VALORIZAÇÃO DAS LÍNGUAS INDÍGENAS NO ALTO RIO NEGRO

Augusto Garcia Gonçalves

Mestre em linguística na UNB

A partir da visão das línguas indígenas, o Rio Negro é uma região mais plurilíngue do Continente Americano devido um sistema eco linguístico de 23 povos diferentes e de línguas indígenas segundo quatro troncos linguísticos que são Tupi, Aruak, Tukano Oriental e Maku ou Nadahup, além de duas línguas da família românica, o Português e o Espanhol. Um dos cursos de Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Amazonas – UFAM adotou o princípio linguístico para organizar os pólos de ensino. Além disso, o alto rio Negro é único lugar do mundo cujas regras de matrimonio se baseiam na chamada exogamia linguística, isto é, na obrigatoriedade do casamento com mulher de outra língua. Esse tipo de regra matrimonial conduz o filho bilinguismo por natureza, isso que justifica, por exemplo, para que existissem falantes potenciais de várias línguas.

Todo isso é um direito, pois estão garantidas em diversas leis, desde a legislação brasileira (Constituição Federal, LDB, Resolução 03 do CNE, etc.) e internacional (Resolução 169 da OIT, Declaração Universal da Diversidade Cultural etc.) são os que reconhecem aos povos minorizados em geral e aos indígenas em particular o direito de uso das suas línguas própria nos processos educacionais em todos níveis escolares. É neste contexto que São Gabriel da cachoeira goza de uma legislação municipal própria sobre assunto, a Lei 145 de dezembro de 2002 co-oficializou as línguas Baniwa, Yegatu e Tukano, atribuindo-lhe estatuto de uso obrigatório no sistema educacional, na mídia e no entendimento publico aos cidadãos (95 % dos cidadãos de São Gabriel da Cachoeira são indígenas).

Os cidadãos indígenas do município falam em geral uma das três línguas cooficiais, independente disso, além da sua própria, falam também outras línguas indígenas e outras línguas nacionais.  É importante salientar que a própria Lei nº 145/2002 regulamentada pela Lei em 2010/2006, prevê o direito de outras etnias de disporem de educação básica nas suas línguas maternas ou do seu próprio povo.

Necessidade de fortalecimento das línguas indígenas

Mesmo com todos esses direitos às línguas nacionais de cada país são mais forte que as línguas indígenas, exemplo disso é que já morreram muitas línguas indígenas no Brasil e fora dela. Neste sentido é muito importante que se tenha consciência para que se nunca se perca as línguas originárias indígenas que carrega em si riquezas de conhecimentos diversos na vida e da natureza.

  1. Línguas Indígenas nas famílias.
  • Os pais devem continuar falando com seus filhos (as) suas línguas no dia a dia;
  • Os pais devem esclarecer aos filhos que a língua que ele fala tem o mesmo valor e importância que a língua Portuguesa e outras línguas nacionais;
  1. Línguas indígenas em ambiente Comunitários.
  • Todos os indígenas devem comunicar-se nas reuniões, assembleias, trabalhos comunitários, sempre em suas línguas paternas e maternas;
  • Os líderes comunitários devem sempre incentivar as práticas culturais e lingüísticos nas (danças, músicas, teatros) nas comunidades em parceria com a escola.
  1. Línguas Indígenas em Ambiente Escolar
  • Contratar professores das escolas falantes da mesma língua de acordo com sua localização;
  • A alfabetização (oral e escrita) deve ser sempre na língua paterna ou materna e somente depois na língua Portuguesa;
  • Garantir no Projeto Político Pedagógico Indígena – PPPI e na Matriz Curricular disciplina “Línguas Indígenas” no ensino fundamental e médio;
  • Nos Ensino Médio Indígena: Assunção do Içana, Taracuá, Pari-Cachoeira, Yawarete, Querari e outros devem adotar o método “ensino via pesquisa” para que os alunos possam estar preparados para serem pesquisadores de suas próprias línguas ao terminarem o ensino médio;
  • As produções de Material Didático devem ser em línguas indígenas tanto para ser usado na alfabetização, no ensino fundamental e médio;
  • Escola da área Urbana de ensino Médio: Colégio São Gabriel, Marchesi, Ir. Inês Penha, IFAM deveriam incluir no seu PPP e no componente curricular as Línguas Indígenas para ajudar os estudantes no conhecimento, na valorização e manutenção das línguas na área urbana.
  • Formação Linguística para os Professores indígenas em suas respectivas línguas para atuarem como Professores de suas Línguas.

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