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A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social do Bem Viver no noroeste da Amazônia Brasileira

A Conferência Baniwa e Koripako sobre Educação e Organização Social vai acontecer na comunidade Tunui Cachoeira entre 21 a 24 de Setembro de 2016, na Terra Indígena Alto Rio Negro no município de São Gabriel da Cachoeira, Estado do Amazonas. Os Baniwa e Koripakos estão organizados 83 comunidades e sítios, 11 associações, uma coordenadoria filiadas a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro, pertencentes a família linguística Aruak, são mais 6.200 pessoas no Brasil.

1 – Bem-Viver: reorganização social, patrimônio cultural, gestão territorial e ambiental
Porque Conferência do povo Baniwa e Koripako? Esta é uma nomenclatura de evento com que se pretende diferenciar-se dos demais que vem se realizando como assembléias, encontros, seminários e oficinas nos últimos três décadas. É uma conferência autônoma para marcar que vai tratar de uma decisão do povo, neste caso, dos povos Baniwa e Koripako segundo Convenção 169 da OIT. Refere-se também para analisar o tempo, o processo que estes povos vêm desenvolvendo desde 1984, ou seja, nos últimos 32 anos no Rio Negro. O que aconteceu nesse período, ou melhor, o que o povo Baniwa e Koripako conquistou neste período?
A conferência vai avaliar como vem sendo reconstrução do seu Bem-Viver depois de contato com homens Brancos. O Bem Viver culturalmente ou tradicionalmente esse termo tem sido usado constantemente em suas assembléias, encontros, oficinas e etc se referindo aos seus projetos nos últimos tempos, mas também ela é de uso diário em suas vidas e em busca dela tem passado por meio dos seus projetos, atividades, programa e na organização social que vem desde primeira participação da I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do rio Negro em 1984.
A criação da primeira associação foi em 1989, extinta em 1999. A segunda associação foi criada em 1992, a partir da qual se organizou mais comunidades em associações. Em 2001 fez se primeira avaliação, avaliava se valia apena estar organizados em associação que foi bastante positiva. No ano de 2002 criou-se uma coordenadoria para melhorar trabalhos das associações. No ano 2014 criou-se Conselho Baniwa e Koripako Kaaly para cuidar da política e gestão do Patrimônio Cultural e forçou entendimento para que este ano em maio de 2016 aprovasse a criação de uma organização representativa.
Com a finalidade de efetivar esta decisão, esta conferência vai discutir e aprovar uma organização representativa do povo Baniwa e Koripako, com nome e eleger sua diretoria executiva que vai elaborar seu estatuto a ser discutido e aprovado em sua primeira assembléia geral. Por isso chamamos de reorganização social Baniwa e Koripako, por que apenas vai fortalecer as associações já existentes envolvendo-as junto nos assuntos maiores de interesse e objetivos do povo.
Esta organização representativa é muito importante para enfrentar os desafios do Patrimônio Cultural, desafios do desenvolvimento sustentável, desafios na implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental do Içana e afluentes em elaboração. Ela será fundamental para discutir e definir as estratégias de sustentabilidade do povo Baniwa e Koripako.
Além disso, o protocolo de Consulta de consentimento prévio e informado será elaborado através desta organização representativa do povo Baniwa e Koripako como forma de proteção e garantir o bem-viver. Resolverá o principal problema – quem decide pelo povo Baniwa e Koripako? Esta será forma organizada e unificada de decisão das associações e comunidades que em conjunto representará decisões coletivas do povo Baniwa e Koripako.
A organização representativa do povo vem sendo discutido desde ano de 2011 na assembléia na comunidade Tunui Cachoeira. Tem sido a proposta a ser desenvolvido. Depois no ano seguinte na comunidade Castelo Branco no ano de 2012. Na oportunidade de Criação do Conselho também foi lembrado desta necessidade em 2014. Finalmente agora em Maio de 2016 foi aprovado na assembléia para criar esta associação representativa do povo Baniwa e Koripako sob entendimento da garantia da governança sobre território do Içana e afluentes considerando desafios em Patrimônio Cultural, Plano de Gestão Territorial e Ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, alternativas econômicas, educação, saúde e de modo geral políticas públicas.

2 – Bem-Viver: ensino e aprendizagem nas escolas Baniwa e Koripako
Na década de 70 e 80 o povo Baniwa e Koripako sofreu invasão de suas terras com falsas promessas e exploração de suas riquezas principalmente nos garimpos de ouro que alterou negativamente a vida das comunidades no Içana e afluentes.
Contra invasão e seus impactos negativo, o povo Baniwa através de seus representantes na I Assembléia Geral dos Povos Indígenas do Rio Negro definiram a escolaridade do seu povo como meta em longo prazo a ser perseguido com objetivo de criar diálogo com não indígenas e não serem mais enganado. Esta decisão foi importante, pois na época em comparação com as outras regiões do Rio Negro que já tinham escolaridade avançada e os Baniwa e Koripako não tinham praticamente nada de escolaridade que fizesse ter entendimento melhor da sociedade nacional.
Foi a partir desta decisão política que se lutou para ter mais escolas nas comunidades Baniwa e Koripako, levar professores não falantes da língua Baniwa e Koripako de outras etnias a fim de lecionar nestas escolas. Mas não eram suficientes, aos poucos foram se organizando para conhecer melhor seus direitos quando se tomou decisão política de criar a sua própria escola em 1997. A escola própria começou a funcionar no ano de 2000. Este teve impacto político muito grande no poder público de modo que acelerou mais criação de mais escolas nas comunidades, escolas de ensino fundamental completo, ensino médio com anexos e na atualidade tem mais 4 escolas de ensino médio em processo de busca de reconhecimento no Estado do Amazonas.
A luta do povo Baniwa e Koripako na escolaridade teve virada junto com o novo milênio. Pela primeira vez se tinha professores em magistério indígena, daí vem tendo mais magistério II e III. Atualmente já se tem professores com graduação em cursos interculturais, outros em formação, precisando ainda formação no mestrado e doutorado, além de anualmente ter formaturas de estudantes no ensino fundamental completo e no ensino médio a partir do ano de 2012.
Nos lugares de professores que vinham sendo de outras etnias não falantes Baniwa e Koripako hoje são ocupadas pelos professores das próprias comunidades.
Quando se definiu adotar a escolaridade como um dos que podia ajudar o povo em sua defesa, garantia de melhoria de vida, viver bem, deveria ter sido a considerar os conhecimentos interculturais, que a escola indígena fosse feita na realidade de vida das comunidades que significava em linguagem oficial de escolas profissionalizantes.
A realização desta I Conferencia da educação e organização social do Povo Baniwa e Koripako são muito importantes porque além de reunir diversas personalidades de lideranças de associações, professores, técnicos em agente comunitário de saúde indígena, lideranças comunitárias, conhecedores da tradição e da cultura, mulheres manejadora do sistema agrícola tradicional Baniwa e Koripako Kaaly, vai levar a decisão política do povo reunido sobre novas diretrizes gerais para educação escolar indígena Baniwa e Koripako que promova melhoria e aperfeiçoamento de ensino e aprendizagem de estudantes nas comunidades e nas Escolas. Vai também colocar em prática a decisão da assembléia de Maio de 2016 em criar a organização representativa do povo Baniwa e Koripako.

Programação da I Conferência Baniwa e Koripako sobre educação e organização social para o Bem-Viver
21 a 24 de Setembro de 2016 na comunidade Tunui Cachoeira – Médio Içana

20 de Setembro de 2016
– chegada de participantes na comunidade Tunui Cachoeira;
– abertura a noite com apresentações culturais e discursos sobre expectativas;

21 de Setembro de 2016
Manhã
Palestra sobre temática do Bem-viver, cultura e o patrimônio cultural Baniwa e Koripako.
a) Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo, Thiago Pacheco, Francineia e Madalena;
b) Debatedores Jovens – Dario Casimiro, Plinio Marcos, Genilton Apolinario, Maria Lilane Fontes;
c) Debatedores Idosos da tradição – Fernando Jose, Julio Cardoso, Roberto Paiva, Pedro Francisco, Celestino Benjamim, Chico Davila.
d) Debates em públicos (questionamentos e esclarecimentos).

Almoço

Tarde
– GT para definição dos conceitos Baniwa e Koripako;
– Exposição dos trabalhos de Gts e a sua discussão de consenso;
– Resumo e aprovação dos conceitos

22 de Setembro de 2016
Manhã
Palestras sobre processo histórico da luta
– Os últimos 32 anos de Educação Baniwa e Koripako processo próprio de aprendizagem na educação escolar indígena.
Palestrantes: Andre Baniwa, Dzoodzo
Debatedores – Daniel Benjamim, Isaias Fontes, Horipio Pacheco, Madalena Paiva.

– Palestra sobre experiências Baniwa e Koripako em Desenvolvimento Local Sustentável e empreendedorismo;
Palestrantes: Dzoodzo, Joaozinho, Orlandino Fontes, Genilton Apolinario;
Debatedores: Isaias Fontes, Tadeu Garrido, Ronaldo Apolinario.

– Apresentação dos projetos de Pesquisa de Estudantes e proposta de trabalho da UNIB junto ao povo Baniwa (Estudantes Baniwa e professores UNB);

Tarde
– Relato de experiências de gestão escolar Baniwa e Koripako e sobre ensino e aprendizagem nas escolas (ensino fundamental completo e ensino médio – salas anexos); (Escola Pamãali, Escola Kayaakapali, Escola Eeno Hiepole, Escola Maadzero, Escola Kariama, Escola Barekeniwa)
– Palestra sobre panorama das escolas e ensino nas microrregiões de acordo com atuação dos APIs (Professor API Eliaque Dionisio, Dario Casimiro, Augusto Garcia, Horipio Pacheco, Hilario Fontes e Jaime Lopes);
– Organizar GTs para identificação de avanços, dificuldades e problemas enfrentada na educação escolar Baniwa e Koriako e elaboração das propostas para governos e organização própria.

23 de Setembro de 2016
Manhã
– Trabalho de Grupos de discussão das propostas de diretrizes gerais para escolas Baniwa e Koripako; gestão de educação próprio, do município e do Estado, e; reivindicações para melhoria da educação escolar indígena Baniwa e Koripako com Governo Municipal e com Governo do Estado do Amazonas;
– Apresentação sistematizada dos resultados dos Gts e discussão em plenário;

Almoço

Tarde
– Apresentação do documento final da Conferencia sobre educação escolar Baniwa e Koripako;
– Discussão e melhoria do documento;
– Leitura de documento traduzido em língua Baniwa, Koripako, Ñegatu/Nhengatu/Lingua Geral, Espanhol e Portuguesa
– Aprovação do documento final e assinatura.

24 de Setembro de 2016
Manhã
– Palestra sobre proposta de reorganização do povo Baniwa e Koripako aprovado na assembleia da Cabc
Palestrantes: André Baniwa, Isaias Fontes, Dzoodzo;
Debatedores: os participantes

Almoço

Trade
– Apresentação do rascunho da proposta de estatuto.
– Gts para discussão, melhoria e aprovação da proposta.
– Eleição da Diretoria da organização representativa do povo Baniwa e Koripako;

– Noite: encerramento final com noite cultural

Por André Baniwa – Presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI)

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