LIXO NAS COMUNIDADES INDÍGENAS: DESAFIO DE DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DA BACIA DO IÇANA

“Lixo é veneno”

“O lixo é um inimigo”

Por Alfredo Feliciano Miguel Brazão

Diretor da OIBI 2017-2020

Como chegou lixo nas comunidades

Ante de todo quero registrar uma breve história sobre a chegada dos primeiros comerciantes que passavam trocar os produtos artesanais com produtos industrializados, que não existiam ante, os materiais que os nossos avós e pais usavam nas aldeias eram todos extraídos da natureza, que se decomponham com facilidade logo depois de uso, na verdade todos se transformavam em adubos orgânicos fertilizando o solo nos lugares de plantio das plantas frutíferas.

Os primeiros produtos industrializados como latas, plásticos, pilhas e outros surgiram na década do século XVIII quando os primeiros regatões entraram nas regiões. Naquele tempo quem tinham acessos a esses materiais somente os adultos que tinham técnica de produzir os artesanatos, farinha e outros produtos que eram comprados pelos regatões. Nesse tempo era bem diferente do tempo atual, pois todos os materiais duráveis que eram adquiridos pela população sempre foram bem reaproveitados por determinado tempo, assim era difícil às comunidades notarem os desperdícios de latas, garrafas, sacos plásticos nos quintais das casas.

Início da preocupação com lixo nas comunidades

A preocupação com destinação de resíduo sólido começou a surgir na região do Içana foi a partir da década de 1990 em diante, foi quando a população começaram a ter o acesso aos programas sociais do governo como em aposentadoria, pensão, bolsa família. Alguns que tinham estudo e que tiveram empregos como professores, agente Indígenas de Saúde que são ofertados pelo governo federal, estado e município.

Aumento de lixo nas comunidades

A partir do ano 2000, com aumento de professores contratados, apesar de muito positivo na educação escolar indígena, o magistério Indígena que formou os professores, mas também trouxe a soma visivelmente a questão do lixo em muitas comunidades.

Com salário ganho possibilitou adquirir os produtos industrializadas e suas embalagens são jogadas em qualquer lugar do ambiente quando perde vida útil de uso, seja nos rios, lagos, igarapés e nas praias e na mata.

Desconhecimento sobre lixo e as propostas de cuidado com lixo

O desconhecimento sobre cada tipo de produtos que produzem lixo e que podem causar doenças que comprometam a saúde dos seres humanos, aos animais, aos peixes e plantas e for fim o ambiente em se vive é principal causa de não ter cuidado com lixo nas comunidades. Conhecimento sobre contaminação através dos lixos ainda é pouco nas comunidades, principalmente os mais velhos das comunidades que não acreditam muito nisso. Por isso é fundamental a conscientização ou educação de cuidado com lixo nas comunidades.

Em uma das oficinas de estudantes da Licenciatura Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável da UFAM do Pólo Baniwa, fizeram trabalho de mostra como o acumulo de lixo acontece nas comunidades produzidas pela população e que chamou atenção para a necessidade de se preocuparem com isso, pois o acumulo de lixos podem ser uma das causas de doenças em suas comunidades.

Os estudantes apresentaram uma proposta aos Agentes Comunitários de Saúde Indígena e equipe multidisciplinar do DSEI, que este tema deveria ser prioridade em suas pautas para orientar a população das comunidades. Os mesmos recomendaram ensinar como deveriam tratar os lixos para evitar que cause doenças e comprometa na saúde, pois isso não existia nos planos de trabalho ou não estava acontecendo nas comunidades via DSEI e sua equipe de saúde. Até a própria equipe que anda nos rios e comunidades andam jogando seus lixos em qualquer lugar. Não orientam seus motoristas para guardarem vasilhame de óleo de mistura com gasolina que eles usam nos motores. É comum chegar ao porto onde tem pólo base vê cheio de frasco de óleo de plásticos, segundo pesquisadores-estudantes de médio Içana II.

Acordo e responsabilidade de estudantes

Durante a oficina os estudantes fizeram acordo entre si e se responsabilizaram para que cada um fizessem suas palestras sobre isso em suas comunidades de origem e que tomassem iniciativa de coletas de lixos com a participação dos membros da comunidade, incluindo também escolas da comunidade, para que os conhecimentos sobre lixo pudessem avançar.

A definição do lixo!

A conclusão da oficina é que o lixo é inimigo das pessoas, das comunidades, dos rios, das florestas e de todo ser vivo, por isso é fundamental se preocupar em ter planos em como se livrar dos lixos que são inimigos da saúde. É muito importante fazer coleta seletiva de lixo como de papeis, plásticos, vidros e latas. Depois deixar esses subprodutos com certa distância das casas e longe da fonte de igarapé, longe da plantação frutífera. O lixo pode ser queimadas e depois enterradas. Estas práticas devem ser ensinadas pelos professores e pelos agentes de saúde de cada comunidade.

Em relação aos produtos tóxicos como pilhas e baterias que são de alta periculosidade, é muito importante que as comunidades se responsabilizassem em ajunta-las no recipiente separado dos outros produtos para enviar de volta a cidade, uma vez que esses produtos contêm materiais pesadas e muita química perigosa segundo a resolução da CONAMA.

Legislação e situação de tratamento no Brasil

Segundo CONAMA, o Brasil é o único país da América do Sul que regulamenta a fabricação, venda e destinação final de pilhas e baterias. Com a entrada da Resolução 257, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que dispõe sobre estes resíduos, em vigor desde junho de 2001, o Ibama passou a fiscalizar esses limites. Os fabricantes e importadores são os responsáveis pelo recolhimento do material e sua destinação final, o que deve ser fiscalizado pelos órgãos públicos ambientais. A Resolução estabelece que as pilhas e baterias, após o seu esgotamento energético, devem ser entregues pelos usuários aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas indústrias. (REIDLER, 2002).

No Brasil, as pilhas e baterias exauridas são descartadas no lixo comum por falta de conhecimento dos riscos que representam à saúde humana e ao ambiente, ou por carência de alternativa de descarte. Esses produtos contêm metais pesados, como mercúrio, chumbo, cádmio, níquel, entre outros, potencialmente perigosos à saúde. Esses metais, sendo bio-acumulativos depositam-se no organismo, afetando suas funções orgânicas. Outras substâncias tóxicas presentes nesses produtos podem atingir e contaminar os aquíferos freáticos, comprometendo a qualidade desses meios e seu uso posterior como fontes de abastecimento de água e de produção de alimentos.

ConclusãoJaime-Foirn (8)

Para mantermos saúde em nossas comunidades e do nosso território é muito importante que cuidemos da nossa saúde, vamos usar os produtos industrializados conscientes, jogar os que não têm mais utilidade no lugar certo, não pode descuidar jogando o lixo em qualquer lugar, pois já sabemos que é prejudicial à vida.

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