Saber manejar no presente para garantir o futuro é o desafio, apontam os Povos Baniwa e Koripaco na oficina de elaboração do PGTA do Rio Içana e Afluentes

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

Foi trabalhado o tema territorialidade durante a oficina. Foto: Ray Benjamim

É a primeira vez que os Baniwa e Koripaco se reunem para pensar e escrever seu futuro com base nas experiências de contato, de trabalho e desejos. Ao final da oficina ficou claro o maior desafio na atualidade é saber manejar o mundo para garantir o futuro e bem viver para às futuras gerações.

A  I Oficina de elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental da região do Içana e Afluentes, onde vivem os Baniwa e Coripaco, foi realizado entre 7 a 10 de outubro na comunidade Tunuí Cachoeira, Médio Içana.

O trabalho foi uma realização da parceria: CABC (Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco), FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), FUNAI (Fundação Nacional do Indígena/Coordenação Regional do Rio Negro) e ISA (Instituto Socioambiental).

Foram cerca de 140 participantes, representantes das comunidades localizadas nas calhas do baixo, médio e Alto Içana e os afluntes Aiarí e Cuairaí. Entre estes, professores, estudantes, conhecedores tradicionais, mulheres e crianças.

Na abertura da oficina,  foi ressaltado que a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI – Decreto 7.747/2012) da qual os PGTAs são instrumentos de implementação é uma conquista dos povos indígenas.

” É um instrumento muito importante para discutirmos os desafios atuais e planejar o nosso futuro, que tem como principal conteúdo ações importantes e necessárias para o nosso bem viver no nosso território” – disse Isaias Fontes, Vice Presidente da FOIRN.

A primeira atividade da oficina foi uma palestra sobre os 7 eixos da PNGATI e seus objetivos, com a proposta de ampliar o entendimento e compreensão dessa política pelos participantes. O trabalho de levantamento de desafios enfrentados pelos Baniwa e Koripaco, foi feito em grupos de trabalhos organizados por microregião do Içana (baixo Içana, Médio Içana I e II, Alto Içana Aiarí – e mais dois grupos de jovens).

Outra atividade feita foi o mapeamento das territorialidades de cada comunidade, como área de uso e áreas de uso compartilhado, que também identificou recursos florestais, pesqueiros e outros pontenciais que poderão ser aproveitados em projetos de geração de renda. As áreas de atuação e abrangência das associações de base foram identificados nos mapas.

Os temas prioritários definidos na oficina foram: Manejo de Recursos florestais e pesqueiros, Lixo e poluição, Saúde, Patrimônios Culturais, Transporte e meios de comunicação, Economia indígena e geração de renda, Proteção e promoção de Patrimônio culturais e patrimônios genéticos associados à biodiversidade e Organização social e religiosa.

Os próximos passos da construção desse plano já estar definido. Grupos de trabalhos irão atuar nas microregiões para aprofundar com as comunidades as informações e os dados levantados na oficina. E a coordenação da elaboração do plano irá sistematizar e processar os dados para a próxima oficina prevista para ano que vem.

Governança do Território Baniwa e Koripaco

André Fernando, fez uma palestra sobre o Conselho Kaali, criado em 2014 durante a V Assembleia da CABC com a proposta de ser um espaço de discussão e deliberação de assuntos estratégicos e de interesse dos povos Baniwa e Koripaco.

” O Conselho Kaali será um espaço de governança do nosso território, onde iremos discutir e definir ações prioritárias de interesse do nosso povo” – disse André, que é membro da comissão de organização e sistematização do processo de formação do Conselho Kaali.

O PGTA do Rio Içana e Afluentes ou Baniwa e Koripaco será um instrumento de planejamento e implementação das ações recomendadas pelo Conselho Kaali, que deverão ser desenvolvidas pelas associações de base de cada microregião.

O território conhecido atualmente como ” Bacia do Içana” ou ” Rio Içana e Afluentes” é  ocupado tradicionalmente pelos Baniwa e Koripaco, desde a origem em Wapuí Cachoeira (alto Aiarí) e herdado pelo próprio criador Ñapirikoli aos clãs Waliperidakenai, Hohodeni, Dzawinai e outros que fazem parte. O conhecimento sobre essa territorialidade tradicional é mantido e transmitido de geração a geração.

Atualmente, na região do Içana existem cerca de 10 associações de base, uma coordenadoria regional, associações de escola, conselheiros de saúde e entre outros. A proposta do Conselho Kaali é fortalecer essas representações.

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