Foirn e Funai lançam Abril Cultural Indígena 2017 na maloca em São Gabriel da Cachoeira/Am

Com o tema “Rio Negro, Somos nós que fazemos”, o Abril Cultural Indígena 2017 será aberto oficialmente nesta sexta-feira, 07/04, às 19h30, no Casa do Saber maloca da FOIRN, localizado na Avenida Álvaro Maia, nº 79, centro de São Gabriel da Cachoeira – AM. O evento é organizado pela Federação das Organizações Indígenas do rio […]

via Foirn e Funai lançam Abril Cultural Indígena 2017 nesta sexta-feira, 07/04 — Terra e Cultura

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A relação dos povos indígenas com a terra

Por André Baniwa*

André Baniwa petroglifos do seu clã

André Baniwa – petroglifos do seu clã, no Rio Içana, Terra Indígena Alto Rio Negro/AM. 

A terra para indígena é uma parte de um complexo e completo mundo, hekoapi em Baniwa. A terra é a parte central, metade, do meio do mundo. Para cima da terra tem muitas outras camadas (céus), apakomanai em Baniwa, iarodattinai, lugares de outras vidas, lugares de almas e espíritos de animais, animais como pássaros, macacos, eenonai e outros. A última, acima do sol é do criador do mundo e da terra, ninguém pode vê-lo, somente escuta-lo. Para baixo da terra existe outra camada, Wapinakoa em Baniwa, lugar de ossos dos mortos humanos, talvez inferno.

A terra é de onde os indígenas têm conhecimentos e se relaciona com outras camadas ou céus do mundo tanto para cima e para baixo há milênios.

Da terra os povos nascem, por exemplo, o povo Baniwa, nasce da terra, até hoje existe um lugar chamado de “Hiipana”, eeno hiepolekoa, umbigo do mundo, lá tem uma vagina na cachoeira, de pedra, de onde surgiu, ou nasceu, a humanidade e especificamente o povo Baniwa, seus clãs, distribuição de seus territórios naquela região. Foi daqui que se espalhou a humanidade para lugares distantes, diferentes e diversas partes do mundo.

Por ser assim, nascer da terra, os povos indígenas se relaciona com a terra como “mãe”. E a mãe cuida dos filhos desde concepção, desde nascimento, cuida do crescimento, cuida na vida adulta, cuida durante a velhice quando isso acontece e cuida novamente quando se chega ao final da vida, ao voltar novamente para dentro da terra.

Os povos indígenas tem uma relação de muito respeito com a terra por causa disso. Os que não têm mais esse respeito com a terra por que aprendeu de pessoas estranhas que chegaram aqui no Brasil, pois isto não é da sua cultura e nem da sua tradição milenar.

Os povos indígenas tem uma relação de muito respeito com a terra por causa disso. Os que não têm mais esse respeito com a terra por que aprendeu de pessoas estranhas que chegaram aqui no Brasil, pois isto não é da sua cultura e nem da sua tradição milenar.

Existe na cultura Baniwa que explica isso, por exemplo, na criação do mundo havia disputa entre seres vivos em relação ao quem seriam humanos e animais. E o nosso herói Ñapirikoli conquistou o nosso direito de sermos “humanos”, newikinai em Baniwa, outros como “iitsirinai”, animais. Mas eles, animais, são como nós, pessoas em espíritos, ambos não podem se enxergar entre si como humanos, quando isso acontece, provoca doenças, conflitos.

Na terra dos povos indígenas existem muitos viventes diversos com diferentes funções que equilibra e maneja um sistema de vida incluindo humanos e animais. Muitos subsistemas macros e micros ajudam exemplificar claramente isso, por exemplo, uma serra, uma montanha, pedra, cachoeira, morro, lago e etc são lugares de viventes responsáveis pela reprodução segundo as espécies de animais, peixes e outros seres fundamentais.

Estes lugares têm conexões entre si, tem caminhos entre si, são mapeados e reconhecidos pelos povos indígenas, fazendo parte do seu sistema de manejo tradicional para sua segurança alimentar, mas que a religião, capitalismo e Estado Nacional irresponsavelmente detonaram como os Americanos detonaram o Japão em Hiroshima e Nagasaki em 1945 na Segunda Guerra Mundial, só que aqui no Brasil através de crenças impostas sobre os povos indígenas e agora em muitos lugares tornaram-se escassos, consequências de contato, prejuízo aos povos indígenas em suas terras.

As terras indígenas não são aquelas que foram conquistadas através de guerras de dominação sobre os outros. As terras indígenas são aquelas que foram herdadas pelo ser criador do mundo e da terra

As terras indígenas não são aquelas que foram conquistadas através de guerras de dominação sobre os outros. As terras indígenas são aquelas que foram herdadas pelo ser criador do mundo e da terra. O Ñapirikoli que veio habitar a terra organizou e distribuíram as terras segundo clã do povo Baniwa, lá você encontra nas pedras em formas de desenhos (petróglifos) as marcas de cada clã no início ao fim de um território entre si, que forma tradicionalmente território maior do povo Baniwa e Koripako hoje em dia, dentro da Terra Indígena Alto Rio Negro demarcado e homologado oficialmente pelo governo federal em 1997 e 1998.

A América era toda terra indígena, o Brasil era toda terra indígena, todos os estados e municípios no Brasil eram todas terras indígenas. Mas depois mais de 500 anos de contato restam hoje apenas 13% do território nacional para garantir o seu ser, mas tem mais de 20% dos brasileiros representados nas instancias de Poder do Estado Brasileiro lutando para acabarem estes direitos de demarcar terras indígenas, retirar direitos sobre as terras indígenas garantidos na Constituição de 1988.

Os direitos indígenas originários sobre suas terras é sim, verdade. E é assim mesmo que tem que ser, pelo menos tenha respeito aos habitantes anteriores a esta terra hoje chamado Brasil.

A terra tem sido ameaçada pelo homem sempre, desde origem da humanidade. Hoje a consequência irresponsável da humanidade, dos cientistas, mercado e dos governos no mundo está vindo como mudanças climáticas como reação da natureza contração ação do homem predador inclusive sobre outros diferentes humanos sem culpa.

Ninguém, mas ninguém escapará da vingança da natureza que estão também sendo afetados pelas mudanças climáticas. Apesar deste anuncio apocalíptico ao mundo, aos homens das terras, se fazem de surdo, se fazem de que está tudo bem, ai que está o perigo, segundo profecia do povo Baniwa, neste momento muito cuidado, esse erro tem consequência, que é o fim dos seres viventes na terra. E nascerão outros depois disso?

André Baniwa é Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)  na gestão 2017-2020 e Auxiliar Técnico em Desenvolvimento e Pesquisa Socioambiental (ISA-PRN).

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social do Bem Viver no noroeste da Amazônia Brasileira

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social vai acontecer na comunidade Tunui Cachoeira entre 21 a 24 de Setembro de 2016, na Terra Indígena Alto Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Os Baniwa e Koripakos estão organizados 83 comunidades e sítios, 11 associações, uma coordenadoria filiadas a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro, pertencentes a família linguística Aruak, são mais 6.200 pessoas no Brasil.

1 – Bem-Viver: reorganização social, patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental
Porque Conferência do povo Baniwa e Koripako? Esta é uma nomenclatura de evento com que se pretende diferenciar-se dos demais que vem se realizando como assembléias, encontros, seminários e oficinas nos últimos três décadas. É uma conferência autônoma para marcar que vai tratar de uma decisão do povo, neste caso, dos povos Baniwa e Koripako segundo Convenção 169 da OIT. Refere-se também para analisar o tempo, o processo que estes povos vêm desenvolvendo desde 1984, ou seja, nos últimos 32 anos no Rio Negro. O que aconteceu nesse período, ou melhor, o que o povo Baniwa e Koripako conquistou neste período?
A conferência vai avaliar como vem sendo reconstrução do seu Bem-Viver depois de contato com homens Brancos. O Bem Viver culturalmente ou tradicionalmente esse termo tem sido usado constantemente em suas assembléias, encontros, oficinas e etc se referindo aos seus projetos nos últimos tempos, mas também ela é de uso diário em suas vidas e em busca dela tem passado por meio dos seus projetos, atividades, programa e na organização social que vem desde primeira participação da I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do rio Negro em 1984.
A criação da primeira associação foi em 1989, extinta em 1999. A segunda associação foi criada em 1992, a partir da qual se organizou mais comunidades em associações. Em 2001 fez se primeira avaliação, avaliava se valia apena estar organizados em associação que foi bastante positiva. No ano de 2002 criou-se uma coordenadoria para melhorar trabalhos das associações. No ano 2014 criou-se Conselho Baniwa e Koripako Kaaly para cuidar da política e gestão do Patrimônio Cultural e forçou entendimento para que este ano em maio de 2016 aprovasse a criação de uma organização representativa.
Com a finalidade de efetivar esta decisão, esta conferência vai discutir e aprovar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako, com nome e eleger sua diretoria executiva que vai elaborar seu estatuto a ser discutido e aprovado em sua primeira assembléia geral. Por isso chamamos de reorganização social Baniwa e Koripako, por que apenas vai fortalecer as associações já existentes envolvendo-as junto nos assuntos maiores de interesse e objetivos do povo.
Esta organização representativa é muito importante para enfrentar os desafios do Patrimônio Cultural, desafios do desenvolvimento sustentável, desafios na implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e afluentes em elaboração. Ela será fundamental para discutir e definir as estratégias de sustentabilidade do povo Baniwa e Koripako.
Além disso, o protocolo de Consulta de consentimento prévio e informado será elaborado através desta organização representativa do povo Baniwa e Koripako como forma de proteção e garantir o bem-viver. Resolverá o principal problema – quem decide pelo povo Baniwa e Koripako? Esta será forma organizada e unificada de decisão das associações e comunidades que em conjunto representará decisões coletivas do povo Baniwa e Koripako.
A organização representativa do povo vem sendo discutido desde ano de 2011 na assembléia na comunidade Tunui Cachoeira. Tem sido a proposta a ser desenvolvido. Depois no ano seguinte na comunidade Castelo Branco no ano de 2012. Na oportunidade de Criação do Conselho também foi lembrado desta necessidade em 2014. Finalmente agora em Maio de 2016 foi aprovado na assembléia para criar esta associação representativa do povo Baniwa e Koripako sob entendimento da garantia da governança sobre território do Içana e afluentes considerando desafios em Patrimônio Cultural, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, alternativas econômicas, educação, saúde e de modo geral políticas públicas.

2 – Bem-Viver: ensino e aprendizagem nas escolas Baniwa e Koripako
Na década de 70 e 80 o povo Baniwa e Koripako sofreu invasão de suas terras com falsas promessas e exploração de suas riquezas principalmente nos garimpos de ouro que alterou negativamente a vida das comunidades no Içana e afluentes.
Contra invasão e seus impactos negativo, o povo Baniwa através de seus representantes na I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Rio Negro definiram a escolaridade do seu povo como meta em longo prazo a ser perseguido com objetivo de criar diálogo com não indígenas e não serem mais enganado. Esta decisão foi importante, pois na época em comparação com as outras regiões do Rio Negro que já tinham escolaridade avançada e os Baniwa e Koripako não tinham praticamente nada de escolaridade que fizesse ter entendimento melhor da sociedade nacional.
Foi a partir desta decisão política que se lutou para ter mais escolas nas comunidades Baniwa e Koripako, levar professores não falantes da língua Baniwa e Koripako de outras etnias a fim de lecionar nestas escolas. Mas não eram suficientes, aos poucos foram se organizando para conhecer melhor seus direitos quando se tomou decisão política de criar a sua própria escola em 1997. A escola própria começou a funcionar no ano de 2000. Este teve impacto político muito grande no poder público de modo que acelerou mais criação de mais escolas nas comunidades, escolas de ensino fundamental completo, ensino médio com anexos e na atualidade tem mais 4 escolas de ensino médio em processo de busca de reconhecimento no Estado do Amazonas.
A luta do povo Baniwa e Koripako na escolaridade teve virada junto com o novo milênio. Pela primeira vez se tinha professores em magistério indígena, daí vem tendo mais magistério II e III. Atualmente já se tem professores com graduação em cursos interculturais, outros em formação, precisando ainda formação no mestrado e doutorado, além de anualmente ter formaturas de estudantes no ensino fundamental completo e no ensino médio a partir do ano de 2012.
Nos lugares de professores que vinham sendo de outras etnias não falantes Baniwa e Koripako hoje são ocupadas pelos professores das próprias comunidades.
Quando se definiu adotar a escolaridade como um dos que podia ajudar o povo em sua defesa, garantia de melhoria de vida, viver bem, deveria ter sido a considerar os conhecimentos interculturais, que a escola indígena fosse feita na realidade de vida das comunidades que significava em linguagem oficial de escolas profissionalizantes.
A realização desta I Conferencia da educação e organização social do Povo Baniwa e Koripako são muito importantes porque além de reunir diversas personalidades de lideranças de associações, professores, técnicos em agente comunitário de saúde indígena, lideranças comunitárias, conhecedores da tradição e da cultura, mulheres manejadora do sistema agrícola tradicional Baniwa e Koripako Kaaly, vai levar a decisão política do povo reunido sobre novas diretrizes gerais para educação escolar indígena Baniwa e Koripako que promova melhoria e aperfeiçoamento de ensino e aprendizagem de estudantes nas comunidades e nas Escolas. Vai também colocar em prática a decisão da assembléia de Maio de 2016 em criar a organização representativa do povo Baniwa e Koripako.

Programação da I Conferência Baniwa e Koripako sobre educação e organização social para o Bem-Viver
21 a 24 de Setembro de 2016 na comunidade Tunui Cachoeira – Médio Içana

20 de Setembro de 2016
– chegada de participantes na comunidade Tunui Cachoeira;
– abertura a noite com apresentações culturais e discursos sobre expectativas;

21 de Setembro de 2016
Manhã
Palestra sobre temática do Bem-viver, cultura e o patrimônio cultural Baniwa e Koripako.
a) Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo, Thiago Pacheco, Francineia e Madalena;
b) Debatedores Jovens – Dario Casimiro, Plinio Marcos, Genilton Apolinario, Maria Lilane Fontes;
c) Debatedores Idosos da tradição – Fernando Jose, Julio Cardoso, Roberto Paiva, Pedro Francisco, Celestino Benjamim, Chico Davila.
d) Debates em públicos (questionamentos e esclarecimentos).

Almoço

Tarde
– GT para definição dos conceitos Baniwa e Koripako;
– Exposição dos trabalhos de Gts e a sua discussão de consenso;
– Resumo e aprovação dos conceitos

22 de Setembro de 2016
Manhã
Palestras sobre processo histórico da luta
– Os últimos 32 anos de Educação Baniwa e Koripako processo próprio de aprendizagem na educação escolar indígena.
Palestrantes: Andre Baniwa, Dzoodzo
Debatedores – Daniel Benjamim, Isaias Fontes, Horipio Pacheco, Madalena Paiva.

– Palestra sobre experiências Baniwa e Koripako em Desenvolvimento Local Sustentável e empreendedorismo;
Palestrantes: Dzoodzo, Joaozinho, Orlandino Fontes, Genilton Apolinario;
Debatedores: Isaias Fontes, Tadeu Garrido, Ronaldo Apolinario.

– Apresentação dos projetos de Pesquisa de Estudantes e proposta de trabalho da UNIB junto ao povo Baniwa (Estudantes Baniwa e professores UNB);

Tarde
– Relato de experiências de gestão escolar Baniwa e Koripako e sobre ensino e aprendizagem nas escolas (ensino fundamental completo e ensino médio – salas anexos); (Escola Pamãali, Escola Kayaakapali, Escola Eeno Hiepole, Escola Maadzero, Escola Kariama, Escola Barekeniwa)
– Palestra sobre panorama das escolas e ensino nas microrregiões de acordo com atuação dos APIs (Professor API Eliaque Dionisio, Dario Casimiro, Augusto Garcia, Horipio Pacheco, Hilario Fontes e Jaime Lopes);
– Organizar GTs para identificação de avanços, dificuldades e problemas enfrentada na educação escolar Baniwa e Koriako e elaboração das propostas para governos e organização própria.

23 de Setembro de 2016
Manhã
– Trabalho de Grupos de discussão das propostas de diretrizes gerais para escolas Baniwa e Koripako; gestão de educação próprio, do município e do Estado, e; reivindicações para melhoria da educação escolar indígena Baniwa e Koripako com Governo Municipal e com Governo do Estado do Amazonas;
– Apresentação sistematizada dos resultados dos Gts e discussão em plenário;

Almoço

Tarde
– Apresentação do documento final da Conferencia sobre educação escolar Baniwa e Koripako;
– Discussão e melhoria do documento;
– Leitura de documento traduzido em língua Baniwa, Koripako, Ñegatu/Nhengatu/Lingua Geral, Espanhol e Portuguesa
– Aprovação do documento final e assinatura.

24 de Setembro de 2016
Manhã
– Palestra sobre proposta de reorganização do povo Baniwa e Koripako aprovado na assembleia da Cabc
Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo;
Debatedores: os participantes

Almoço

Trade
– Apresentação do rascunho da proposta de estatuto.
– Gts para discussão, melhoria e aprovação da proposta.
– Eleição da Diretoria da organização representativa do povo Baniwa e Koripako;

– Noite: encerramento final com noite cultural

Por André Baniwa – Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)

Educação Escolar: Criança Baniwa se acidenta em carteira escolar no Rio Ayarí

Escolar de Canadã

Carta elaborada pela VI Assembleia Geral da Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco – CABC sobre a situação e precariedade das estruturas físicas das escolas nas comunidades na região do Içana.

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Nós representantes dos povos Baniwa e Koripaco, reunidos na VI Assembleia Geral sub-regional Eletiva do Içana e afluentes, ocorrida entre os 19 a 21 de maio de 2016, na comunidade de Assunção do Içana, somando um total de 260 pessoas entre lideranças de associações, delegados indicados pelas comunidades e demais participantes de várias categorias, vimos através deste manifestar a nossa insatisfação quanto aos descasos da Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira, quanto ao atendimento da Educação Escolar Indígena nas comunidades indígenas da região do rio Içana.

Os relatos de professores e lideranças apresentados na assembleia demonstrou notadamente que as escolas das comunidades apresentam-se com estruturas comprometidas, não se tem prédios escolares, precisa-se de novas construções, reformas e ampliações. Embora o papel das comunidades não seja de construir prédios das escolas, com o propósito de manter em funcionamento as atividades escolares nas comunidades, os comunitários juntamente com a escola constroem espaços para que os estudantes possam estudar em ambientes que possibilite a sua formação da forma como deveria ser realizada pela SEMEC. Mais uma vez ressaltamos que isso não é de responsabilidade da comunidade e sim do poder público.

Além da infraestrutura inadequada, existe atraso na entrega de materiais de expedientes, materiais didáticos e merenda escolar. A razão da nossa insatisfação se deve também pelas escolas da região do rio Içana, não ter recebido até a presente data, nenhum material didático e merenda escolar. Além disso, neste ano de 2016 a cota de gasolina do Programa Nacional de Assistência ao Transporte Escolar (PNAT) não foi repassado, comprometendo o deslocamento dos estudantes das suas comunidades até as escolas onde frequentam as aulas. Associado a essas problemáticas afirmamos que as escolas não têm recebido fardamento escolar, kits de cozinha, carteiras escolares entre outros.

Com relação às carteiras escolares, informamos que a falta destes são parte da maioria das reclamações dos comunitários e àqueles que se encontram nas poucas escolas que encontram na região, não estão em condições de uso. O caso mais grave aconteceu na Escola Municipal Indígena Tiradentes, onde a criança se acidentou por cima do parafuso que se encontrava exposto na parte do tablado que servia de apoio do caderno (foto acima).

Diante do exposto, encaminhamos para V. Sa esta carta para que sejam tomadas as devidas providencias.

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Prédio Escolar da comunidade Uaupuí Cachoeira – Rio Ayarí

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Coordenador da Escola Municipal Tiradentes, com recursos próprios e com ajuda da comunidade faz cadeiras para os estudantes. 

 

 

 

Os Povos Baniwa e Koripako escolhem seus novos dirigentes no movimento indígena do Rio Negro

Eleição de Autogoverno Baniwa e Koripako 2016

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Por André Baniwa – Presidente da OIBI

Atualmente e a partir de direitos indígenas na Constituição de 1988 que incluiu direitos indígenas, os povos indígenas podem constituir governo próprio. O governo próprio dos povos indígenas é um termo usado também pela Fundação Getúlio Vargas. Artigo 232 é o que dá base legal para formação da associação para defender os interesses, objetivos e direitos indígenas no Brasil. A cada 4 anos uma associação troca seus diretores executivos aqui no Rio Negro segundo seus estatutos.

O povo Baniwa e Koripako já completam 25 anos de experiências de trabalho através das associações com alguns avanços muito importantes na educação, alternativas econômicas, divulgação do patrimônio cultural e etc… Nestes dias aconteceu assembleia da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako com objetivo de discutir seus desafios no campo do Patrimônio Cultural, Gestão Territorial e Ambiental da sua tradicional território na Terra Indígena Alto Rio Negro, demarcado e homologado em 1997 e 1998. Esta mesma assembleia também escolheu seu representante para próximos 4 anos na Diretoria Executiva da FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. A Coordenadoria renovou sua diretoria também.

O atual Diretor-representante Baniwa e Koripako na Diretoria Executiva da FOIRN, o senhor Isaias Pereira Fontes foi reeleito. A renovação da Diretoria Executiva da CABC trouxe novidade. É pela primeira vez depois de 16 anos da criação da escola própria Baniwa e Koripako é que a maioria dos dirigentes serão os que tiveram formação na Escola Indígena Baniwa e Koripako – EIBC Pamáali. O coordenador será aquele considerado o mais treinado, que coordenará equipe (Juvêncio Cardoso – Coordenador, Dário Casimiro – Vice Coordenador, Helton Benjamim – Secretário e Plínio Marcos – Tesoureiro). O futuro coordenador foi um dos primeiros estudantes que se formaram no projeto próprio Baniwa de escola. Escola que vem sendo reconhecido aos poucos. No início deste ano de 2016 recebeu do MEC o reconhecimento como referencia na educação básica como escola de criatividade e inovação.

Os desafios e perspectivas feitos sobre Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako incluiu Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, Subsistemas Agrícolas do Rio Negro, Sistema Agrícola Baniwa e Koripako e Conselho Baniwa e Koripako Kaaly criado em 2014 como espaço de governança e que foram proferidos em forma de palestra pelo André Baniwa Presidente da Oibi – Associação Indígena da Bacia do Içana e Assistente da Coordenação Regional do Rio Negro – FUNAI. A Gestão Territorial e Ambiental também foi proferida pelo mesmo, pois é um dos Coordenadores na Elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes.

O plenário da assembleia depois de discussões e esclarecimentos dentro deste contexto foi apresentado e aprovado às propostas para próximos anos de 2017-2020 que baseará Planos de Trabalhos da Coordenadoria de Associações Baniwa e Koripako e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

 

Planejamento do povo Baniwa e koripako na assembléia da CABC e da FOIRN na comunidade de Assunção do Içana

19 a 21 de Maio de 2016 na Maloca Madzerokai.

PARA PRÓXIMOS ANOS (2017-2020):

  1. Organização Social

– Criar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako com objetivo de fortalecer e melhorar desenvolvimento de atividades que promovam o bem-viver nas comunidades; reorganizar atividades regionais em forma de programas (incluindo no seu organograma  como educação, economia ou sustentabilidade, políticas públicas e etc);

– Fortalecer as associações Baniwa e Koripakos com projetos maiores;

– Cada associação Baniwa e Koripako deve avaliar seus processos de crescimento, dificuldades e refletir sobre suas experiências junto as suas comunidades associadas como processo de refortalecimento político;

– Compartilhar entre si as experiências de associações Baniwa e Koripako a fim de consolidar uma avaliação do povo sobre tempo de associação;

– Formação para lideranças indígenas sobre a política Baniwa e Koripako, sobre o movimento indígena do Rio Negro, do Amazonas, da Amazônia e dos Continentes; sobre Estado Brasileiro, direitos indígenas e modelos de desenvolvimentos dos Estados Nacionais; sobre diferentes metodologias de trabalhos coletivos; como elaborar planos, programas, projetos e atividades; refletir sobre as políticas públicas aos povos indígenas no Brasil;

– Escrever e publicar livros sobre experiências Baniwa e Koripako como processo de registro de histórias e formação de novas gerações e que possam ser utilizadas nas escolas Baniwa e Koripako;

 

  1. Patrimônio Cultural e Gestão Territorial e Ambiental

– Valorizar os lugares sagrados e mitológicos;

– Valorizar conhecimentos tradicionais (plantas medicinais, medicina tradicional e etc);

– Fortalecer e implantar o Conselho Kaaly;

– Promover os sistemas agrícolas tradicionais dos povos indígenas;

– Promover o sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Promover produtos indígenas Baniwa e Koripako;

– Divulgar Patrimônio Cultural Baniwa e Koripako a sociedade Brasileira e fora dela;

– Criar Museu Baniwa e Koripako;

– Criar Centro de Referencia Cultural do Povo Baniwa e Koripako na cidade de São Gabriel da Cachoeira;

– Fazer intercâmbios entre Baniwas e Koripakos Brasileiros, Colombianos e Venezuelanos;

– Participar do Comitê Gestor do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro promovido e coordenado pelo IPHAN do Amazonas;

– Elaborar bem o Plano de Gestão e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Elaborar plano, programa, projetos e atividades de médio e em longo prazo;

– Fazer todo levantamento nas comunidades, sistematizar os dados, discutir resultados, elaborar documento do PGTA e publicar o resultado (Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e Afluentes;

– Promover seminário para divulgação do Resultado de pesquisas no âmbito do PGTA e distribuição da publicação do PGTA;

– Associações Baniwa e Koripako farão oficinas para divulgação e educação sobre a importância do PGTA do Içana e Afluentes;

 

  1. Educação Escolar Baniwa e Koripako

– As escolas de ensino fundamental completo e de ensino médio convidarão lideranças indígenas dentro de suas programações a fim de proferir palestras aos estudantes e professores sobre patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental das terras indígenas e etc..

– As escolas farão revisão de seus PPPs a fim de incluir novos conceitos que aparecem no âmbito do Patrimônio Cultural e da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas;

– A CABC e FOIRN farão encontros de formação continuada aos professores, lideranças comunitárias e de associações como forma própria para fortalecer suas instituições e suas autoridades-representantes;

– As escolas continuarão fazer intercâmbios entre si como meio de aperfeiçoamento de suas pedagogias e processo próprio de aprendizagens;

– Os prédios escolares deverão ser priorizados nas reivindicações para que se garantam as suas construções no Içana e Afluentes;

– Lutar pela criação de 4 Escolas de Ensino Médio junto com Governo do Estado do Amazonas inicializado no ano de 2013 a partir de V Encontro de Baniwa e Koripako;

– Lutar mais pela formação em áreas em que não se tenha ainda a especialidade como para Advogado, Contabilista, Engenheiro Florestal, Odontologo, Enfermeiro e Médico.

 

  1. Economia Baniwa e Koripako

– Realizar encontro ou seminário sobre economia indígena Baniwa e Koripako a fim de aprofundar assuntos de geração de renda, produtos indígenas, receitas; discutir estratégias para consolidar a política e desenvolvimento da economia indígena;

– Retomar os trabalhos de produção e comercialização da cestaria de arumã;

– Ampliar e fortalecer a Rede de Casa da Pimenta Jiquitaia Baniwa no Içana e Afluentes;

– Fortalecer e promover os produtos do sistema agrícola Baniwa e Koripako Kaaly;

– Pesquisar para desenvolvimento de novos produtos a serem experimentados no mercado consumidor como “Wará”;

– Ampliar e diversificar os produtos indígenas como meio de promover renda nas comunidades aos homens e mulheres Baniwa e Koripako;

– Discutir pagamentos por serviços ambientais e outras formas de geração de renda;

– Lutar pela isenção de produtos indígenas junto ao Governo do Estado do Amazonas;

 

  1. Saúde Indígena no Içana e Afluentes

– Valorizar e promover internamente a utilização da medicina tradicional e plantas medicinais;

– Apoiar e fortalecer os agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena;

– Lutar através de reivindicações a construções de Pólos Base de Camarão, Tunui Cachoeira,  São Joaquim e Canadá do Rio Ayari;

– Lutar através de reivindicações a melhoria do serviço permanente de saúde indígena nas comunidades indígenas;

– As associações, escolas, agentes de saúde indígena e Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde Indígena farão mensalmente um relatório a ser enviado para CABC e FOIRN sobre funcionamento dos Pólos Base e serviços de saúde indígenas prestados nas comunidades;

– As comunidades e associações não devem esperar somente de conselheiros locais e regionais para informar a CABC e FOIRN sobre a saúde indígena nas comunidades;

– A CABC e FOIRN encaminharão as reivindicações das comunidades, associações para conhecimento e providencia de autoridades da saúde indígena no Içana;

 

  1. Infraestrutura, logística e tecnologia de informação e comunicação no Içana e Afluentes

– Discutir ou criar uma estrutura de organização da tecnologia de informação e comunicação implementando o meio de comunicação tradicional nas comunidades;

– As associações, escolas e ACIS junto com CABC encaminharão a necessidade de adquirir mais barcos para melhorar o transporte do Içana com Governo Municipal, do Estado e com Governo Federal.

– Lutar para equipar as escolas indígenas de ensino fundamental e médio com internet, biblioteca, videoteca e outros, junto com Governo Municipal, do Estado, Governo Federal e com projetos próprios.

– Lutar e cobrar da política publica a estruturação de transporte terrestre nos pontos estratégicos de difícil acesso (Tunui, Aracu Cachoeira-Matapi/Coracy Cachoeira);

– Organizar e melhorar o meio de comunicação nas comunidades e escolas para facilitar o acesso de informação para os comunitários.

 

 

 

 

 

Agricultores e artesãos do médio Içana criam cooperativa Kaalikattadapa

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Foto: Acervo/Projeto Mawako – reprodução

Mais uma ação realizada no âmbito do Projeto Mawako (saiba mais sobre o projeto). A primeira atividade foi a realização da oficina Encontro de sons para a formação de novas lideranças e valorização cultural, na comunidade Ucuki Cachoeira, em março de 2015.

Em novembro de 2015, foi realizado um encontro, dessa vez, na comunidade Santa Rosa do médio Içana para discussão e estudo dos problemas enfrentados na produção alimentícia e artesanato como geração de renda nas comunidades, afim de atender as necessidades básicas das famílias.

Nesse encontro os moradores da comunidades local e vizinhas, destacaram  que seria necessário diante de todos os problemas enfrentados ao longo dos anos a organização dos agricultores e agricultoras para que fortalecesse a produção, o escoamento e venda de produtos que já produzem, pois ocorria que cada família era responsável pelo escoamento e venda na sede do município, ainda enfrentando na sede a falta de espaço adequado para abastecimento e venda de produtos na sede ou fora do município e a desvalorização dos produtos.

Mais um passo dessa construção foi dado entre os  dias 15 e 16 de abril de 2016, com a realização do II Encontro dos Agricultores e agricultoras Indígenas na comunidade Santa Rosa médio rio Içana, com a participação das comunidades vizinhas: São José, Tapira Ponta e Santa Marta.

Resultado desse encontro, após debates e discussões foi a criação da Cooperativa dos Agricultores, Agricultoras e Artesões indígenas Kalikattadapa – CAIK, com objetivo de coordenar junto com os cooperados os trabalhos de produção de alimentos e artesanatos, buscando junto os meios necessários para minimizar os problemas, valorizando jovens na participação dentro do processo.

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Foto: Acervo/Projeto Mawako – reprodução

O Conselho Administrativo da cooperativa criada é composto por: Marcelino Fontes diretor Presidente, Laurentino diretor vice-presidente e Marino Fontes diretor Secretário.

“Quero Parabenizar a todos os participantes e colaboradores pela iniciativa e promoção de espaço de discussão para junto discutir os problemas enfrentados pelos agricultores, agradecer o capitão da comunidade, vice capitão e senhor Laurentino e todos os participantes das comunidades. Agradecer a participação da Vera Lucia, Honeide Lima, Maria Couto, Ranna que se dispuseram a vim para colaborar junto com os agricultores, deixaram seus lares e familiares para participar conosco deste processo. Agradecer também o Isaias Diretor vice-presidente da FOIRN pelo apoio, a Câmara Municipal, a Diocese de São Gabriel da Cachoeira e a todos que colaboram neste processo em nome dos agricultores estender este agradecimento. Desejo sucesso a todos, a luta continua!”- afirmou Trinho Paiva, coordenador do Projeto Mawako. 

Conheça e faça parte do Projeto Mawako! 

Comunidade Baniwa do Rio Cubate discute criação de uma associação representativa

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Entre 21 a 23 de março, Isaias Fontes diretor da FOIRN, junto com Carlos de Jesus (Coordenador da CABC), Adelina de Assis (Coordenadora do Departamento de Adolescentee e Jovens) e Rosilda Cordeiro (Departamento de Mulheres), estiveram na comunidade Nazaré do Rio Cubate, afluente do Rio Içana, para participar de uma reunião convocada pela comunidade, com objetivo de discutir a criação de uma associação de representação.

Para ajudar na discussão os convidados apresentaram experiências de organizações indígenas já existentes no Rio Negro, bem como a experiência da própria FOIRN. Rosilda Cordeiro, relatou experiências de mais de 10 anos frente a Associação das Mulheres Indígenas da Região de Taracúa e falou também dos objetivos e ações do Departamento de Mulheres da FOIRN, onde atualmente trabalha.

A Adelina de Assis, coordenadora do DAJIRN falou da importância da participação dos jovens no movimento indígena, e que o foco principal do departamento é incentivar e fortalecer a participação destes no movimento, bem como trabalhar temas voltadas a juventude indígena.

O objetivo de criação de uma associação de acordo com os participantes, é fortalecer ainda mais a participação da comunidade no movimento indígena da região Içana e afluentes, pois, mesmo, pertencendo à Associação Indígena do Baixo do Rio Içana (Aibri), devido a distância e a localização, acaba não participando ativamente do movimento.

O diretor Isaias, falou dos objetivos da federação, suas principais linhas de ações e conquistas em seus 29 anos de existência. E afirmou que, a federação precisa de associações fortalecidas.

O primeiro passo da criação da associação foi dado. A próxima reunião está prevista para o mês de julho, onde, finalmente a criação deverá ser concretizada.

Nota: Rio Cubate é afluente do Rio Içana, que “entra” nas próximidades da comunidade Boa Vista, foz do Içana.