indígena da Bacia do Rio Içana (Oibi) para contar a experiência Baniwa de organização, e principalmente, o histórico da criação da marca Arte Baniwa e os produtos como a cestaria Baniwa e a Pimenta Baniwa.

 

A ideia do intercâmbio foi fortalecer a iniciativa da Amirt na produção e comercialização dos produtos feitos pelas mulheres da região de Taracúa, que vem sendo feito há vários anos.

“Gostamos muito da experiência, conhecer um pouco mais do trabalho que fazem, e contribuir com nossa experiência, referente, especialmente, no trabalho realizado em todas as etapas da comercialização da Pimenta Baniwa, com certeza irá ajudar no fortalecimento e na organização do trabalho delas”, disse André.

As participantes, em seus depoimentos, afirmaram que é importante que mais intercâmbios sejam realizadas para a troca de experiências e conhecimentos entre as iniciativas de organizações e povos indígenas do Rio Negro.

Em 2015, a Pimenta Baniwa também foi um dos temas de intercâmbio entre Baniwa e representantes do Povo Apiaká, Kayabi e Munduruku quando vieram para o Rio Negro.